quinta-feira, 3 de maio de 2012

Alienação da música pop: até que ponto?


 


             Geralmente entendida como uma música gravada para fins comerciais, o pop começou a ser usado e introduzido no mundo musical em meados de 1926, no sentido de um “apelo popular”. Muitas vezes é direcionado ao público juvenil, com letras e melodias relativamente simples, o que é conhecido como “música chiclete”, e com batidas e ritmos destinados à dança. Teve influências tanto da música popular, folclórica, tanto quanto do jazz e o rock’n roll.
            A música pop foi dominada pela cultura americana e britânica ao longo dos anos 1960, influenciando e homogeneizando o mundo inteiro, mesmo com algumas vertentes como o pop oriental, que possui grande peso nos países asiáticos. Em 1967, o termo pop foi utilizado para se opor ao rock: enquanto o primeiro era um termo designado para o popular e acessível, o segundo era uma autenticidade da expansão das possibilidades da música. Algumas músicas dos Beatles e Rolling Stones tiveram suas facetas pop.
            Com seu desenvolvimento, foi incorporando elementos do country, dance music, eletrônica (principalmente) e hip-hop/rap.  Nos anos 80, com o surgimento da MTV, canal americano dedicado exclusivamente à música, foi palco de divulgação de cantores e bandas de outros gêneros e principalmente para espalhar o pop. Madonna e Michael Jackson foram artistas favorecidos por causa disso pela atração visual que transmitiam. Grandes shows em estádios, apresentações ensaiadas, e em alguns casos, com playback, dublagem nas canções – como em apresentações atuais da cantora Britney Spears. O rei do pop tem o seu álbum, Thriller, de 82, como o mais vendido de todos os tempos. 

Michael Jackson em seu videoclipe "Thriller", de 1984
            Os anos 90 e 2000 foram marcados pelo surgimento das boybands e girlbands, sendo grupo de garotos e garotas entre cinco e seis vocalistas dançantes que revezavam no vocal. Spice Girls, Backstreet Boys, ‘N Sync, Christina Aguilera, a própria Britney Spears, citada no parágrafo anterior, cantores da Disney como Miley Cyrus e Demi Lovato, RBD, Rihanna, o “ídolo” teen Justin Bieber, a polêmica Lady Gaga, entre outros. Com um sucesso repentino e atordoado, com tarde de autógrafos, incansáveis shows na semana, fãs fervorosos e obcecados, imprensa dia e noite na cola, muitos artistas (não só da música pop), não aguentam essa fama e se perdem no mundo do álcool e das drogas e da depressão.

Girlband dos anos 90, Spice Girls, em uma das capas da revista Rolling Stone
            Mas a pergunta que nos leva a refletir é: por que a música pop tem que ser tão descartável e comercial? Os cantores são máquinas programadas, fantoches das grandes gravadoras? Apenas um rostinho bonito e jovial para atrair a massa adolescente, sem intelecto aguçado? As grandes gravadoras de hoje em dia só querem saber de acumular dinheiro à custa de todos esses artistas. O cantor Iggy Pop fala sobre isso em entrevista ao site oficial do Record Store Day (crédito: site Billboard Brasil),: “Há muita coisa por aí com pouca música, e eu acho que isso é OK, mas me lembra do quão ruim era ligar no American Bandstand [extinto programa de televisão americano] nos anos 50 e ver todos aqueles infinitos, covardes, eunucos imitadores de Elvis que a indústria decidiu empurrar para as crianças”, completou.

Cantor teen Justin Bieber: fenômeno entre o público jovem
            Muitos deles que ganham dinheiro atualmente não fazem muitos esforços, mal escrevem suas músicas, e não possuem talento suficiente para tal posto, porém não podemos generalizar, pois há imensas vozes potentes que arrepiam qualquer um e mesmo não tendo o devido sucesso, batalham duramente para se manter no mundo musical. Infelizmente de um modo geral, as letras de músicas são tão banais, que se alicerçam com o sistema, alienando as pessoas e não deixando a reflexão que muitas músicas antigas deixavam em nossas mentes, tornando mentes fracas que não questionam quase nada além do ego inflado. Fazer música pop que fuja do comum, que tenha conteúdo não é fácil e tem tanto mérito quanto uma música de outro gênero. A música é se reinventar não importa a época, o gosto, o gênero.

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