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| foto: reprodução |
por Nina Franco
Assim “como
nossos pais”, muitos de nós – jovens de uma geração que não viu os tempos de glória da MPB
florescer – consideramos Elis Regina uma das melhores interpretes da música
brasileira. Dona de um sorriso marcante
e uma voz penetrante, Elis entrou para a história assim como tantos ídolos de
um tempo que não é o nosso.
Moleca,
aventureira, talentosa, engajada nos movimentos políticos, Elis revolucionou os
palcos. Quem viu jamais esqueceu, e quem não viu bebe da fonte de outras memórias.
Em 2012
completam 30 anos que a música nacional perdeu sua “Pimentinha” e para
homenagear, o produtor João Marcelo
Bôscoli – filho da cantora, patrocinado pela a empresa de cosméticos Nivea,
idealizou o evento “Viva Elis”. A iniciativa envolve suporte a exposição multimídia
por diversos estados do país, além da apresentação de um documentário inédito
sobre a vida e obra da artista e shows da cantora Maria Rita – também filha da diva - interpretando seus maiores
sucessos. Em São Paulo o evento está instalado nas dependências do Centro
Cultural SP e vai até o dia 25/05.
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| Foto: exposição por Nina Franco |
A
visita é capaz de causar uma singular sensação de nostalgia. Não vivemos enquanto
Elis vivia, mas estranhamente Elis parece viver enquanto vivemos.
A MPB como um todo sofreu grandes transformações nas últimas décadas – nem todas boas, nem tantas más – mas os vestígios deixados por aqueles que fizeram a cultura brasileira se espalhar pelo mundo inteiro permite prevalecer em nós a eterna sensação de encantamento, no qual a música como patrimônio dessa construção exerce uma “infinitude” indiscutível e torna artistas de grandeza imortais .
A MPB como um todo sofreu grandes transformações nas últimas décadas – nem todas boas, nem tantas más – mas os vestígios deixados por aqueles que fizeram a cultura brasileira se espalhar pelo mundo inteiro permite prevalecer em nós a eterna sensação de encantamento, no qual a música como patrimônio dessa construção exerce uma “infinitude” indiscutível e torna artistas de grandeza imortais .
Estamos
vivendo uma crise cultural, mesmo que involuntária, parecemos cada dia mais
carentes de artistas capazes de revolucionar os cenários culturais, capazes de
deixar marcas tão profundas quanto as já deixadas. Cultura virou mercadoria e a
produção um “Deus nos acuda”
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| Foto: exposição por Nina Franco |
Muitos
jovens – de agora e também de antes – transitavam pelos corredores do
Centro Cultural. Para a aposentada Beth –
uma das “jovens de antes” – “ Não existem
mais tantos valores nas músicas como existia antigamente. Os cantores de hoje
são apenas momento, Elis é para sempre!”.
Beth parece estar certa. Nas rádios, nos canais de TV, na internet, nas lojas de CD’s Elis ainda respira.
Thaís nasceu 11 anos depois que a cantora nos deixou. A estudante conta que seus país nunca foram fãs da estrela, percebeu o brilho de Elis sozinha, “O que me atrai na Elis é a sua autenticidade, seu jeito de ser. Suas músicas faziam mais sentido, eram mais críticas. Hoje se faz música por fazer. Ela conseguia passar diferentes emoções com sua voz maravilhosa.” – declarou a jovem.
Para mim a sensação de nostalgia não foi diferente, meus anos não somando o suficiente para ter lembranças daquela época. Mas como outros da minha geração, sou tão acostumada com a voz de Elis, Chico, Caetano, João Gilberto, Renato e Cazuza a cantarolar em meus ouvidos.
Afinal, verdadeira arte não morre, ela é ancestral e contemporânea, seu valor é inesgotável. Pois, por mais que as coisas mudem, o tempo evolua, os anos de alastrem, os muros desabem, as pontes entre uma geração e outra se abalem, as nossa sede, a nossa fome ainda é a mesma. Queremos arte, o ritmo, a paixão, a vibração que se arrasta por todos os tempos, pois afinal, como tentou Belchior nos avisar e Elis em pleno acordo com sua voz imortalizou “ ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”.
Beth parece estar certa. Nas rádios, nos canais de TV, na internet, nas lojas de CD’s Elis ainda respira.
Thaís nasceu 11 anos depois que a cantora nos deixou. A estudante conta que seus país nunca foram fãs da estrela, percebeu o brilho de Elis sozinha, “O que me atrai na Elis é a sua autenticidade, seu jeito de ser. Suas músicas faziam mais sentido, eram mais críticas. Hoje se faz música por fazer. Ela conseguia passar diferentes emoções com sua voz maravilhosa.” – declarou a jovem.
Para mim a sensação de nostalgia não foi diferente, meus anos não somando o suficiente para ter lembranças daquela época. Mas como outros da minha geração, sou tão acostumada com a voz de Elis, Chico, Caetano, João Gilberto, Renato e Cazuza a cantarolar em meus ouvidos.
Afinal, verdadeira arte não morre, ela é ancestral e contemporânea, seu valor é inesgotável. Pois, por mais que as coisas mudem, o tempo evolua, os anos de alastrem, os muros desabem, as pontes entre uma geração e outra se abalem, as nossa sede, a nossa fome ainda é a mesma. Queremos arte, o ritmo, a paixão, a vibração que se arrasta por todos os tempos, pois afinal, como tentou Belchior nos avisar e Elis em pleno acordo com sua voz imortalizou “ ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”.



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