Vou contar-lhes um fato
engraçado, que eu aposto que muitos de vocês vão concordar ou se identificar:
de todo ritual de ir comer - ou, atualmente, pedir - comida chinesa, a parte
que mais amo e me divirto é o momento de quebrar o biscoitinho da sorte. É,
aquele mesmo, típico de filme, que as metades se separam com um TEC e que,
dentro, você encontra um papel com uma mensagenzinha engraçada (uma pena que,
ao lê-la, toda aquela mudança de corpos a la Sexta Feira Muito Louca não
aconteça). Já me peguei discutindo por horas e horas seguidas sobre esse
acontecimento tão idiota, e, ao mesmo tempo, tão interessante. Fascina-me ver
como um simples pedaço de papel pode, por vezes, servir como uma
super-e-completa visita ao psicologo. Ou qualquer coisa assim. Deixe eu
explicar.
Imagine que você recebeu
um fora recentemente, e todo aquele sentimento de revolta ainda toma conta de
você. Depois daquela costumeira cascata de choro e mimimis, das famosas frases
de autopunimento apocalipticas sobre "nunca mais vou me sentir completo”,
alguém – provavelmente um amigo cansado de ver sua depressão exagerada e
melodramatica – resolve levá-lo à um restaurante. E lá – oh, meu deus! – você recebe
um biscoitinho da sorte. Com um sorriso meio triste, desenrola o papelzinho e
eis que surge a frase “lamentar aquilo que não temos é desperdiçar aquilo que
já possuimos”. Seus olhos passam pela frase uma, duas, três vezes. E você acaba
concordando com ela, surpreendendo-se até mesmo com o modo como ela se encaixa
perfeitamente em sua situação atual. Porque, apesar de ter acabado de perder um
parceiro, há muitas outras pessoas e coisas a sua volta para lhe trazer alegria
e conforto. E o namorado… Pff, quem é ele, por sinal!? Só uma pessoinha
insignificante que passou por sua vida. Nada demais. Então, com isso em mente,
você sai do restaurante, muito mais confiante do que o momento em que entrou.
Mal sabe que, na mesa ao lado, um grupo de meninas acabou de tirar o mesmo
papelzinho – porque, sinto informar, existe mais de um biscoito com a mesma
frase – e que a interpretação que elas fazem é algo completamente diferente da
sua.
Acho engraçado essa
capacidade de adaptação que as frases do biscoito da sorte possuem. Talvez por
serem tão genéricas, ou então completamente metafóricas – tipo “não tente tirar
a lua do fundo do mar”, o que isso quer dizer!? - elas se encaixam
perfeitamente em qualquer estado de espirito humano. Pergunto-me frequentemente
quem que escreve todas as frases - uma senhora viciada em livro de auto-ajuda
ou um jornalista fracassado com o auxilio de sites com frases de efeito? Não
importa. O que me inquieta é ver que todas as pessoas ainda ficam felizes por
acharem que se identificar com as mensagens é obra do destino – não que eu não
sinta isso também, o pior é que sinto. Mas vamos pensar. “Lamentar aquilo que
não temos é desperdiçar aquilo que já possuimos”. Ao meu ver, qualquer pessoa
do mundo tem alguma preocupação na vida, seja no campo amoroso, nos negócios ou
até mesmo aparência. E, reparem! Qualquer um desses campos pode se ver
refletido na frase do biscoitinho. Se identificar é inevitável.
Provavelmente nunca vou
deixar de me intrigar – e me divertir! – ao observar o semblante de todos ao
receber em mãos o tão famoso biscoito da sorte. A influência dele na vida das
pessoas é algo muito engraçado – até porque, mesmo sabendo da universalidade daquelas
suas frases, não conseguimos (claro que estou incluída) deixar de nos animarmos
ou refletirmos com o que lemos. Bem, e se por acaso isso um dia acontecer…
ainda nos resta o horóscopo.
Muito boa, Marcela :-)))))
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