segunda-feira, 28 de maio de 2012

Jornalismo Literário e Literatura de Ficção: gêneros distintos para conhecimento

por: Júlia Paolieri

       São muitos os gêneros literários, nisso não se pode discordar, mas dois deles em especial parecem por vezes confundir algumas cabeças. Qual seria a diferença entre uma literatura fictícia e o jornalismo literário?
        O jornalismo americano cresceu com sua base na objetividade para explicação dos fatos. A escrita era puramente descritiva, e por vezes considerada um mito por sua (enorme) quantidade de detalhes e não presença da opinião dos que escreviam o artigo. Para livrar-se desse rótulo, o jornalismo anglo-saxão resolveu incorporar medidas jornalísticas francesas que se comportava de modo extremamente oposto: era subjetivo, e muitas vezes não se podia contar com ele para conhecer a integridade de um caso, prezavam pela literariedade através de artigos de opinião,... E é nesse contexto americano que o New Journalism, ou jornalismo literário, criado pelo escritor e jornalista norte -americano Truman Capote ganha forças.
Livro de Zuenir Ventura
          Esse gênero que apareceu pela primeira vez em 1956 em uma reportagem-perfil de Marlon Brando, escrito por Capote, pretende dar “enfoque mais imaginativo e lírico à reportagem, permitindo ao jornalista inserir-se na narrativa sem alterar a realidade da notícia sobre a qual trabalhava”. Ainda se trata de uma notícia, no entanto, o modo de relatá-la não se prende à objetividade dos fatos, mas às impressões do jornalista enquanto vivenciou determinada realidade.
        São muitas (e muito bons) as obras desse gênero, no Brasil, Caco Barcellos e seu “Rota 66 – a polícia que mata” é uma grande representante. Caco consegue descrever a postura errônea da Polícia, mas de forma lírica. “1968 – o ano que não terminou”, do brasileiro Zuenir Ventura também é outro grande título que conta as experiências jovens durante a Ditadura Militar no Brasil.    
    Enquanto o jornalismo literário se sustenta nessas bases, a literatura fictícia, não deve ser confundida, pois normalmente suas histórias, mesmo quando baseadas em fatos reais, são imaginadas, e, portanto não necessariamente o escritor a vivenciou. Uma ficção, também proporciona incrível conhecimento para aqueles que o leem, uma vez que por trás do mistério, e da trama, sempre se conhece mais a respeito das condições do lugar, da história do espaço, e dependendo da ficção, novas teorias, mitologias,... Uma fonte de cultura.
      “Dois irmãos” do escritor Miltom Hatoum, por exemplo, que conta a história de ódio entre dois gêmeos, e como a família lida com essa situação, é uma literatura de ficção. A realidade da narrativa surgiu da mente de Hatoum, e, portanto, provavelmente, o autor não a vivenciou e a obra não é um relato de suas impressões, mas nos permite conhecer a história dos imigrantes e do avanço do comércio em Manaus.
         É claro que são muitas as obras fictícias que lemos. Na escola, para o vestibular, na faculdade, por interesse próprio, no entanto seria interessante a leitura de uma literatura seguindo as bases do New Journalism. Não para estabelecer as diferenças, mas para encantar-se com mais esse gênero literário e as situações reais pelas quais passam e que encantam também quem as escreve.

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