segunda-feira, 7 de maio de 2012

A Classe C tem o controle



É fato que a classe C sempre esteve representada nas novelas, filmes e programas da TV brasileira. Programas de auditório como dos apresentadores Fausto Silva, Gugu Liberato e Silvio Santos, de emissoras diferentes, sempre tiveram a maior parte de sua audiência vinda dessa classe.
Programas de auditório tem crescido e tido preferência do público
Em uma entrevista ao site do Estado, o apresentador Serginho Groisman afirma que “agora entrou essa coisa de 'falar com a classe C'”, mas argumenta que “a televisão sempre falou com a classe C. Com quem a gente falou até hoje? Sempre achei a televisão muito popular”. No entanto, é consideravelmente visível que hoje as emissoras estão querendo se aproximar cada vez mais desse grupo social que tem se tornado um dos grandes consumidores.
                A exemplo da emissora que é líder em audiência, a Globo não mediu esforços e mudou sua conhecida frase de impacto, “Globo a gente se vê por aqui” por “Globo a gente se liga em você”, demonstrando que sua relação com o público é agora mais pessoal, estando ambos (espectadores e emissora) em um mesmo degrau.
Cena do programa "Esquenta"
                As telenovelas brasileiras sempre tiveram representantes dessa classe, com maior e menor significância dependendo do autor e roteiro. Examinando as novelas populares que vão ao ar atualmente pela Rede Globo de Televisão, percebe-se que a família principal, o grupo principal ou mesmo a grande maioria dos cenários é geralmente de bairros menos poderosos. “Avenida Brasil”, “Cheias de Charme”, e as séries “Tapas e Beijos”, “A Grande Família” e “Zorra Total” (embora esses dois últimos já mais antigos) mostram seus personagens principais em cargos “comuns” e bairros simples, com atividades rotineiras populares.
                Ainda no exemplo das telenovelas, Avenida Brasil, por exemplo, sugere essa “nova” classe não só na composição de personagens e cenários, mas também na trilha sonora. Grande parte das músicas, senão todas elas são de ritmo sertanejo e pagode. Tipos musicais que antes eram reservados somente às camadas mais simples, mas que hoje se espalharam por (quase) todas as classes sociais.
                Na Televisão brasileira o número de programas de auditório, que sempre existiu, teve notável aumento. Apresentadores antigos e já conhecidos da população lideram agora novos programas desse formato, como Ana Hickman com o “Tudo é possível” na Rede Record, Eliana à frente de um programa que leva seu nome, e o “Programa Raul Gil” no SBT, Luciano Huck com seu “Caldeirão do Huck” na TV Globo, e o consideravelmente novo programa “Esquenta” de Regina Casé, “Superpop” de Luciana Gimenez e o programa de Hebe Camargo na RedeTV!, e “A Praça é Nossa” também no SBT, para fechar uma lista de muitos outros.
O "Programa do Chacrinha" já usava os auditórios.

                O poder de uma classe que sempre foi representada e considerada, mas quase nunca como o principal alvo da maioria dos programas de TV, cresce e impõe sua presença no que diz respeito aos novos formatos e direcionamento de programas atuais das mais diversas emissoras. Se é fato que a TV sempre falou com a população, é certo que hoje seu diálogo está mais diretamente ligado aos novos poderes, inclusive aquisitivos, que a sempre existente classe C passa a ter.
                

Um comentário:

  1. amiga, quanto orgulho!
    adorei ler sua matéria viu.. continue assim que você vai crescer e muito na vida!
    te amo demais!
    beijao,
    malú

    ResponderExcluir