Sim, eu fui
assistir Titanic 3D no dia da estreia e admito que, com certeza como muitos, é
um dos meus filmes favoritos. James Cameron apaixonou-se pelo navio e sua
história e fez com que eu me apaixonasse também, e embora já tenha assistido ao
filme milhões de vezes, me apaixonei também por um detalhe do qual notei,
talvez mais intensamente, somente enquanto o assistia em 3D no cinema. “Make it
Count” (faça valer a pena).
Jack convida
Rose para uma festa da terceira classe, que, a meu ver, foram os que mais se
divertiram. Afinal, um jantar com assuntos definidos
e onde homens e mulheres têm assuntos que não são tratados na presença um do
outro, não é exatamente atraente.
Talvez pela
incerteza do dia de amanhã ou por terem uma vida em terra que estava prestes a
mudar no momento em que chegassem a América, ou assim eles queriam, ao
contrário da 1ª classe para os quais essa viagem era “mais um cruzeiro”, a
terceira classe festejava. Se suas vidas estavam para mudar, que começasse já!
O próprio fato de estarem em um cruzeiro já era uma mudança.
Mas, não só em
alto mar, viver sem preocupações, como não perder a etiqueta, parece e acho que
é além de mais tentador, mais libertador, festivo, alegre. Como se a significação
dessa vida assim vivida chamasse mais a atenção e fosse mais interessante, não
é?
Talvez o
motivo de tanta água seria mostrar que a primeira classe estava vivendo errado.
Quem gosta de
ser separado por classe? Alguém se orgulha por ser assim rotulado? Se ser da
terceira classe é um dos poucos modos de viver e fazer cada dia contar, então
escolho ser como Jack e os “pobretões” a ter etiqueta e estar sufocada como a
Rose.
Somente quando
ela encontra Jack, que não sabe o que esperar pela frente e então vive, pois
sabendo que a qualquer dia tudo pode acabar, é melhor ter algo para contar, é
que percebe que existe uma saída além do suicídio ou do convívio com o
desagradável e sufocante. É possível mudar as regras, só se precisa viver.
Os passageiros
do navio não esperavam por tal tragédia. Talvez nem tenham pensado nisso, mas estariam
eles vivendo e aproveitando? E se sobrevivessem, o que se orgulhariam de ter
feito e vivido até ali?
![]() |
| Jornal de 1912 noticiando a tragédia do navio. |
Se qualquer um
de nós estivesse no Titanic, se de fato tivéssemos embarcado no RMS Titanic
naquele 31 de maio de 1911, em qual classe estaríamos? E em qual gostaríamos de
estar, antes que nosso Titanic afundasse? Teríamos feito “valer a pena”? E será
que vamos continuar a considerar a possibilidade de que nosso o Titanic pode
afundar somente em alto mar?


Nenhum comentário:
Postar um comentário