por Júlia Paolieri
É fato que
a classe C sempre esteve representada nas novelas, filmes e programas da TV
brasileira. Programas de auditório como dos apresentadores Fausto Silva, Gugu
Liberato e Silvio Santos, de emissoras diferentes, sempre tiveram a maior parte
de sua audiência vinda dessa classe.
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| Programas de auditório tem crescido e tido preferência do público |
Em uma
entrevista ao site do Estado, o
apresentador Serginho Groisman afirma que “agora
entrou essa coisa de 'falar com a classe C'”, mas argumenta que “a televisão
sempre falou com a classe C. Com quem a gente falou até hoje? Sempre achei a
televisão muito popular”. No entanto, é consideravelmente visível que
hoje as emissoras estão querendo se aproximar cada vez mais desse grupo social
que tem se tornado um dos grandes consumidores.
A
exemplo da emissora que é líder em audiência, a Globo não mediu esforços e
mudou sua conhecida frase de impacto, “Globo a gente se vê por aqui” por “Globo
a gente se liga em você”, demonstrando que sua relação com o público é agora
mais pessoal, estando ambos (espectadores e emissora) em um mesmo degrau.
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| Cena do programa "Esquenta" |
As
telenovelas brasileiras sempre tiveram representantes dessa classe, com maior e
menor significância dependendo do autor e roteiro. Examinando as novelas
populares que vão ao ar atualmente pela Rede Globo de Televisão, percebe-se que
a família principal, o grupo principal ou mesmo a grande maioria dos cenários é
geralmente de bairros menos poderosos. “Avenida Brasil”, “Cheias de Charme”, e as
séries “Tapas e Beijos”, “A Grande Família” e “Zorra Total” (embora esses dois
últimos já mais antigos) mostram seus personagens principais em cargos “comuns”
e bairros simples, com atividades rotineiras populares.
Ainda
no exemplo das telenovelas, Avenida Brasil, por exemplo, sugere essa “nova”
classe não só na composição de personagens e cenários, mas também na trilha
sonora. Grande parte das músicas, senão todas elas são de ritmo sertanejo e
pagode. Tipos musicais que antes eram reservados somente às camadas mais
simples, mas que hoje se espalharam por (quase) todas as classes sociais.
Na
Televisão brasileira o número de programas de auditório, que sempre existiu, teve
notável aumento. Apresentadores antigos e já conhecidos da população lideram
agora novos programas desse formato, como Ana Hickman com o “Tudo é possível”
na Rede Record, Eliana à frente de um programa que leva seu nome, e o “Programa
Raul Gil” no SBT, Luciano Huck com seu “Caldeirão do Huck” na TV Globo, e o
consideravelmente novo programa “Esquenta” de Regina Casé, “Superpop” de
Luciana Gimenez e o programa de Hebe Camargo na RedeTV!, e “A Praça é Nossa” também
no SBT, para fechar uma lista de muitos outros.
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| O "Programa do Chacrinha" já usava os auditórios. |
O
poder de uma classe que sempre foi representada e considerada, mas quase nunca
como o principal alvo da maioria dos programas de TV, cresce e impõe sua
presença no que diz respeito aos novos formatos e direcionamento de programas
atuais das mais diversas emissoras. Se é fato que a TV sempre falou com a
população, é certo que hoje seu diálogo está mais diretamente ligado aos novos
poderes, inclusive aquisitivos, que a sempre existente classe C passa a ter.



amiga, quanto orgulho!
ResponderExcluiradorei ler sua matéria viu.. continue assim que você vai crescer e muito na vida!
te amo demais!
beijao,
malú