segunda-feira, 14 de maio de 2012

Tênis: força física versus técnica

Por Thaís Folgosi
   
Nadal no Australian Open (2010)
         Com as novidades e melhorias nos aparatos para jogar tênis, como antivibradores de corda, grips (fita para o cabo da raquete) macios que aderem suor, raquetes de diversos pesos, foi possível elevar o nível das partidas, tornando-as mais dinâmicas e competitivas. Porém, muitos alegam que tais mudanças fizeram com que o esporte perdesse sua aura e beleza, por ter ganhado força (velocidade) e perdido técnica. Certos tenistas, como o espanhol Rafael Nadal e a norte-americana Serena Williams, sofrem dessas acusações, de que sua forma de jogar é mais esforço do que talento. 
         O tênis é essencialmente um jogo individual (quando não se consideram as duplas), no qual a vitória depende somente de si, ou seja, não basta que haja força.  Apesar dela contribuir na estabilidade do jogo e na resistência do jogador, cada tenista tem de desenvolver técnicas próprias, o que significa que não existem profissionais sem ela. Nadal, apesar das críticas, provou suas habilidades ao vencer o torneio de Wimbledon em 2008 e 2010 (Grand Slam da Inglaterra), em que o piso (grama) exige mais habilidade do jogador, pois a bola quica com mais rapidez e irregularidade e não permite uma longa troca de bolas (tática usada pelo espanhol).
Federer no Masters de Madri (2012)
         Como a força não vence partidas, muito menos torneios, a técnica se torna essencial, assim como a concentração e a estabilidade. Sem essas características é difícil estar em uma boa colocação no ranking da ATP (sigla em inglês de Associação dos Profisionais do Tênis) ou da WTA (Associação das Mulheres do Tênis). Há muitos casos de jovens promessas que ao entrarem no circuito principal fracassaram ao perder o controle por causa do nervosismo. A exemplo disto, vê-se a carreira do tenista francês Richard Gasquet (dono do melhor backhand executado no circuito - veja o vídeo abaixo - e que um dia foi considerado o substituto do suíço Roger Federer) que venceu os principais torneios enquanto juvenil, mas da sua profissionalização até hoje não venceu nenhum torneio Grand Slam (o mais relevante do esporte). E é indubitável que o atual número dois do ranking, Federer, seja o maior exemplo de variação técnica e comportamento mental, afinal seus 16 títulos de Grand Slam, tornam-o o maior vencedor de tais campeonatos, demonstrando a combinação desses aspectos.
         A força física é um sinal dos novos tempos do tênis, isso não significa que o esporte perdeu qualidade, pois assim como tantos outros que tiveram mudanças, por causa de avanços em seus equipamentos, tampouco perderam. Ela é uma nova qualidade física determinante nos jogadores atuais, e sem a tal, a performance técnico-tática do profissional pode apresentar limitações, ou seja, aquele jogador somente técnico não se sai, necessariamente, melhor na carreira. Portanto, hoje, a combinação perfeita para ser um jogador vitorioso seria técnica mais força física.


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