quinta-feira, 10 de maio de 2012

Para sempre viva Elis

foto: reprodução

por Nina Franco

Assim “como nossos pais”, muitos de nós – jovens de uma geração  que não viu os tempos de glória da MPB florescer – consideramos Elis Regina uma das melhores interpretes da música brasileira.  Dona de um sorriso marcante e uma voz penetrante, Elis entrou para a história assim como tantos ídolos de um tempo que não é o nosso.
       Moleca, aventureira, talentosa, engajada nos movimentos políticos, Elis revolucionou os palcos. Quem viu jamais esqueceu, e quem não viu bebe da fonte de outras memórias.
        Em 2012 completam 30 anos que a música nacional perdeu sua “Pimentinha” e para homenagear,  o produtor João Marcelo Bôscoli – filho da cantora, patrocinado pela a empresa de cosméticos Nivea, idealizou o evento “Viva Elis”. A iniciativa envolve suporte a exposição multimídia por diversos estados do país, além da apresentação de um documentário inédito sobre a vida e obra da artista e shows da cantora Maria Rita – também  filha da diva - interpretando seus maiores sucessos. Em São Paulo o evento está instalado nas dependências do Centro Cultural SP e vai até o dia 25/05.
Foto: exposição por Nina Franco
Desde a escolha do seu nome até a disparada nas paradas de sucesso, caminhando pelos principais shows e ainda disponibilizando em displays todos os álbuns para que os visitantes possam reservar uns minutos para relembrar os grandes sucessos, a mostra proporciona um passeio pelos principais períodos da carreira da estrela da MPB, contando com exibição de mais de 200 fotos, dezenas de entrevistas e diversos objetos pessoais.


A visita é capaz de causar uma singular  sensação de nostalgia. Não vivemos enquanto Elis vivia, mas estranhamente Elis parece viver enquanto vivemos.
 A MPB como um todo sofreu grandes transformações nas últimas décadas – nem  todas boas, nem tantas más – mas  os vestígios deixados por aqueles que fizeram a cultura brasileira se espalhar pelo mundo inteiro permite prevalecer em nós a eterna sensação de encantamento, no qual a música como patrimônio dessa construção exerce uma “infinitude” indiscutível e torna artistas de grandeza imortais .
         Estamos vivendo uma crise cultural, mesmo que involuntária, parecemos cada dia mais carentes de artistas capazes de revolucionar os cenários culturais, capazes de deixar marcas tão profundas quanto as já deixadas. Cultura virou mercadoria e a produção um “Deus nos acuda”
Foto: exposição por Nina Franco
Muitos jovens – de agora e também  de antes – transitavam pelos corredores do Centro Cultural.  Para a aposentada Beth – uma  das “jovens de antes” – “ Não existem mais tantos valores nas músicas como existia antigamente. Os cantores de hoje são apenas momento, Elis é para sempre!”.
Beth  parece estar certa. Nas rádios, nos canais de TV, na internet, nas lojas de CD’s Elis ainda respira.      
Thaís nasceu 11 anos depois que a cantora nos deixou. A estudante conta que seus país nunca foram fãs da estrela, percebeu o brilho de Elis sozinha, “O que me atrai na Elis é a sua autenticidade, seu jeito de ser. Suas músicas faziam mais sentido, eram mais críticas. Hoje se faz música por fazer. Ela conseguia passar diferentes emoções com sua voz maravilhosa.” – declarou a jovem.
Para mim a sensação de nostalgia não foi diferente, meus anos não somando o suficiente para ter lembranças daquela época. Mas como outros da minha geração,  sou tão  acostumada  com a voz de Elis, Chico, Caetano, João Gilberto, Renato e Cazuza  a cantarolar em meus ouvidos.
Afinal, verdadeira arte não morre, ela é ancestral e contemporânea, seu valor é inesgotável. Pois, por mais que as coisas mudem, o tempo evolua, os anos de alastrem, os muros desabem, as pontes entre uma geração e outra se abalem, as nossa sede, a nossa fome ainda é a mesma. Queremos arte, o ritmo, a paixão, a vibração que se arrasta por todos os tempos, pois afinal, como tentou Belchior nos avisar e Elis em pleno acordo com sua voz imortalizou “ ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”.

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