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| foto: Reprodução |
“Eu
falo
Tu não escutais
Ele Fala
Nós não escutamos
Vós Falais
Eles não escutam.
Assim nasce à concordância”
Tu não escutais
Ele Fala
Nós não escutamos
Vós Falais
Eles não escutam.
Assim nasce à concordância”
Enquanto não chegar aos meus ouvidos,
sua voz pode ecoar os mais absurdos dos ditos. Tudo pode, e viva a democracia, em um país onde o tudo
é a obrigação. A Liberdade por aqui
é só mais um presente de grego e assim como a maioria daquilo que veio da
Grécia é mito, é um tipo de Deusa irresistível e inatingível.
Sendo os deuses seres de almas tão humanas
quanto a nossa e ainda por cima portadores de poderes divinos (o verdadeiro
perigo), logo podemos supor que a liberdade é um “abacaxi” mesmo antes de a
Grécia ser antiga. Atena, Minerva, Àrtemis, Hera – que devem ter formando o
primeiro grupo feminista da história – todas essas são conhecidas por lutar por
tal direito, se conseguiram não sei, mas todas se meteram e “boicotaram” a
liberdade alheia com muita dedicação.
Alias a briga no Olimpo por liberdade
deve ter sido tão intensa que Zeus em sua eterna sabedoria nem ousou dar esse
poder a um só deus, é só jogar no Google para perceber que o deus da liberdade
mora em todos os deuses. Por mais que em
seus mitos, os princípios de liberdade se mostrem míticos.
E nós por aqui, desprovidos de qualquer poder, continuamos lutando pelo poder do ir e vir e mais intensamente pelo da voz. Exigimos e clamamos a “Liberdade de expressão” com o romantismo que não nos cabe mais em tempos de sonhos aniquilados pelas nossas próprias contradições. Temos usado ingenuamente métodos antiquados, nos revoltado contra os nossos próprios ideais e julgando enquanto brigamos pelo não julgamento. Como deuses traídos pelos próprios princípios.
Eu
particularmente não entendo como tentamos jogar incessantemente com as peças
erradas. Colocamos no mesmo tabuleiro dois opostos que se exterminam
concomitantemente: Liberdade x Limite
- são antíteses, são opostos, não se completam – já deveríamos saber.
Erguemos bandeiras, exigimos que o outro
se cale, em favor do nosso grito, nos fragmentamos quanto nação e acreditamos
que assim exterminaremos as diferenças. Intitulamos, rotulamos, usamos termos
como: maioria e minoria, rico e pobre, hetero e homo, fraco e forte, negro e
branco, homem e mulher enquanto já aceitamos a inexistência do referente real
do signo sociedade.
Estamos cada dia mais grupais – em uma
coletividade (se o termo é possível) que prega a união. Mais conservadores – em
tempos apelidados de “qualquer coisa com modernidade no final”. Mais
individualistas – mesmo sabendo que não é assim que a força se faz.
Não há luta, há a guerra não declarada –
pois onde vivemos declarar ultrapassa o permitido e resulta em artigo VI do
código penal, em indenização, em cadeia, em debate na assembléia e na TV. Não
se pode dizer além do estipulado e mesmo assim não vivemos em estado de paz.
A liberdade de expressão como tantas
outras gregas, como a justiça, a igualdade e a mãe de todas, a democracia morrem na nossa intolerância.
Não as conhecemos e agimos como se nos
fossem princípios enraizados. Erramos! O preconceito e a intolerância não
passam de disputas por palavras. Não estamos prontos enquanto não possuirmos o
dom de escutar, aprendermos a arte de aceitar ou apenas entender que o grito do
outro é direito constitucional, mesmo quando soa estranho ao meu, ao o seu, ao
nosso grito.
Devemos parar de procurar lados, de nos
mobilizarmos em debates que apenas procuram destruir a idéia oposta, deixar o
vicio “anti-pragmático” e focarmos em consolidar e construir caminhos paralelos
e possíveis, mesmo em divergências de trajeto. Só seremos inteiramente livres
para dizer quando a liberdade deixar de ser a prima boa e surda, da
incompreensão e sim a deusa a imperar no
nosso Olimpo.

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