sexta-feira, 4 de maio de 2012

Por um “Make it Count” em terra plana

por Júlia Paolieri
Cena da festa da terceira classe do filme Titanic.
Sim, eu fui assistir Titanic 3D no dia da estreia e admito que, com certeza como muitos, é um dos meus filmes favoritos. James Cameron apaixonou-se pelo navio e sua história e fez com que eu me apaixonasse também, e embora já tenha assistido ao filme milhões de vezes, me apaixonei também por um detalhe do qual notei, talvez mais intensamente, somente enquanto o assistia em 3D no cinema. “Make it Count” (faça valer a pena).
Jack convida Rose para uma festa da terceira classe, que, a meu ver, foram os que mais se divertiram. Afinal, um jantar com assuntos definidos e onde homens e mulheres têm assuntos que não são tratados na presença um do outro, não é exatamente atraente.
Talvez pela incerteza do dia de amanhã ou por terem uma vida em terra que estava prestes a mudar no momento em que chegassem a América, ou assim eles queriam, ao contrário da 1ª classe para os quais essa viagem era “mais um cruzeiro”, a terceira classe festejava. Se suas vidas estavam para mudar, que começasse já! O próprio fato de estarem em um cruzeiro já era uma mudança.
Mas, não só em alto mar, viver sem preocupações, como não perder a etiqueta, parece e acho que é além de mais tentador, mais libertador, festivo, alegre. Como se a significação dessa vida assim vivida chamasse mais a atenção e fosse mais interessante, não é?
Talvez o motivo de tanta água seria mostrar que a primeira classe estava vivendo errado.
Quem gosta de ser separado por classe? Alguém se orgulha por ser assim rotulado? Se ser da terceira classe é um dos poucos modos de viver e fazer cada dia contar, então escolho ser como Jack e os “pobretões” a ter etiqueta e estar sufocada como a Rose.
Somente quando ela encontra Jack, que não sabe o que esperar pela frente e então vive, pois sabendo que a qualquer dia tudo pode acabar, é melhor ter algo para contar, é que percebe que existe uma saída além do suicídio ou do convívio com o desagradável e sufocante. É possível mudar as regras, só se precisa viver.
Os passageiros do navio não esperavam por tal tragédia. Talvez nem tenham pensado nisso, mas estariam eles vivendo e aproveitando? E se sobrevivessem, o que se orgulhariam de ter feito e vivido até ali?
Jornal de 1912 noticiando a tragédia do navio.

Se qualquer um de nós estivesse no Titanic, se de fato tivéssemos embarcado no RMS Titanic naquele 31 de maio de 1911, em qual classe estaríamos? E em qual gostaríamos de estar, antes que nosso Titanic afundasse? Teríamos feito “valer a pena”? E será que vamos continuar a considerar a possibilidade de que nosso o Titanic pode afundar somente em alto mar?

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