quarta-feira, 2 de maio de 2012

Meninas adultas

por Thaís Folgosi



        É no mínimo preocupante ver a naturalidade com que meninas, hoje, comportam-se e se vestem como mulheres. A cada dia se torna mais aceitável que crianças deixem de vivenciar sua infância e comecem a se preocupar e a lidar, antecipadamente, com assuntos que ainda não lhe dizem respeito.  
         A modelo francesa, Thylane Lena-Rose Blondeau, causou polêmica nas fotos de Sharif Hamza para edição de Dezembro/Janeiro (de 2010 para 2011), da Vogue Paris. Essa que seria a última revista de Corine Roitfeld, como editora-chefe, teve como colaborador o estilista, Tom Ford, ambos reconhecidamente polêmicos, desta vez exageraram em demasia.
© sharif hamza
         O problema é que a modelo (Thylane) tinha apenas 10 anos quando o ensaio fotográfico aconteceu (um mês antes da publicação), e todas as imagens demonstram sexualidade e sensualidade pelas poses provocantes e sugestivas, além do visual, com um vestuário adulto, decotes profundos, sapatos de salto, a maquiagem carregada e as jóias. É absurdo ver uma modelo criança fotografada e produzida como uma mulher adulta e não de acordo com sua idade, que transmitiria outras mensagens, como a inocência e a delicadeza da infância.
         Apesar de algumas críticas em blogs e sites de Moda, a revista não foi repreendida, e nem se desculpou por sua lamentável edição, assim como a ex-editora e seu colaborador não se retrataram, o que demonstra a indiferença, de uma das revistas mais consagradas e de personalidades do gênero, com essa precocidade na infância.
         A indústria da moda leva parte da culpa por propagar e defender certos padrões de beleza, a exemplo disto, a constante juventude. As modelos, como exemplos de beleza ideal, começam suas carreiras cada vez mais novas e se aposentam precocemente. Os casos de modelos que chegam aos 30 anos de idade, com uma carreira sólida e movimentada, são raras exceções, que dirá depois dessa idade. O mundo da moda parece ser a pior influência, principalmente para meninas e adolescentes.
© SHARIF HAMZA
         Porém, é preciso notificar que não são apenas as fotos nas revistas de Moda que ditam comportamentos prejudiciais. Há muitas marcas e lojas de departamento que investem em mercadorias para o setor infantil, que está crescendo e gera muito lucro. A nova sensação do mercado são as lingeries infantis, que influenciam seu público-alvo a adotar uma vestimenta desnecessária e muitas vezes incomoda. A marca, Jours Après Lunes, ao lançar uma linha de lingerie infantil polemizou com sua campanha. As fotografias, modeladas por crianças, passavam a mesma imagem daquele editorial da revista francesa, provocativa e sensual.
         Não seria absurdo ver pais preocupados com suas filhas que se interessam cedo pela Moda. Tampouco é o caso dos pais imporem limites, sejam aqueles da menina modelo ou os que compram roupas íntimas para suas filhas, pois contra eles se presta uma eficiente máquina de publicidade e propaganda que dita o que essas crianças necessitam, criando ilusões de que a compra desses objetos é necessária para suas vidas.
© SHARIF HAMZA
          Todos esses casos atestam a precoce maturidade das meninas. Não existe mais a inocência, e tampouco se preserva a infância. Essas atitudes incitam, lamentavelmente, à pedofilia, além de gerar outros efeitos nocivos permanentes, como é o caso do adiantamento do ciclo biológico feminino, no qual as meninas menstruam cada vez mais cedo. O pior é que não se vê nenhuma defesa efetiva dos direitos das crianças e quem perde, de fato, é a própria criança, que não vivencia essa época essencial no seu desenvolvimento, que acarreta a perda de seu direito inalienável. 

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