Por Patricia S. Zylberman
Traduzido
para o português It Girl significa algo como “AQUELA GAROTA” ou “GAROTA
IMPORTANTE” e é exatamente isso que essas meninas representam para as jovens
atuais. O termo foi visto, primeiramente, em 1927 no filme “It” estrelado por
Clara Bow (considerada após ele uma das primeiras It Girls existentes) e era
utilizado para exaltar mulheres que são conhecidas por possuírem alguma
característica marcante, seja no modo de se vestir, seja em sua atitude.
Fichinhas carimbadas de qualquer evento
de moda, seja nas disputadíssimas primeiras fileiras da SPFW (São Paulo Fashion
Week) seja em desfiles só para convidados na Daslu, as It Girls são meninas entre
20 e 30 anos (às vezes até menos), bonitas, bem vestidas, descoladas e, mais
importante, ricas, que, por serem extremamente antenadas na moda acabam se
diferenciando das outras pessoas e se tornam celebridades momentâneas, sem
algum motivo evidente.
No resto do mundo, esse “título” também premia
mulheres que se destacam no meio fashion. Nos EUA temos a atriz Blake Lively e
a socialite Olivia Palermo, que apesar de ter tido uma ponta no pseudo-reality
show da MTV, “The City”, é mais conhecida por sua criação de tendências da alta
moda. Na Europa, a modelo Kate Moss é considerada muito importante nesse conceito,
pois diversas garotas imitam o que ela veste e Alexa Chung, sempre vista na
primeira fileira dos principais eventos de moda do mundo.
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| A It Girl americana Olivia Palermo |
Por “ditarem moda”, as It Girls de mais
sucesso recebem roupas de marcas famosas com o intuito de atrair a mídia em
cima delas ao serem fotografadas usando-as - algo similar ao que ocorre às
estrelas de cinema que ganham roupas e joias para desfilarem pelas grandes
premiações que atraem muita imprensa, como o Oscar – ou, mais frequentemente,
postarem em seus blogs. Muitas das garotas que recebem essa denominação não
gostam de ser chamadas assim, pois acreditam que seja pejorativo e as fazem
parecer socialites que ganham a vida vestindo roupas de marca e participando de
festas, sendo que muitas trabalham.
No Brasil, essas garotas ficam
conhecidas, em sua grande maioria, por conta dos blogs de moda. A pioneira no conceito
foi a publicitária, apresentadora e também blogueira, Julia Petit, dona do blog
“Petiscos” (Blog Petiscos), nele, além das
tendência atuais, são disponibilizadas novidades na música, estilo e até em
viagens, o que o diferencia da grande maioria dos blogs na área, pois grande
parte deles mostram apenas roupas e/ou as blogueiras vestindo uma vestimenta e
postando o preço dela.
Alguns deles contam com inúmeros
patrocinadores e com até cem mil visualizações diárias. A blogueira Lalá Noleto
(Blog de Lalá Noleto),
em entrevista ao “guia da semana”, afirmou que: “Não é o dinheiro ou a
condição social que faz uma it girl, mas a personalidade”, porém, tal afirmação
que confirma o teor não elitista de tais blogs foi contestada por outra
importante blogueira da área, Lala Rudge (Blog de Lala Rudge). Que em
entrevista à revista “Veja” a It Girl afirmou: “adoro Hermés, Prada, Valentino
e Yves Saint Laurent (...) recebo muitos presentes das lojas (que ela veste,
tira fotos e recomenda em seu blog, recebendo cachês altíssimos), mas se vejo
que é podrinho nem abro”.
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| A Blogueira de Moda e It Girl Lala Rudge |
A ex-blogueira e atual estudante de moda da FAAP, Fabiana Gaz
(21 anos) ao ser questionada sobre o que achava do conceito atual de It Girl
respondeu: “Para mim são garotas que criam tendências, atraem a atenção
para si pelo seu carisma e despertam o interesse de todos pelo seu modo de
vestir, ser e pensar. Não é apenas ter bolsas e sapatos caros, elas têm quer
ser também meninas gentis, que saibam tratar as pessoas com educação porque
afinal as pessoas se inspiram nelas. Acho que uma frase ficou na minha cabeça
esse dias quando vi em uma foto e acho que define tudo " A smile is the
best makeup that any girl can wear - O sorriso é a melhor maquiagem para que
qualquer mulher pode usar".
A estudante também afirma que, assim como as demais blogueiras
de moda, ela procurava em seu blog se comunicar da maneira mais acessível
possível com as internautas, com uma linguagem intimista e coloquial, se
referindo a elas como: “amores” e “amigas” diversas vezes. A maioria das donas
de blog não tem formação na área de jornalismo nem exercem a profissão e grande
parte delas não possuem um diploma nem na área de moda, elas se utilizam de uma
paixão, um hobby para estabelecer uma carreira.
Fabiana Gaz não considera todos os blogs fúteis, pois afirma
que grande parte deles consegue mostrar looks utilizando roupas de lojas de
departamento como C&A e Renner e não só grandes marcas caras.
Considerada uma das mais importantes It Girls e blogueira de
moda do Brasil, Alice Ferraz (Blog de Alice Ferraz)
criou,
além de seu blog pessoal, uma página na internet que procura unir as principais
personalidades deste meio em um só lugar a F* Hits (Blog F* Hits). Na
página de apresentação do blog está escrita a seguinte frase: “o F* Hits shop é
exclusivo para convidados. Para ter acesso, você deve ser indicado por alguém
já cadastrado ou preencher a ficha clicando no botão ao lado (...)” e lá se
encontra um botão escrito “inscreva-se”.
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| A Blogueira de Moda Alice Ferraz |
Dessa maneira, restam as perguntas: até
que ponto os blogs de moda são acessíveis a todos? Pois se nem o site que
afirma unir todos os blogs da área pode ser visitado livremente sem antes
aprovar seu acesso, como se pode dizer que não é elitista?



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