terça-feira, 28 de agosto de 2012

Mega Rampa 2012, sob os braços do Cristo

por Vanessa Ramos
 

Improvisar, equilibrar, saber cair e levantar


Melhor palco para esportes radicais não há

Skate Big Air ou Mega Rampa pela primeira vez no Rio de Janeiro
 

A modalidade mais radical do skate esta de volta e desta vez com casa nova: O Sambódromo do Rio de Janeiro.

A Mega Rampa foi criada pelo skatista americano Danny Way e aperfeiçoada pelo brasileiro Bob Burnquist.

Em uma rampa de 27 metros de altura o atleta ganha velocidade (que pode chegar a 80 km/h!), em seguida passa voando por um vão de 20 metros de distância, aterrissando em outra pista, e por fim encara um “quarter pipe” de 8 metros de altura.


A Mega Rampa chegou no Brasil em 2008, e este ano, em sua quarta edição o destaque vai para dois garotos americanos Mitchie Brusco (15 anos) e Jagger Eaton (11 anos)

Não entendo ainda se os garotos são mesmo ousados ou ainda não entenderam os riscos da descida. Fato é, que os pequenos mostraram muita técnica e habilidade com o shape.

Dez mil pessoas por dia prestigiaram o evento e faltou ingresso pra quem queria. Atendendo as expectativas o Secretário do Turismo do RJ, Pedro Guimarães, já adiantou que no ano de 2013 as duas arquibancadas do Sambódromo estarão disponíveis.
Rodrigo Molina / Ricosurf.com
A Mega Rampa tem estrutura para se tornar um mega evento alternativo para arrecadar verba fora da temporada,  é uma manobra econômica que reflete no social.
Como afirma o gaúcho Rafael S. Vita (21 anos): A mega rampa nunca será uma decepção, “não há a possibilidade de você prestigiar um evento destes e sair com um vazio. A galera te enche de adrenalina, e os skatistas profissionais sempre trazem manobras inéditas. A principal atração é trazer algo pra pista que ninguém ainda viu, e o mais bacana é que todos aplaudem, até o cara que está empatado com você na geral (pontuação geral) tá vibrando com sua manobra. É uma vibe incrível, só quem ama o shape entende.”
“Moro no Rio há um tempo mas muitos amigos vieram pra cá de outros estados, inclusive meu irmão mais novo, de 14 anos que garanto: não dará paz à família até ganhar um skate.”

 O evento

“A Mega Rampa está para o skatista assim como o Hawai está para o surfista. O perigo e a adrenalina estão em uma função diretamente proporcional” − Afirma Rafael Vita


Logo na primeira tentativa, o australiano Jake Brown apresentou aos expectadores da MegaRampa algo inédito: um 720º (dois giros completos), segurando no skate.


Infelizmente a ousadia de Jake também o leva a abrir mão de alguns equipamentos de segurança, neste final de semana, o atleta sofreu uma das piores quedas na MegaRampa. Entretanto Jake subiu ao pódio e posou irreverente para as fotos recebendo sua premiação de terceiro colocado.

Mitchie Brusco superou Jake por apenas 2 pontos, ficando em segundo lugar com 66,99 pts.


Bob Burnquist é tetra! 
 
Como já era de se esperar, o primeiro lugar na final do skate ficou com A lenda: Bob Burnquist, que conquistou com 85,33 pontos.

Bob é mais do que uma lenda ele é a própria história do skate no Brasil. O cara mora na Califórnia e é o único no mundo a ter uma Mega Rampa no quintal de casa, literalmente, a pista está montada dentro do seu terreno e esta disponível para treinamento.

Já o pequeno e corajoso Jagger Eaton, conquistou a quarta colocação com 57,33 pontos. O americano Elliot Sloan, surpresa na edição do ano passado, conquistou a quinta colocação (51,99 pts. O skatista brasuca Lincoln Ueda ficou em sexto lugar, com 46,66.
 
Tendo sido a MegaRampa o sucesso que até fizera político prometer mais estrutura no evento seguinte,

Será que com a divulgação e repercussão de eventos como a MegaRampa, esportes como o skate deixarão de ser marginalizados?

Ou quem sabe seja a marginalização que faça desta tribo tão única e unida?
 
Salve galera.

 

 

Brasil, Brasil...


por Rosa Donnangelo

Ouço (diversas vezes) frases como estas: “New York é linda!” “Lá o povo é educado!” “Mas lá isso funciona!” e, vou confessar, fico indignada. Não é só patriotismo, é uma questão de política, de conhecimento, de educação, de dar valor ao que é nosso. É até uma questão de sentimento. Admirar é uma coisa, cultuar é outra bastante diferente. Conheço pessoas que não sabem da existência (e muitas não querem saber, é claro!) da diversidade que possuí um país como o Brasil.

Não estou esquecendo os defeitos na nossa política e muito menos passando por cima da desigualdade social, que, por sinal, é alarmante. Muito pelo contrário: é valorizando o que temos aqui, é enxergando e encarando os problemas que é possível amenizá-los. As culturas americana, francesa, inglesa, italiana possuem belíssimos pontos que jamais devem ser ignorados, mas, uma pergunta: o que você sabe sobre a cultura brasileira? Só pra deixar claro, samba e mulher bonita não respondem à questão. Ah, não vale esquecer: São Paulo e Rio de Janeiro não definem o Brasil, em Brasília não tem só políticos, o Acre existe e Bahia não é só axé. Defeitos? TODA nação tem. Cegueira em relação a esses? Isso é Brasil.

Vivemos do que a terra brasileira nos oferece. Aqui, famílias são construídas, enriquecem ou apenas sobrevivem, pequenos cidadãos nascem todos os dias, pobres ou ricos, e, acredite: TODO MUNDO VAI PARAR NO MESMO LUGAR! Sete palmos abaixo da terra. Goste você ou não.

Foto: Reprodução

Como fazer um namorado reclamão feliz...

Por Nina Franco
Para namorados que odeiam como a música toca e nunca mudam o disco...

Queria falar do Pedro.

 Penso que falar do Pedro será como falar, do Antonio, Lucas, Felipe, Ricardo, Gustavo, Matheus, Paulo de alguém.

O Pedro era perfeito - sempre muito consciente disso - lindo, inteligente, bom de papo, mas sempre foi um típico namorado reclamão, desses que você tem de dar mortais triplos mascando chiclete para agradar. Reclamava de tudo: O filme não era bom, a comida nunca caia bem, o tempo não colaborava, as noticias nunca eram as esperadas, o transito era o maior problema da humanidade, quase todo mundo era pura insanidade.

Até ai beleza, desde sempre soube que o humor dele não era bem assim uma qualidade, mas o negocio começou a ficar complicado quando além de reclamar dos males todos do mundo o Pedro cismou de reclamar de mim. Puxa de mim? Justo de mim quem ficava ouvindo todas as lamurias de o mundo não ser um lugar tão perfeito e arrumadinho como ele?

Se eu ligava todo dia era muita aproximação, se ligava dia sim dia não, não estava dando atenção.

Se comia X-bugger ia engordar, se comia salada ia secar.

Se saia com as amigas, era soltinha demais, se só saia com ele era paradona.

Se soltava o cabelo atrapalhava, se prendia o cabelo já não sensualizava.

Se o sexo era quente, tinha perdido o romantismo, se o sexo era morninho tava faltando erotismo.

Se falava muito, não sabia escutar, se falava pouco, tava sem papo pra puxar.

Se trabalhava demais faltava descontração, se trabalhava menos não botava dedicação.

Não podia gritar,

Não podia beber,

Pintar unhas de vermelho é tão vulgar.

Saia curta o que vão julgar?

Tava ficando extremamente difícil fazer o Pedro feliz, justo ele quem tanto merecia, afinal ele era lindo e perfeito, o genro dos sonhos de toda mamãezinha. Eu precisava bolar um plano de ação, pois isso devia mudar, eu tinha que dá um jeito de agradar o Pedro, de faze-lo mega, hiper, ultra feliz!! Então eu comecei pelas beiradas:

Tudo dito pelo Pedro eu concordava, o que ele não gostava eu evitava, só atendia o Pedro quando ele me ligava, só saia pra jantar depois de bem alimentada, só saia com as amigas que ele conhecia, o cabelo um dia preso, no outro a balançar, no sexo deixava ele comandar, o nosso papo era sobre o que ele queria conversar, e no trabalho esperava ele me buscar.

Muita coisa eu calei,
Muitas cervejas rejeitei,
As unhas branquinhas deixei
E calça jeans foi tudo o que mais usei.
E como mágica eu me tornei a mulher perfeita para o Pedro. Me pegava pela cintura, me mostrava para os amigos, não desgrudava de mim... E foi tudo tanto como ele sonhava que foi impossível... Não deixar o Pedro e começar a sair com Luis.

Foi o único jeito de fazer a mim e a um reclamão feliz.

 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Feitos para morrer de rir e chorar


Por Marcela Millan




“... Quer fazer Deus dar uma gargalhada? Conte-lhe os seus planos.”
"Ninguem é capaz de nos fazer sentir coisa alguma. Nossos sentimentos são responsabilidade nossa”



          Chick-Lit. Quando escutamos essa palavra, logo imaginamos que o que temos diante de nós é um livro “mulherzinha”, água-com-açúcar, completamente clichê, o que dirá fútil. Há um preconceito que envolve esse gênero literário, que é condenado por muitos simplesmente por tratar de “coisas da vida”. Apesar disso, existe um nome que parece passar por cima de todas essas barreiras, fazendo sucesso no mundo inteiro: Marian Keyes. Autora dos Bestsellers Melancia, Férias!, Sushi e muitos outros, Marian conquistou um grande público leitor por tratar de assuntos, por vezes delicados, com muito humor e leveza.
          Marian é irlandesa e não teve uma vida fácil. Por muitos anos morou em Londres, onde trabalhou como garçonete e acabou descobrindo-se alcoólatra. Durante essa época chegou até mesmo a tentar suicídio, e foi obrigada a recorrer a tratamentos para se curar. Foi só quando parou de beber que fez sucesso na literatura – hoje é uma autora mundialmente famosa, sempre em destaque no hanking dos mais vendidos. Um de seus mais recentes bestsellers, Tem Alguém Aí?, venceu o Popular Fiction Award no concurso British Book Awards.
          Trazendo perfis de mulheres modernas, independentes, Marian Keyes retrata bem a rotina dessa nova mãe-esposa-trabalhadora. Narra sua rotina tripla, seus problemas amorosos, de peso, no trabalho, no namoro, no casamento, no divorcio e, como se tudo isso não bastasse, envereda por caminhos mais complicados, como a violência doméstica, depressão pós parto, toxicomania, luto. Tudo com um modo tão intimo de falar que a narradora parece ser sua melhor amiga, que está no sofá de sua sala, tão próxima que é impossível não se identificar. Mas talvez o verdadeiro diferencial da autora seja sua enorme facilidade para fazer com que esses perfis se tornem completamente realistas. A mulher, mesmo que independente, tem suas inseguranças, é frágil e sujeita a erros; o homem não é um príncipe e, por vezes, enterra-se no trabalho, mas, claro, tem suas qualidades. E até o amor passa bem longe daquele idealizado: “Dizem que o caminho do verdadeiro amor jamais corre desempedido. Bem, o caminho do meu amor por Luke não corria, capengava, como se usasse botas novas que esfolam os calcanhares. Cheios de bolhas e cortes, vermelhos e em carne viva, cada palmo avançado uma tortura, pulando num pé só, num zig-zague de barata tonta."

Foto: Marcela Millan

          É para construir esse perfil que Marian abusa dos detalhes, comentando sobre normalidades que, muitas vezes, nós costumamos deixar de lado – como o caso de uma de suas personagens, que quer, simplesmente, comprar um batom. Marian consegue fazer desse fato tão mundando algo engraçado, narrando como a personagem fica em dúvida entre vários tons e, ao chegar em casa, descobre que acabou optando justamente por aquele que já tinha (que mulher nunca passou por isso antes?).
          Os livros de Marian Keyes são sempre uma experiência única. Engraçados, perspicazes e sensíveis, eles conseguem nos levar as lágrimas e, ao mesmo tempo, provocar gargalhadas estrondosas – que temos que tomar cuidado para não soltar na salinha de espera de algum consultório. Sempre em um tom positivista, Marian é a pedida para qualquer um que quer se divertir – não é sem motivo que o Sunday Express coloca: “Deveria vir com uma tarja de advertência: causa grave dependência… é desses livros que você pega e não consegue largar”.



Livros publicados no Brasil

▪Melancia (Watermelon) (2003)

▪Férias! (Rachel's Holiday) (2004)

▪Sushi (Sushi for Beginners) (2004)

▪Casório?! (Lucy Sullivan is Getting Married) (2005)

▪É Agora... ou Nunca (Last Chance Saloon) (2006)

▪Los Angeles (Angels) (2007)

▪Um Best Seller pra Chamar de Meu (The Other Side of the Story) (2008)

▪ Tem Alguém Aí? (Anybody Out There?) (2009)

▪ Cheio de Charme (This Charming Man) (2010)

▪ A Estrela Mais Brilhante do Céu (The Brightest Star in the Sky) (2011)

domingo, 26 de agosto de 2012

Malhando se chega ao topo!

Por Julia Teixeira



No ano de 1995, mais especificamente no dia 24 de abril, o canal televisivo Rede Globo apresentava um seriado teen que mudaria os rumos de sua programação. O nome do “fenômeno” já se encaixava no cenário contemporâneo, que se prolonga até a atualidade: Malhação. O enredo da primeira temporada não era complicado, englobando um casal que por determinado motivo não podia ficar junto e que ainda tinha que lidar com alguém ou um grupo que também os atrapalhava em seu romance. Tudo isso se passava primeiro em uma academia, que se transformou em um colégio, freqüentado por todos os personagens jovens. Essa história se seguiu durante as outras vinte temporadas (divididas em oito gerações), fazendo com que Malhação tenha espectadores até os dias de hoje. Mas qual é o segredo de tanto sucesso? Eis a pergunta que insiste por uma resposta!



Elenco da atual temporada do seriado


Um fato muito interessante inserido neste contexto é o de que, nas temporadas de 2009/2010, 2010/2011 e 2011/2012, a novela passou por certas modificações, como por exemplo, em seu cenário, que passou do renomado colégio Múltipla Escolha para a nova escola Primeira Opção, dando lugar depois a faculdade Soares da Rocha. Na atual, 2012/2013, os personagens voltaram a estudar em um colégio, agora chamado de Quadrante. Além disso, muitos atores que já fazem parte da história da emissora “regressaram” para o seriado, como Daniele Winits, Leonardo Miggiorin e André Marques, que, inclusive, já havia participado da novela de 1995 a 1999 no papel de Alexandre Ferreira (mais conhecido como Mocotó) e retornou em 2012 com o mesmo personagem. Muitas destas mudanças foram adotadas por conta da gradual redução na audiência do programa ao longo dos anos, como uma forma de conquistar novos espectadores e trazer de volta os que se afastaram.

André Marques como Mocotó em 1995 e atualmente

Danielle Winits, no ar como a professora Marcela

Outras características também são fundamentais para tentar se desvendar o motivo pelo qual o seriado faz tanto sucesso. Logo de início, já temos uma bastante explícita: o título. A palavra “malhação” remete, primeiramente, ao ambiente da academia, cenário da primeira temporada, além dos cuidados com o corpo, que procede da chamada “geração do corpo” dos anos 80. Se formos mais fundo, é possível inseri-la no contexto do mundo jovem, já que os adolescentes sempre mostram ter muita disposição e agilidade na hora de fazer as coisas, se encontram sempre em um ritmo acelerado, energético. Aliás, este é o público-alvo da novela, o adolescente. Os temas tratados também sugerem isso, já que são, em sua maioria, assuntos em alta no universo jovem atual, coisas com as quais eles se deparam em seu processo de crescimento.


Nathalia Dill em Malhação, no ano de 2007...
E no ano de 2012, em Avenida Brasil






Um dos pontos essenciais, e que pode ser o ponto-chave para se entender o segredo da tamanha adesão de espectadores à chamada “novelinha teen”, é que muitos dos nomes que fazem parte do casting da Rede Globo iniciaram sua carreira nos estúdios de Malhação, chamando a novela, inclusive, de “escola”. Grande parte dos atores que estão no ar no horário nobre teve seu primeiro papel na televisão em Malhação e não se esquecem nunca dela, pelo contrário, sempre a associam a lembranças de carinho e saudade. Durante esses dezessete anos que vem sendo exibida, a novela vem se mostrando uma espécie de laboratório de artistas, onde eles aprimoram sua formação e começam a ser conhecidos pelo público, podendo ser adorados ou bastante criticados. É como se fosse literalmente a escola da fase adolescente da vida artística de cada ator, que está se preparando para os próximos passos de sua carreira. Uma espécie de passaporte para chegar ao topo.

Cauã Reymond: Como o Mau-Mau de Malhação e o Jorginho de Avenida Brasil

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Matern(idade)


Por Marcela Millan
          Aos 37 anos, Selena Innecco, médica, abortou seu primeiro filho. Dois anos mais tarde, voltou a engravidar, mas, dessa vez, foi a saúde gravemente comprometida do bebê que o levou a falecer, com pouco mais de um ano. Abalada com as duas perdas, Selena não podia esperar que, aos 43 anos, seu sonho viesse a se concretizar. Com 39 semanas de gestação, José nasceu, saudável, fruto do acaso.
          A gravidez tardia está, a cada dia, tornando-se mais comum. Dados da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) mostram que a porcentagem de mulheres acima de 40 anos que buscam tratamentos para engravidar dobrou de 1990 a 2002, passando de 7% para 14%. Nos Estados Unidos, as mães com mais de 40 anos já chegam a 25% do total, algo que não assusta Selena. “Hoje em dia, muitas mulheres fazem a escolha de engravidar mais tarde, quando já se estabeleceram profissionalmente e já têm uma vida mais estável.
          É claro que há alguns motivos particulares que às vezes são os responsáveis por esse aumento de crianças nascidas de mães "quarentonas", mas acho que o principal mesmo é que as mulheres atualmente não vivem somente para a família e a casa. A vida profissional ocupa um espaço importante na vida da mulher e a vinda da criança acaba sendo adiada para um momento mais oportuno”.
          É inegável que a inserção da mulher ao mercado de trabalho contribuiu para o adiamento da gravidez. Entretanto, Elza Montoro, psicóloga, aponta outro motivo que, para ela, é tido como o mais influente. “Podemos dizer que a auto estima da mulher moderna é muito maior do que a de antigamente. A mulher tornou-se dona de sua vida e, com isso, deu-se o direito de opinar, de decidir. Antigamente, uma mulher era submissa a seu marido. Hoje, isso não é mais verdade.” A psicóloga apontou, também, que o avanço da medicina trouxe mais segurança para as mulheres, que perceberam que podiam se apoiar nele e arriscar ter um filho. “Muitas “mães tardias” que eu tive contato me contaram que não pensavam em engravidar antes. Foi só mais tarde que perceberam que se arrependiam dessa escolha, e que o tempo para mudar isso estava acabando. A maioria delas contava-me que, se não houvesse o suporte da medicina, aceitariam que já não era mais o momento para se ter um filho”.
          Blandina Franco, 47, escritora, é um exemplo de mulher que não teria engravidado sem a medicina. “O José nasceu depois de algumas tentativas de FIV (Fertilização in vitro)”, contou. Seu terceiro filho nasceu quando ela já tinha 44 anos. “Ao contrário do que falam, minha gravidez foi super tranquila. A única complicação foi que, no terceiro trimestre, eu tive diabetes gestacional, que é uma coisa chata, mas não um problema grave quando se é acompanhado pelo médico.”
          Os riscos que a mãe e o bebê correm em casos de gravidez tardia são incontestáveis. As chances de ocorrer um aborto chegam a 25%, e o filho pode nascer com alterações cromossômicas, que levaria, por exemplo, à síndrome de Down. Além disso, há a dificuldade de engravidar naturalmente, uma vez que, a partir dos 35 anos, a mulher sofre de uma diminuição acentuada dos óvulos. Apesar disso, estudos recentes, feitos pela Universidade do Sul da Califórnia, mostram que mulheres que engravidam depois dos 40 anos apresentam menos risco de desenvolver câncer de endométrio. “É uma nova realidade”, comenta Elza Montoro.
          Se alguns parecem receosos, Selena e Blandina mostram-se o contrario. “Os preconceitos estão caindo e já é possível a mulher acreditar que possa vivenciar uma gravidez saudável mesmo após os 40”, conclui Selena.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

♫ Você Nunca vai Saber O que é o Blues

Por Vanessa Ramos




“Se você nunca amou alguém que um dia foi embora

Se você nunca teve um dia de cão

Se nunca bebeu pra fugir da solidão

Você nunca vai saber o que é o blues

Se a tua vida sempre foi assim como uma linha reta

Se você sempre fez amor com a pessoa certa
Se você só tomou um gole de gim
E nunca bebeu a garrafa até o fim
Você nunca vai saber o que é o blues
Você nunca vai entender o que é o blues ”
Trecho da música Você nunca vai saber o que é o blues de Renato Fernandes


  
O blues influenciou muitas bandas, e foi fundamental para a criação do rock, nos anos 60. O estilo musical conquistou a todos com suas notas baixas (graves) e sua estrutura musical repetitiva.

Elvis Presley, por exemplo, era totalmente enraizado no blues. Sem falar nos Beatles, Rolling Stones e Led Zeppelin.

Nos anos 80, a Disco ofuscou o blues, por ser considerada mais comercial. O guitarrista Stevie Ray Vaughan revigorou o blues nos anos 90, mas infelizmente o blues perdeu espaço entre as massas...

Não podemos esquecer que este som marginalizado nasceu e criou forças nos guetos. E hoje, o blues é tido como um estilo restrito e elitizado,

mas aqui está a prova de que o blues não está morto, e é sim, feito para todos:




Foto: Vanessa Ramos


O ILHA BLUES acontece anualmente em Ilha Comprida*, litoral sul do estado de São Paulo e é considerado um dos melhores festivais de blues da América Latina, e este título não veio à toa. O festival está em sua 7ª edição e conta com muitas atrações internacionais, e também mostra muita gente boa trabalhando com o estilo aqui no Brasil.


Cerca de cinco mil pessoas de diversos estados e várias cidades da região acompanharam os três dias de festival, de sexta (20) a domingo (22), foram ao todo 12 shows. O evento, gratuito, foi realizado pela Prefeitura de Ilha Comprida, com co-realização da Nave Produções e apoio do Iate Park Hotel.

Programação:
Sexta-Feira – 20 de julho
21h – Arquivo Blues Band & Adriano Grineberg
A banda levantou a galera ao tocar Tim Maia e “Don’t you know” do Ray Charles.
Adriano, já trabalhou no mean stream ao lado de nomes como o Ira!
(Bem, o som e a imagem do video não são perfeitos, mas este é o vídeo que mais aproxima você do clima do público, no festival )


  


 22h15 – Taryn Szpilman
Talentosíssima, encantou o público e declarou-se encantada por este. A cantora recebeu elogios de Jô Soares quando foi em seu programa de entrevistas






23h30 –Rip Lee Pryor & Blues Etílicos
 Sábado – 21 de julho
21h – Donny Nichilo e Big Band
22h15 – Blues Etílicos





E o simpático Mud Morganfield, filho de Mud Waters às 23h30




Domingo – 22 de julho
21h – André Christovam Trio & Faiska
22h30 – Deitra Farr, Décio Caetano & Igor Prado Band
















"...o blues é um estado de espírito e a música que dá voz a ele.O blues é o lamento dos oprimidos,o grito de independência,a paixão dos lascivos,a raiva dos frustrados e a gargalhada do fatalista.É a agonia da indecisão,o desespero dos desempregados,a angústia dos destituídos e o humor seco do cínico.O blues é a emoção pessoal do indivíduo que encontra na música um veículo para se expressar.Mas é também uma música social:o blues pode ser diversão,pode ser música para dançar e para beber,a música de uma classe dentro de um grupo segregado.O blues pode ser a criação de artistas dentro de uma pequena comunidade étnica,seja no mais profundo Sul rural,seja nos guetos congestionados das cidades industriais.O blues é a canção casual do guitarrista na varanda do quintal,a música do pianista no bar,o sucesso do rhythm and blues tocado na jukebox.É o duelo obsceno de violeiros na feira ambulante,o show no palco de um inferninho nos arredores da cidade,o espetáculo de uma trupe itinerante, o último número de uma estrela dos discos.O blues é todas estas coisas e todas estas pessoas,a criação de artistas famosos com muitas gravações e a inspiração de um homem conhecido apenas por sua comunidade,talvez conhecido apenas por si mesmo".
Paul Oliver, autor de diversos livros sobre a trajetória do blues


*A cidade de Ilha Comprida fica no Vale do Ribeira, a aproximadamente 300 km da capital, para se chegar a cidade a melhor via é a Régis Bittencourt , para quem vai de ônibus uma boa opção é a Viação Intersul onde as linhas partem de Taboão da Serra e Registro .

terça-feira, 14 de agosto de 2012

As circunstâncias da vida nos definem


Por Thaís Folgosi

Katie Jarvis é Mia em "Fish Tank". Foto: Holly Horner/PR
          "O meio em que vivemos pode nos dizer mais sobre nós do que imaginamos". Não há frase que defina melhor o ótimo filme britânico de 2009, "Fish Tank", da diretora, Andrea Arnold. E a película não poderia ser mais realista, mesmo se tratando de uma história fictícia.

         A situação em que Mia Williams (Katie Jarvis), personagem principal, insere-se ocorre em todos os cantos pelo mundo. Em seu caso, em um complexo habitacional na Inglaterra. Mia (Jarvis) é uma adolescente marrenta de 15 anos. Sua rotina é arraigada de desentendimentos e bate-bocas, envolvendo-se em brigas e embebedando-se. A típica personagem renegada e rebelde. Mas, ela tem os seus motivos, que são as circunstâncias de sua vida.

         Com a chegada do novo namorado de sua mãe Jeanne (Kierston Wareing), chamado Connor (Michael Fassbender), a atmosfera parece se modificar. Já que ele é um sujeito generoso e atraente, o oposto do que ela e suas filhas estão acostumadas a se relacionar.

         Mia não recebe nenhum tipo de amor ou carinho da mãe, e, portanto, com a chegada de Connor, ela figura nele um pai que nunca teve. Pois não há pai nessa história, então o novo namorado se torna essencial e um desvio de águas na vida das três mulheres (Tyler, irmã de Mia, é a terceira integrante, interpretada por Rebecca Griffiths).       

         A partir daí diversos acontecimentos se sucederão. As atitudes que Mia toma são justificáveis, pois é possível entender o porquê delas.

         Antes de Connor aparecer em sua vida, a única coisa que a distraia de seu mundo (turbulento e nada saudável para uma adolescente) era dançar o hip hop, como uma maneira de extravasar e escapar de sua bruta realidade. Apesar da situação degradante que vive, ela aguenta os maus-tratos através dessa paixão.

Katie Jarvis e Michael Fassbender em "Fish Tank". Foto: Holly Horner/PR

         Embora pareça um filme triste, há diversas partes engraçadas, românticas e genuínas, este conjunto torna o filme humano. Não se trata de um melodrama, mas de um filme quase documental por registrar o amadurecimento de uma garota que poderia ser qualquer uma, na mesma situação ou não. Não se trata de ter dó de Mia, mas sim, entender sua situação. Ela tem de aprender a amadurecer precocemente e de qualquer maneira.

         Nota-se como o título tem a ver com o filme e com a vida da personagem. Como uma metáfora: em um aquário não há escape, no caso de Mia, ela tem os mesmos amigos, vive no pequeno apartamento de sua mãe, apenas sai para ir à cidade e tampouco tem voz para se expressar. Ou seja, assim como um peixe em um aquário, essa é a sua rotina, não há como modificá-la. 

         É a estréia de Katie Jarvis, atriz inexperiente que desempenha o papel principal com maestria. Sua atuação é sincera. E a personagem que interpreta tão peculiar, faz com que o espectador se apegue a ela. Por fim, que lástima ter sido o primeiro e, até o momento, o único trabalho da atriz estreante.       

         O germânico-irlandês, Michael Fassbender, hoje, um dos atores mais requisitados, também mostra seu talento ao provar não possuir apenas beleza. Interpreta magistralmente esse homem vulnerável, charmoso e intrigante que cria vínculo com as três mulheres da história, Jeanne e suas filhas, Tyler e Mia.

         Ademais, "Fish Tank" teve uma recepção favorável no Festival de Cannes. Não é a toa que recebeu o Prêmio do Júri, na edição de 2009. 


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Brilhantismo masculino na Ginástica Artística

por: Júlia Paolieri

Londres 2012. Depois de quatro anos as Olimpíadas voltaram para alegria dos telespectadores e apaixonados por esporte, e, talvez, nervoso e ansiedade dos atletas que durante todo esse espaço de tempo treinaram para dar o melhor de si nas competições, mesmo que isso não seja recompensado com medalha.
Zanetti durante a competição em que conquistou o ouro.
(Foto: Reprodução)
            Dentre os muitos brasileiros e as muitas modalidades nas quais o Brasil competiu, talvez a maior conquista até agora tenha sido na Ginástica Artística, onde os ginastas Arthur Zanetti e Sérgio Sasaki surpreenderam e fizeram história. Zanetti que desbancou o Chinês e campeão olímpico e mundial, Yibing Chen nas argolas e pela pontuação de 15.900 (100 pontos a mais) levou a medalha de ouro e teve a tão sonhada oportunidade de ouvir o hino nacional do ponto mais alto do pódio.
            Sérgio Sasaki não teve essa oportunidade, mas não foi por falta de talento. Cravando todas as aterrissagens depois de belas apresentações nos aparelhos como solo, salto, cavalo, barra fixa, paralelas e argolas pela competição individual geral, o brasileiro conseguiu colocar seu nome no 10º lugar dos melhores ginastas masculinos. Sasaki foi o primeiro ginasta brasileiro que conseguiu levar o país a uma final geral.

            Os ginastas brasileiros conseguiram mostrar que não estão de moleza, e que nas próximas Olimpíadas ainda ouviremos muito deles. Mas de modo geral é a Ginástica Artística masculina tem mostrado sua competência e precisão.
            Embora seja um debate velho e passado, e muitos ainda insistam em afirmar que essa modalidade deveria ter competidoras somente do sexo feminino, os homens provaram que podem, sim executar movimentos de extrema delicadeza com precisão muitas vezes em nível superior ao das atletas femininas, mesmo sabendo que alguns aparelhos são diferentes.
             O japonês Kohei Uchimura, vice-campeão olímpico, que levou o primeiro lugar na mesma modalidade de Sasaki é um exemplo de precisão e suavidade em cada um de seus movimentos. Seja no cavalo, no solo, nas barras paralelas, o japonês três vezes campeão do mundo pareceu surpreso com suas altas notas e níveis de dificuldade.
             A Ginástica Artística tem marcado presença nos Jogos Olímpicos desde 1928, e normalmente, os ingressos para assistir a essa apresentação de perfeição esgotam rápido – embora em Londres, alguns esportes tenham encontrado dificuldades para lotar os estádios.
Os ginastas que praticam por anos a fim de melhorar suas habilidades e de estarem perfeitos e impecáveis nas acrobacias, onde qualquer erro pode significar uma enorme baixa na nota, no entanto, só recebem relativa visibilidade quando disputam competições como as Olimpíadas, quando são cobrados ao máximo por todos os brasileiros para que conquistem uma medalha, e de preferência a de ouro.
O ginasta Arthur Zanetti declarou em entrevistas que pretende conseguir patrocínio, e ainda que a ginástica no Brasil está sendo incentivada, mas que considera também que o governo e as empresas dos atletas precisam investir ainda mais.
Se isso vai ou não acontecer, o certo é que ficaremos de olho nas competições de Ginástica Artística masculina, com toda a sua competência e respeito que conquistou e merece.
Sasaki um uma de suas saídas perfeitas. (Foto: Reprodução)