É
no mínimo preocupante ver a naturalidade com que meninas, hoje, comportam-se e
se vestem como mulheres. A cada dia se torna mais
aceitável que crianças deixem de vivenciar sua infância e comecem a se preocupar
e a lidar, antecipadamente, com assuntos que ainda não lhe dizem respeito.
A modelo francesa, Thylane Lena-Rose Blondeau, causou polêmica nas fotos de Sharif Hamza para
edição de Dezembro/Janeiro (de 2010 para 2011), da Vogue Paris. Essa que seria
a última revista de Corine Roitfeld, como editora-chefe, teve como colaborador o
estilista, Tom Ford, ambos reconhecidamente polêmicos, desta vez exageraram em demasia.
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| © sharif hamza |
O problema é que a modelo (Thylane)
tinha apenas 10 anos quando o ensaio fotográfico aconteceu (um mês antes da publicação),
e todas as imagens demonstram sexualidade e
sensualidade pelas poses provocantes e sugestivas, além do visual, com um vestuário
adulto, decotes profundos, sapatos de salto, a maquiagem carregada e as jóias. É
absurdo ver uma modelo criança fotografada e produzida como uma mulher
adulta e não de acordo com sua idade, que transmitiria outras mensagens, como a
inocência e a delicadeza da infância.
Apesar de algumas críticas em blogs e
sites de Moda, a revista não foi repreendida, e nem se desculpou por sua
lamentável edição, assim como a ex-editora e seu colaborador não se retrataram,
o que demonstra a indiferença, de uma das revistas mais consagradas e de
personalidades do gênero, com essa precocidade na infância.
A indústria da moda leva parte da culpa
por propagar e defender certos padrões de beleza, a exemplo disto, a constante
juventude. As modelos, como exemplos de beleza ideal, começam suas carreiras
cada vez mais novas e se aposentam precocemente. Os casos de modelos que chegam
aos 30 anos de idade, com uma carreira sólida e movimentada, são raras exceções,
que dirá depois dessa idade. O
mundo da moda parece ser a pior influência, principalmente para meninas e adolescentes.
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| © SHARIF HAMZA |
Porém, é preciso
notificar que não são apenas as fotos nas revistas de Moda que ditam
comportamentos prejudiciais. Há muitas marcas e lojas de departamento que
investem em mercadorias para o setor infantil, que está crescendo e gera muito lucro.
A nova sensação do mercado são as lingeries infantis, que influenciam seu
público-alvo a adotar uma vestimenta desnecessária e muitas vezes incomoda. A
marca, Jours Après Lunes, ao lançar uma linha de lingerie infantil
polemizou com sua campanha. As fotografias,
modeladas por crianças, passavam a mesma imagem daquele editorial da revista francesa, provocativa e
sensual.
Não seria
absurdo ver pais preocupados com suas filhas que se interessam cedo pela Moda.
Tampouco é o caso dos pais imporem limites, sejam
aqueles da menina modelo ou os que compram roupas íntimas para suas filhas,
pois contra eles se presta uma eficiente máquina de publicidade e propaganda
que dita o que essas crianças necessitam, criando ilusões de que a compra desses
objetos é necessária para suas vidas.
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| © SHARIF HAMZA |
Todos esses casos
atestam a precoce maturidade das meninas. Não existe mais a inocência, e tampouco
se preserva a infância. Essas atitudes incitam, lamentavelmente, à pedofilia,
além de gerar outros efeitos nocivos permanentes, como é o caso do adiantamento
do ciclo biológico feminino, no qual as meninas menstruam cada vez mais cedo. O
pior é que não se vê nenhuma defesa efetiva dos direitos das crianças e quem
perde, de fato, é a própria criança, que não vivencia essa época essencial no
seu desenvolvimento, que acarreta a perda de seu direito inalienável.



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