segunda-feira, 30 de abril de 2012

Desalienando...


Por Marcela Millan

 
Ah, belo feriado prolongado... uma pena não poder dizer que o clima está colaborando. As moças do tempo alertaram: chuva. Chuva e mais chuva. Ao menos podemos aproveitar que o passeio à praia não deu certo para declarar o Imposto de Renda, que termina seu prazo às 23:59 do dia de hoje. Atenção, brasileiros! Mais de um milhão de pessoas contribuintes ainda não entregaram a Declaração. E enquanto alguns pegam congestionamento nas estradas, outros o encontram no site da Receita Federal. Mas a vida continua.
Falando em estradas... Lembram-se do acidente envolvendo o filho do milionário Eike Batista? Depois de algumas semanas sem ouvir falar dele, temos novidades. Ao contrário do que se achava, o laudo parcial da perícia diz que Thor Batista não trafegava pelo acostamento da estrada que liga Rio de Janeiro e Juiz de Fora quando atingiu o ciclista Wanderson Pereira dos Santos, que disseram estar bêbado, empurrando a bicicleta no meio da pista. O caso ainda está sendo investigado.
Aproveitando o friozinho em casa, com cobertor e pipoca, vamos aos jogos. O Campeonato Paulista vai ter uma decisão inédita. Santos e Guarani vão se enfrentar nas finais, o que pode dar ao Santos o título de tricampeão. Faz 34 anos que o Guarani não ganha um título. Na Fórmula Indy, que ocorreu no Anhembi, o australiano Will Power venceu pela terceira vez, mantendo-se absoluto na pista. Dos brasileiros, o melhor foi Hélio Castroneves, que conseguiu o quarto lugar.
Se a chuva der trégua, um adendo: Hopi Hari esta com promoção, vendendo ingressos à 69 reais. Vale a pena aproveitar o feriado para se despedir do parque, que anunciou seu fechamento para julho desse ano.
Foi aprovado no Congresso, com absurda maioria, o novo Código Florestal, que parece pregar a falta de floresta. Tal projeto anistia os desmatamentos ilegais ocorridos  até junho de 2008, desobrigando a recuperação do dano ambiental e pagamento de multas. Ainda resta esperanças de que Dilma vete a proposta, cumprindo, assim, com sua promessa eleitoral.
E no exterior? - perguntam. O prêmio de fato notório vai para a França e seu processo eleitoral. Parece que a extrema direita foi eleita a favorita, segundo as pesquisas de boca de urna. O que surpreende é que Marine começa a conquistar pessoas de todos os estilos, apesar da inegável associação de seu partido com a xenofobia. Não seria a primeira vez que isso ocorreria na Europa - nove países europeus já têm partidos de extrema direita em seu governo ou parlamento.

Você já parou pra pensar?

por Vanessa Ramos e Rosa Donnangelo

                          Permanência de Neymar,
                                                    volta de Ronaldinho Gaúcho.     

 Nos últimos tempos, temos tido o privilégio de assistir aos melhores atletas do mundo ao vivo e a cores.
Sim, é verdade que esses jogadores permanecem no Brasil ou o tem como destino por uma razão financeira. Afinal de contas, se por aqui o governo reduz taxas para estimular o consumo, pelos países do norte nem mesmo esses manejos políticos são capazes de estimular a economia. Também é verdade que caso o dinheiro fosse a única motivação, o destino destes deveria ser o mundo árabe. Portanto, podemos afirmar que uma das consequências indiretas da crise que abalou a Europa e mexeu com a economia norte-americana, foi o fortalecimento do esporte nacional. Pode parecer contraditório e não quero dizer com isso que algo bom está acontecendo, pois pagamos, literalmente, um preço alto para a permanência, tanto dos atletas nacionais de alto nível, quanto dos estrangeiros.
Obviamente, no futebol é ainda mais aparente a nossa simpatia pelos forasteiros, que se tornaram Ídolos de suas torcidas. Atuando no Brasil hoje, o argentino Montillo, contratado em 2010 por cerca de 6,2 milhões de reais pelo Cruzeiro é o nosso camisa 10 exemplar. Recebeu o prêmio Bola de Prata da Revista Placar  2010, 2011; e Craque do Brasileirão em 2010,  e estes são alguns dentre os diversos prêmios individuais e títulos do atleta. O sempre discreto e tímido jogador do Cruzeiro foi convocado pela primeira vez pelo técnico Alejandro Sabella para integrar a Seleção principal da Argentina em setembro de 2011, graças à sua boa atuação pelo time mineiro.

Foto de Washington Alves
Outro fenômeno que podemos observar desde a crise econômica se refere à nacionalização de atletas.
Na última terça-feira (24) o jogador de basquete do Bauru, Larry Taylor conseguiu finalmente obter sua nacionalidade brasileira. Após a divulgação no Diário Oficial, o jogador já está apto a defender a seleção. Dia 17 de maio, o argentino Rubén Magnano, técnico de basquete da seleção, irá divulgar uma lista para a preparação brasileira para as Olímpiadas de Londres – provavelmente Taylor estará entre os convocados.

 Mas afinal, quais objetivos teriam as seleções nacionais se não o fato de defender seu país e representar sua nação? Pode até ser demasiado romantismo, mas é inaceitável a nacionalização de um atleta que, por exemplo, acaba de chegar a um país e sequer fala o dialeto e nacionaliza-se pelo simples sonho de jogar uma Copa do Mundo, ou participar de uma Olimpíada. É inaceitável e desrespeitoso com a própria nação acolhedora. Mas não é este, aparentemente, o caso de Taylor. O jogador dá entrevistas em português e é torcedor do Corinthians. E ainda está ensaiando para não fazer feio na hora do hino brasileiro.
 A valorização do esporte nacional devido às Olimpíadas de 2016 e a Copa do Mundo de 2014 estão fazendo com que jogadores de outros países venham para o Brasil mostrar seus talentos. Além dos casos já citados acima, ainda há alguns outros exemplos. A foto abaixo é da vitória do Vôlei Futuro na temporada 2010/2011 da Superliga, onde o time conquistou a medalha de bronze. Leandro Visotto aparece na esquerda da foto e ao seu lado, Camejo, jogador cubano, que vem mostrando o seu melhor em quadra.

 Além de Camejo, outra jogadora de vôlei veio para o Brasil e tem se destacado em quadra. É a Destinee Hooker, alemã naturalizada estadunidense. Atualmente, joga pelo Osasco e foi campeã da temporada da Superliga feminina 2011/2012 pelo clube. Apesar do desempenho excepcional de Hooker, o contrato dela com o Osasco ainda não foi renovado. 
       Espera-se que a vinda de bons jogadores e o surgimento de novos talentos seja sempre um diferencial para o Brasil, e que o acolhimento desses atletas possa trazer cada vez mais prestígio e força para o esporte. Afinal, esporte é ou não é paixão nacional?

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Agenda da Semana



Let´s Rock (Exposição)
LocalOCA - Parque do Ibirapuera (São Paulo)
Data: De 04/04 à 27/05 
Horário de Funcionamento: De terça à domingo, das 10h às 22h
PreçosR$20,00 - inteira e R$10,00 - meia (estudantes, assinantes NET, e com apresentação do ingresso do Festival Lollapalooza).


Vivo Open Air (Festival de Cinema)
Local: Jockey Club 
Data: De 15/04 à 06/05
Horários e Programação: http://sp.openairbrasil.com.br


Alberto Giacometti (Exposição)
Local: Pinacoteca do Estado de São Paulo (São Paulo)
Data: De 24/03 à 17/06
Horário de Funcionamento: De terça à domingo, das 10h às 18h
Preços: R$6,00 - inteira, R$3,00 - meia (para estudantes que apresentarem carteirinha), e grátis aos sábados (crianças até 10 anos, idosos maiores de 60 anos e funcionários públicos do Estado não pagam).


Panoramas - A Paisagem Brasileira no Acervo do Instituto Moreira Salles (Exposição)
Local: Museu de Arte Brasileira, MAB-FAAP (São Paulo)
Data: De 01/04 à 17/06 
Horário de Funcionamento: De terça a sexta, das 10h às 20h; sábados e domingos, das 13h às 17h
Preços: Entrada gratuita.


Demi Lovato (Show Extra)
Local: Credicard Hall (Av. das Nações Unidas, 17955 - São Paulo)
Data: 30/04
Ingressos: De R$45,00 (meia) a R$400,00 

The Ting Tings (Show)
Local: Cine Joia (Praça Carlos Gomes, 82 - São Paulo)
Data: 01/05
Ingressos: Ainda não divulgado.

Live Music Rocks 2012 - Noel Gallagher (Show)
Local: Espaço das Américas (Rua Tagipuru, 795 - São Paulo)
Data: 02/05
Ingressos: De R$180,00 a R$340,00 - http://www.livepass.com.br



Let's Rock: Uma Imersão no Mundo do Rock


         

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    Quem é que nunca se emocionou ao ouvir algum clássico do rock? Ou quem nunca dançou na frente do espelho com uma guitarra imaginária? O rock n’ roll é um estilo musical surgido no final dos anos 40 e no começo dos anos 50, com raízes no blues, R&B, jazz e folk, e seus efeitos culturais e sociais atraíram principalmente a camada dos jovens, pois o rock é um símbolo de novidade, de mudanças, é o espírito da energia adolescente.  
Para relembrar todos os anos do rock n roll até os dias atuais, o espaço da Oca no Parque do Ibirapuera está recebendo a exposição Let´s Rock. É a maior exposição sobre o rock já realizada na América Latina. São quatro andares repletos de bandas – desde materiais de acervos como roupas do rei Elvis Presley, singles dos Beatles, até setlist de shows do Red Hot Chilli Peppers realizados no Brasil – instrumentos, vídeos, músicas, e o principal da exposição: as fotos do reconhecido fotógrafo norte-americano, Bob Gruen, tiradas dos mais diversos roqueiros e bandas ao longo de sua carreira.
JOHN LENNON, NYC, 1974 © bob gruen

 A qualidade de seus cliques do cenário musical, e não apenas do rock n' roll, tornaram muitas de suas fotografias as mais célebres da temática. Essas variam, vão desde imagens de backstage, shows e até ambientes particulares (estúdio de gravação, casa etc.) daqueles retratados, o que mostra a intimidade que o fotógrafo compartilhava com os artistas. Gruen chegou a acompanhar diversas bandas em turnê, como os Sex Pistols, The Clash, Blondie, entre outras. As fotos mais emblemáticas de sua carreira e da exposição, são a de momentos intimistas dos artistas, como John Lennon, sereno, usando uma camiseta de Nova Iorque (foto), e Sid Vicious e Johnny Rotten em um avião (foto). Essa também não é a primeira vez que as fotografias de Gruen são exibidas aqui, em 2007, o museu da FAAP já fez uma exposição da carreira do fotógrafo.


 johnny rotten & SID VICIOUS, EUROPE, 1977 © BOB GRUEN

O primeiro andar da exposição é um convite a conhecer a história de todos os anos do rock. Além das belíssimas fotos tiradas por Bob Gruen e fotógrafos nacionais e internacionais de shows ocorridos no Brasil, como da Pitty, Fresno, Metallica em 2008, e Paramore em 2011, há uma pequena cabine de cada ano com colagens das capas de CDs das bandas importantes de cada década. Podemos destacar Elvis Presley, Led Zeppelin, Rolling Stones, Janis Joplin, Sex Pistols,  Dead Kennedys, Joy Division, Blondie, Nirvana, Green Day, Foo Fighters, Strokes, Linkin Park entre outros.
            Logo no segundo andar, há um túnel do tempo, relatando o que de mais importante ocorreu em cada década no cenário nacional e internacional. Para quem é fã de uma das mais importantes revistas musicais, a Rolling Stone, adorará as capas desde o seu início, em 1967, até as mais atuais e polêmicas como de Marilyn Manson, Bart Simpson quando era bebê (com alusão a capa de Nevermind, CD do Nirvana), até modelos e atrizes (nacionais também), como Carolina Dieckmann, e a diva do rock nacional, Rita Lee. Para os músicos e/ou aspirantes de música, a marca Tagima disponibiliza guitarras e violões para qualquer pessoa tocar na hora. Ótimo para poder tirar alguns hits como Stairway To Heaven, I Love Rock n’ Roll, Sweet Child o’ Mine, entre outros.

    O terceiro andar impressiona tanto os fãs como os que estão na exposição acompanhando. É um lugar repleto de conteúdos de acervos das bandas, como roupas, capas de discos, manuscritos de músicas. “Estou achando interessante essa parte que tem objetos das bandas”, disse a estudante de engenharia Maria Eduarda.
Com intuito de abranger também o rock nacional, a exposição traz em todos os andares fotos e músicas de bandas como Paralamas do Sucesso, Capital Inicial, Skank, Tropicália, Raul Seixas, Charlie Brown. Percebe-se que não é só o rock internacional que tem destaque no mundo, mas o brasileiro, embora talvez hoje esteja um pouco abalado pelos sertanejos, também tem sua marca.
O baixista da banda brasileira Hateen, Leon Nascimento acredita que o hardcore, por exemplo, tenha voltado, mas não com a mesma força. “Viram que o negócio (cenário musical no Brasil) ficou tão ruim que procuraram as coisas antigas de novo. O público que vai hoje assistir aos shows do Hateen deu uma diminuída também por conta dessas bandas mais pop”.
“Os empresários e gravadoras não querem mais investir, o mesmo boom não vai acontecer. Na verdade, acho que a música esta uma coisa plana, não acontecem mais grandes coisas. O pessoal não espera mais coisas novas, eles esperam pelo novo cd do NxZero, Strike, das bandas que já existem. Hoje é mais fácil procurar um estilo antigo que você já sabe que vai ser bom do que uma banda nova”, continua Leon.
Ainda sobre a exposição, diferentes opiniões apareceram. Enquanto alguns a consideraram muito boa, outros acharam que houveram áreas em que ela pecou.
“Faltou muito nome importante, como Stevie Ray Vaughan e Duane Allman e teve muitos que não interessavam, mas pra quem não é músico ou não mexe com arte, é interessante”, falou o estudante de música Gustavo sobre a linha do tempo que se encontra no terceiro andar.
Já Dave Casali baterista da banda Cine e Thiago Silva acharam que a exposição “estava atendendo às expectativas segundo o que foi proposto pelo programa”. E em relação às bandas nacionais “está um nível ótimo. Tem fotos do Glória, NxZero, Capital Inicial, Sepultura. Simboliza bem o que é o rock nacional”.
E para descansar depois de todos os três andares repletos de artigos musicais, o quarto andar proporciona um espaço com pufes e fones de ouvido. É só deitar e ver a projeção de uma vídeo montagem enquanto as músicas de artistas como White Stripes, AC/DC tocam nos fones. Há inclusive uma cena de We Will Rock You da banda Queen no Brasil, no estádio Morumbi.
  A exposição Let's Rock fica em cartaz até o dia 27 de maio, com horário de funcionamento de terça a domingo, das 10 às 22 horas, na Oca, localizada no Parque do Ibirapuera. O preço do ingresso é de 20 reais, e sua venda se dá nas bilheterias da Oca ou na Internet, pelo site http://ingressorapido.com.br. Estudantes, assinantes da NET, e todos aqueles que estiveram no festival Lollapalooza, e apresentarem seus respectivos comprovantes, pagam meia entrada. Para mais informações acesso o site oficial da exibição:
http://letsrockexpo.com.br


Cendrillon não é ballet?




Achei interessante o fato de o Cinemark, em parceria com o The Royal Opera House of London, estar exibindo grandes clássicos da casa. Como simpatizante no assunto, resolvi conferir o espetáculo Cendrillon (Cinderela em francês), pensando se tratar de uma apresentação de ballet, o que me pegou de surpresa quando descobri se tratar de uma ópera. Eu nunca tinha assistido a uma antes!
           No papel da famosa princesa está a mezzo-soprano (voz mais grave feminina) americana Joyce DiDonato,particularmente admirada por suas interpretações das obras de Handel, Mozart e Rossini. E no papel de Prince Charmant – para meu espanto e de metade da platéia leiga no assunto como eu – a soprano Alice Coote, dona de uma voz estonteante e que conseguiu atuar seu papel com grande virilidade. Isso mesmo, o principe é interpretado por uma mulher! O motivo para tal é o fato de a casa ter seguido as recomendações do libreto original de Henri Cain (autor da ópera), que exigia uma soprano com sentimento. Porém, o destaque ficou para a fada madrinha interpretada por Eglise Guttiérez, que colocou um toque sensual e cômico ao famoso personagem, além de seu figurino colorido.


          O cenário é muito simples. É formado apenas pelo livro da história em francês, que muda rapidamente de posição se tornado um novo e diferente ambiente a cada cena. O espetáculo desde o começo anuncia que aquilo é uma narração de um conto de fadas, por isso do livro como cenário. O intuito é você entrar na história. No grande finale, os cantores saem do personagem, anúnciam que aquilo é um conto e que esperam que todos tenham gostado. Os figurinos são maravilhosos. O destaque está na cena do baile, onde todas as pretendentes do principe e os guardas do castelo estão de vermelho, simbolizando a angustia em que vive o monarca por não encontrar o seu grande amor.


          Cendrillon, composta por Jules Massenet, um dos mais famosos do romantismo francês, é uma ópera não muito conhecida e raramente encenada. Apresentada pela primeira vez no The Royal Opera House, teve a produção de Laurent Pelly, cujos trabalhos anteriores mais conhecidos são La Fille du Régiment, L’Elisir d’Amore e Manon. O que marca suas produções são a leveza, a espiritualidade, a elegância e os cenários e figurinos encantadores. Os pontos altos da ópera são as danças orquestrais do baile, a Marcha das Princesas e os duetos apaixonados entre o príncipe e a Cinderela. O regente é Bertrand de Billy, e sua orquestra faz um show a parte com solo dslumbrantes de flauta e oboé.
          Por mais que o preço da sessão seja salgado (R$50,00 a inteira), é uma ótima oportunidade para conhecer um estilo de arte não muito comum em nossa cultura. Com certeza a sensação de assistir ao vivo não é a mesma de ver na tela, porém tem-se a vantagem de ver as expressões dos artistas e closes da orquestra. As próximas atrações serão Rigoletto (que será ao vivo, ou seja, a apresentação ocorrerá em Londres e será “televisionada” no cinema), Così fan tutte, Il Trittico e Macbeth

  

Uma Questão de Gosto.

 
Escrevo porque fiquei revoltada - é, não vamos deixar o nível cair - com algo que aconteceu há alguns dias. Em um mundo que se debate tanto sobre preconceito, surpreende-me o quão hipócritas podemos ser. Ou, quem sabe, falsos - mas não com os outros, e sim com nós mesmos.
Sempre tive uma amiga bissexual. Meu relacionamento com ela não era nada diferente de qualquer outro. Ela sabia de meu gosto, e eu do dela, e tudo continuava normal. Claro que ela não entrava em detalhes comigo... até porque, fosse mulher com mulher, homem com homem ou mulher com homem - não muda nada! - seria constrangedor. Até aí, tudo bem. Só amaldiçoo o dia em que eu resolvi abrir a boca.
O assunto surgiu do nada, em uma roda de conversas. Mantive-me calada por um bom tempo, evitando a discussão que eu já previa. Típica libriana, costumo fugir desse tipo de coisa... mas acabei não conseguindo, dessa vez.
          "É anti-natural" - disse um amigo, que o nome não convém. "Homem e mulher foram feitos para ficarem juntos, e quando isso não acontece, é estranho. Não deve ser assim, não é certo! Vai contra a natureza humana."
Meu primeiro instinto foi deixar o lugar no mesmo segundo, tamanha ignorância e preconceito que vi naquela fala. Entretanto, como poucas vezes  faço, acabei levando a discussão ao ápice. Quando discutimos gostos, ninguém me critica por ser uma menina que prefere o azul ao rosa, ou a pizza ao hamburguer. Ninguém discute o porquê disso, já que é simplesmente uma questão de gosto. Entretanto, quando enveredamos pelo caminho da homossexualidade, o quadro se inverte. Parece que existe um tabu. Como se a sexualidade de uma pessoa fosse um tipo de doença contaminosa...! Francamente, esse medo de falar é ridículo. E, claro, esse medo leva a outros, como o de assumir sua preferência. Você não é melhor ou pior simplesmente porque gosta de algo diferente - que, aliás, nem é tão diferente assim.
Não pretendo ser moralista aqui, e talvez nem saia do senso comum – a verdade é que esse texto é quase um desabafo, um grito que, por muito tempo, foi abafado. Diante de tantos casos de agressões contra homossexuais que foram divulgados nos ultimos meses, não podia me manter calada. E, de tudo isso, acho que só concluo uma coisa: não importa como a sociedade se comporte frente ao homossexualismo, acho que quem assume o que é, sem se preocupar com os julgamentos, merece o respeito de todos. Porque passar por cima desse grande preconceito é, realmente, um enorme ato de coragem.

Por onde anda?



Por onde anda o bom senso? Deve ter sido perdido quando começou a se falar em padrão de beleza. Mulheres famosas e modelos de revistas conceituadas posam para fotos que geram polêmica no instante em que são publicadas pela magreza excessiva em que as fotografadas se encontram. Ossos em exposição e, muitas vezes, uma falsa aparência de saúde assustam médicos e até mesmo alguns profissionais do mundo da moda. Quando há susto e indignação, ainda pode haver alguma esperança. Mas, quando essas imagens são observadas com louvor e cultuadas, o problema toma proporções ainda maiores. As famosas e as próprias modelos se esquecem de que há um público que as segue, que tenta ser quem elas são, que se espelham e as têm como ídolo, muitas vezes a qualquer custo.
A Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética realizou uma pesquisa com mais de 20 mil cirurgiões plásticos em 84 países há pouco mais de dois anos com o seguinte tema: “Que influência as pessoas famosas têm sobre as decisões tomadas pelos pacientes?” Foi solicitado que os doutores estabelecessem uma ligação entre nomes de famosos e onze procedimentos populares. Seios e lábios se destacaram. Os seios deviam ficar iguais aos de Pamela Anderson e Angelina Jolie foi a maior influência das mulheres que operavam os lábios. A pesquisa revela que o padrão de beleza nunca é natural, ele é estabelecido pelas pessoas notáveis, as celebridades. A expressões “ser você mesmo “ e “aceite-se como é” estão vazias de sentido.
A Vogue Italiana, referência no que diz respeito à moda e beleza, divulgou em seu site algumas fotos da modelo Karlie Kloss, 19, em um ensaio fotográfico, em dezembro do ano passado. Até esse ponto, nenhum fato assustador. O problema estava em uma foto que salientava a magreza da modelo. Os ossos protuberantes no quadril geraram polêmica e a foto foi usada em sites que apoiavam a anorexia. A revista tirou a foto do site e pediu desculpas. As desculpas foram aceitas e a Vogue continua em circulação e exibe modelos magérrimas, da mesma maneira. Karlie Kloss disse que é adepta das atividades físicas.
 
© STEVEN MEISEL

Flávia Santos, 17, modela há mais de um ano, trabalha para duas agências e estuda. Ela falou um pouco da rotina de trabalho, da alimentação e deu sua opinião sobre o caso Vogue: “A Vogue é referência no mundo fashion e por isso, os profissionais são exigentes”. Flávia comentou que quando fez o curso de moda, teve também um curso de alimentação, onde aprendeu a importância de comer moderadamente ao menos seis vezes por dia. Segundo a modelo, “o mundo da moda é muito competitivo, é uma querendo ser melhor que a outra, e esse é um dos fatores que influenciam bastante nas atitudes da modelo perante o corpo”. Questionada a respeito da influência exercida pelas famosas dentro de sua carreira como modelo Flávia afirmou que “Toda menina iniciante procura se espelhar em uma modelo famosa, e ela gosta bastante da Gisele Bündchen porque a modelo começou de baixo e pouco a pouco foi conquistando espaço, e que o que Gisele deixa são ensinamentos de persistência e luta pelos sonhos”.  Flávia afirmou também que nunca teve nenhum distúrbio alimentar e que cuida da imagem porque é o que conta para o seu trabalho.     
Não se deve esquecer de que Flávia tem o corpo exigido pelas agências. Pesa 50kg e tem 1,72 de altura. Mas, e as outras milhares de adolescentes no país que sonham em ter a chance que Flávia teve? Apenas são assombradas pelo tal do padrão de beleza. Martirizam-se diariamente, tentam alcançar o corpo das mulheres da revista. É uma luta constante. Não pelos sonhos, como disse Flávia na entrevista, mas uma luta por um corpo que não é o seu, por um espaço que não concede vez a quem não tem o “perfil adequado”. Essas meninas, ainda novas, caem nas armadilhas de um mundo sem escrúpulos, onde até o corpo é padronizado.

“They say you want a revolution”!




          Como bem sabemos, os movimentos de ocupação se espalharam pelo mundo nos últimos tempos. O aprimoramento diário da internet e de suas tecnologias, como as redes sociais e os novos instrumentos de divulgação de informações, têm facilitado enormemente a organização dessas manifestações, que estão conseguindo mudar até a organização dos governos de determinados países.
          Na íntegra, este tipo de mobilização se utiliza do ato de ocupar para mostrar indignação com algo que necessita ser mudado. Por unirem um grande número de pessoas, esses “protestos” costumam ter um impacto muito grande perante as autoridades em cada situação, ganhando visibilidade muitas vezes mundial através da mídia. Os manifestantes escolhem normalmente os grandes centros para os acontecimentos, visando sempre serem notados em grande escala.
          Com essa enorme facilidade vinda com a internet e as novas tecnologias, as ocupações vêm garantindo seu espaço no mundo atual de diversas formas, tanto de maneiras mais criativas, como os flashmobs com suas performances, quanto de modo a causar pressão em algum campo problemático para a população. A tendência é que essas manifestações ganhem cada vez mais força devido às novas invenções no campo das redes sociais, que integram o mundo cada vez mais.
          No dia quatro de abril deste ano, inclusive, ocorreu, em São Paulo, o lançamento do livro “Occupy: movimentos de protesto que tomaram as ruas”, que trata justamente sobre este assunto. O livro reúne artigos de diversos autores sobre os movimentos que chacoalharam o mundo no ano de 2011, contestando a democracia e o capitalismo existentes, como a ocupação em Wall Street, centro financeiro dos Estados Unidos, e a chamada “primavera árabe”, em que vários governos de países da África e Ásia foram depostos pela força da sociedade civil.
          Um exemplo ainda mais recente, embora em nível micro, é o ocorrido no último dezesseis de abril na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Alunos dos cursos de jornalismo e multimeios ocuparam a ouvidoria da universidade por conta da falta de espaço físico do Centro Acadêmico dos dois cursos, cujo nome é Benevides Paixão (“Benê”). Como na maioria dos casos, a situação criada foi bastante divulgada e conseguiu tocar as autoridades, alcançando uma resposta rápida e efetiva (o centro será realocado para um galpão próximo à quadra do campus Perdizes, onde tudo ocorreu).
Como já foi dito anteriormente, a mídia é uma ferramenta de extrema importância nos movimentos que envolvem o ato de ocupar. É através dela que estes se difundem, mesmo que às vezes de forma distorcida do que realmente aconteceu. Com as relações sociais convertendo-se cada vez mais em objeto de valores econômicos, seus agentes passaram a realizar as coisas de forma a trazerem sempre benefícios particulares, não importando o que for preciso fazer para isso, até modificar falas e imagens que envolvem terceiros. A partir daí surge a manipulação dos meios de comunicação, atualmente encontrados nas mãos de poucos muito ricos, que modificam fatos somente para ganhar audiência, visando sua própria acumulação de capital.
          Ao pensarmos na palavra revolução, usada e visada até pela banda Beatles em uma de suas músicas de mesmo nome (conforme o título acima), aposto como vem à cabeça de vocês, assim como na minha, uma boa dose de violência com um toque de vandalismo e, em alguns casos, uma pitadinha de sangue. Bom, esta forma de pensar esta correta somente em alguns casos, mas não como regra geral para todas as revoluções. A diferença destas para os movimentos de ocupação é basicamente que os revolucionários possuem causas mais gerais, que envolvem mudanças para o mundo em sua totalidade, enquanto a organização das ocupações visa mudanças em fatos ou situações mais pontuais e específicas.
          Como podemos perceber, as ocupações se tornaram mais rotineiras e visadas como modo de pressão social nos últimos tempos. A mídia e as redes sociais se tornaram também fortes aliadas destas, usadas até na organização e divulgação dos movimentos. Enquanto formas mais recentes de mobilização social, diferentemente de manifestações historicamente conhecidas (como o movimento operário e os diversos socialismos e comunismos), as “ocupações” atuais implicam em ações de problemáticas mais locais, não ficando a mercê de que a “grande revolução” aconteça, mas com grandes desdobramentos num nível macro, já que, numa cultura informacional como a nossa, as conexões em rede operam de forma ininterrupta.

Para verdadeiramente "Likes" Caio.



Magro, alto, olhos fundos, um pouco bruxo, dono de uma figura marcante.
Um dos grandes nomes da literatura contemporânea, Caio Fernando Abreu, foi/é muito além do “cara” que te dá conselhos, te dita frases pelo facebook.
De alma paulista, por algum acidente, Caio Fernando Abreu nasceu no Rio Grande do Sul em 1948, na cidade de Santiago do Boqueirão, aonde mais tarde veio a falecer vítima do vírus da AIDS. Mudou-se para capital paulistana em 1968 para trabalhar na primeira equipe da revista Veja – de onde saiu brigado como de tantas outras publicações -deixando para traz o curso de letras e artes cênicas da UFRGS.
     Apesar de ter passado grande parte de sua vida em uma relação de amor e ódio com São Paulo, Caio era um viajante, apaixonou-se por Paris, viveu o sonho americano, participou dos movimentos hippies londrinos, pegou carona para o Ocidente, passou fome, lavou pratos, invadiu casas abandonadas, foi preso, morou de favor, não parou e apesar de ter morrido jovem, aos 48 anos, o escritor/dramaturgo/jornalista teve uma vida intensa, cheia de altos, baixos, recheada de arte, sonhos, amores, literatura.
     Foi fã de Clarice, Virginia Wolf, Cortázar, Sartre, Joplin, Hendrix, Billie, Villa Lobos, Calcanhoto. Fez Yoga, meditação, terapia. Leu I Ching, Jung, tarô. Foi astrólogo de formação, um pouco bruxo, intuitivo, um místico. Amigo de Hilst, Ana C, Elis, Cazuza, dos bares, da boemia. Um pouco louco, dramático, jovem dos anos 70. Homo, Bi, “Multissexual”. Deixou que todas essas minúcias transbordassem em sua literatura. Escreveu sobre o amor e a procura, o desespero do encontro, do desencontro, da partida, das permanências.
Foi vida & obra.
Apesar da duplicidade autor/narrador existentes em todos os estudos teóricos da literatura, seria difícil desvincular a voz narrativa de Caio escritor de sua voz autobiográfica. Seus personagens, são um nítido reflexo de toda uma geração, que como Caio cita em um de seus contos “pegou a coisa viva”, uma geração que viveu o prazer e o terror dos anos 60/70/80, viu o nascer da modernidade, sentiu na pele o frio da ditadura, o fogo do rock in roll, a malemolência morna  do Tropicalismo, viu o naufragar dos próprios sonhos, assistiu ao  nascimento de uma democracia mal acabada, descobriu as dores e angustias de uma liberdade batalhada, mas incompleta.

“Estamos vivendo uma noite difícil, mas as pessoas estão procurando o amor, ou enlouquecendo, ou discutindo à espera de um futuro, buscando uma nova ordem para as coisas”

Seus personagens são sombrios, noturnos, profundos, ardentes, amantes, sonhadores, raros e consequentemente sozinhos. Sua linguagem é rica, intimista, sofisticada, situada entre o marginal e o burguês, cheia de silêncios e elipses. Talvez a literatura do indizível se não fosse estranho nos ocuparmos de tal denominação tamanha é a imersão de seu leitor no mundo dos sentidos, dos significados, das palavras.
Mergulhar em seus contos é transportasse para uma atmosfera cheia de antíteses onde o divino e o profano são os principais ingredientes na construção da imagem do homem moderno, tão perdido e carente de si próprio.
De “Limite Branco”, seu primeiro romance publicado aos 19 anos, até “Os Dragões não Conhecem o Paraíso”  de 1988, assistimos o desenrolar de uma trama compartilhada por todas as gerações, iniciada no desflorar dos primeiros índices da singularidade conquistada na puberdade, até a miséria de perceber-se uma particular solta em um mundo que não é de ninguém e tampouco de todo mundo.
Os drama vivenciados pelos protagonistas de “Apenas uma Maçã”,“ O inventário do ir – remediável” (1970) “Dama da Noite”, “ Sapatinhos Vermelhos”,(1980) “ Os sobreviventes”, “Pela Noite” (1982) , são exemplos da inquietude que percorreu as três mais loucas décadas do século passado, e perduram até hoje, onde a temática da  procura é constantemente contraposta e intimidada pela falta do encontro, do “encaixe”, em tempos em que “ser” ainda é intolerável.
A morte de Caio em meados dos anos 90, jamais significaria a morte de sua obra – cada vez mais reeditada. Não é de se estranhar a sua popularidade – sua obra é urbana, viva, atual. Porém não podemos esquecer e diminuir  sua complexidade, desloca- lá de sua natureza, banalizá-la e reduzi-la ao trivial.
A internet, como uma nova fonte de informação é um dos meios mais eficientes para a divulgação da informação e cultura. A literatura como patrimônio cultural não deve escapar a esse domínio e deve sim ser transportada para esse veiculo, mas com os devidos cuidados, para não transfigurar a sua essência fantasiosa, mas jamais alienadora.
       Caio, como tantos outros nomes da nossa literatura, deve e merece ser lido e divulgado, mas sua obra não cabe aos botões de “like” e “compartilhar” na tela do  computador.

Centenário Titanic



“Ele me salvou de todas as maneiras que alguém pode salvar outra pessoa.” –É com essa frase que Rose Dawson termina de contar seu trágico romance com Jack Dawson a Brock Lovett e os outros marinheiros do barco que procurava por destroços do RMS Titanic no filme homônimo de James Cameron lançado originalmente em 1997 e reproduzido em tecnologia 3D no ano de 2012. E é também uma frase que ficou na minha memória desde então.
       Quando lançado em 1997, o filme foi um sucesso, um recorde de bilheteria de U$ 1,842,900,000 (batido só após 13 anos pelo filme Avatar do mesmo diretor) e no Oscar de 1998 arrematou onze das catorze estatuetas pra que foi indicado (incluindo melhor filme, melhor diretor e melhor música com a belíssima canção My Heart Will Go On de Celine Dion).
             Quinze anos depois, com a tecnologia 3D, o relançamento do filme de James Cameron criou igual ou até maior expectativa do que quando lançado em 1997. Pois os fãs que eram muito novos para vê-lo no cinema puderam assisti-lo na telona (o que é o meu caso), os que já haviam visto o reviram e os que nunca tinham entrado em contato com o filme assistiram em primeira mão. Por outro lado, existiram divergências nas críticas lançadas sobre o filme, algumas pessoas afirmaram não ver diferença entre o filme com ou sem 3D. Outras, incluindo a mim, disseram ter sentido uma maior imersão no filme. A angústia é bem maior e a noção de profundidade aumenta bastante.


            O filme de Cameron foi baseado numa tragédia real ocorrida no ano de 1912, o naufrágio após a colisão com um iceberg do “inafundável”, imbatível e maior navio até então RMS Titanic em uma travessia entre South Hampton (Inglaterra) e Nova Iorque (EUA), que tirou a vida de cerca de 1500 dos 2200 passageiros.
            Pela crença de seu engenheiro e construtor Thomas Andrews (interpretado na ficção por Victor Garber) e do diretor da rede de navios White Star Line, da qual RMS Titanic fazia parte, J. Bruce Ismay (interpretado por Jonathan Hyde no filme de Cameron) de que não poderia naufragar de maneira alguma, os botes salva vidas do navio eram suficientes a apenas metade dos passageiros, o que foi significativo para a morte de tantas pessoas na sua viagem de estréia. Pois, a temperatura do oceano no momento do naufrágio beirava 0ºC, impossibilitando a vida por muito tempo dos que caiam na água.

            Nesse ano de 2012, precisamente no dia 15 de abril (pois apesar de ter colidido com o Iceberg a 23h40 do dia 14 de abril, só afundou 2h da manhã do dia 15), completou 100 anos do naufrágio do Titanic.
            Além do relançamento do filme de James Cameron em 3D, diversas homenagens ao fato foram realizadas. Uma delas ocorreu em São Paulo, o restaurante From The Galley (que se encontra na rua Leopoldo Couto Magalhães Jr, nº 761 – Itaim Bibi) se propôs a servir os onze pratos do último jantar do Titanic para no máximo vinte pessoas, por um preço que variou de R$ 310,00 a R$ 620,00.
            Outro tributo ao centenário do naufrágio foi o encontro de dois cruzeiros, um proveniente de South Hampton (aonde o Titanic partiu), o Balmoral e outro vindo de Nova Iorque (aonde o Titanic deveria ter chegado) o Journey, ambos com passageiros comuns e parentes das vítimas. Eles fizeram o itinerário do navio naufragado e no mesmo local em que há cem anos antes a navegação atingiu o iceberg, foi reproduzido pelo Journey o sinal de alerta do comandante do RMS Titanic, Edward J. Smith avisando que eles haviam tido um acidente.

            Eu, que tinha apenas cinco anos na época, não pude ver no cinema, pois o filme possuía classificação indicativa de doze anos e portanto, após muito pedir a meus pais ganhei o VHS. Por ser um filme muito longo (194 minutos) era dividido em duas fitas, uma da minha parte favorita, o romance entre Rose (Kate Winslet) e Jack (Leonardo Dicaprio) e a outra com o naufrágio, que era angustiante e surpreendentemente triste para mim, mesmo com pouca idade.
            Passados quinze anos, continuo me emocionando nas mesmas partes do filme que me emocionavam quanto tinha cinco anos, continuo rindo nos mesmos momentos que ria e continuo chorando nas mesmas cenas que chorava quando pequena. Ou seja, 3D ou 2D, Titanic vai ser para mim um filme que marcou uma Era, apresentou um dos piores naufrágios da história da humanidade conseguindo colocar, além da iminente tristeza, um grande e esperançoso romance.
           
 (fontes fotos/ colunistas@ig.com.br/allposters.ptAP.)

Tonight Blue Is The Color


 
Um gol de vantagem. Parecia pouco, para um time que teria de enfrentar o Barcelona dentro do Camp Nou (onde o time coleciona a incrível marca de 18 gols nos últimos 5 jogos pela Liga dos Campeões). 
Não seria uma tarefa fácil. O Chelsea veio a campo com o time fechado no 4-5-1 com Drogba isolado. O interino Di Matteo repetia a fórmula usada pela Inter na temporada anterior. A pressão do Barça foi grande, e logo aos 35’, bom passe de Dani Alves pra Iniesta que toca pra trás  encontrando Busquets livre para abrir o placar. Minutos depois, aos 37’, o capitão do Chelsea John Terry é expulso.
 Aos 43’, descida fulminante do Barça: Iniesta vira o jogo. Agora sim, tudo está como deveria: Barcelona classificado, sorriso tímido de Messi, e voltamos à teoria da goleada pra cima do time inglês.
Dois minutos depois, nos acréscimos do 1º tempo, o brasileiro Ramires, dispara por 15 jardas e toca por cobertura − o gol que Messi não fez. Chelsea classificado pelo critério de gols fora de casa.


O Barcelona voltou para o segundo tempo com a mesma calma, uma irritante certeza de que o gol que faltava para sua classificação viria em uma questão de tempo. Bombardeio à meta do Chelsea, e, em descida de do clube catalão, Drogba para Fabregas com um carrinho dentro da área: pênalti. Lionel Messi na bola, a concentração de sempre, chute forte no alto fora do alcance de Cech, parou no travessão. Não era dia de BARCELONA.


Os passes do Barcelona não estavam encaixando como de costume. A prepotência dava lugar ao questionamento, seria possível o Chelsea eliminar o Barcelona? O maestro Xavi parecia não estar em campo. Messi desperdiçando chances incríveis, passes interceptados. Impaciência do time catalão.
Aos 34’, Torres substitui Drogba, que teve atuação de gala nos dois jogos da semi. Com a saída de Drogba, o Chelsea perde seu poder de marcação.
          

         
          Nos acréscimos pressão do Barcelona, Cech dá um chutão pra frente, e Torres recebe dribla Valdés e caixa. Sim, Torres desencantou, chutou como nos tempos em que vestia a camisa vermelha e justificou o investimento dos Blues.
            O resultado do jogo de volta da Champions League surpreendeu a todos e nos deixou uma lição importante. Apesar de o Barcelona ter 73 % de posse de bola, um toque de bola perfeito (foram mais de 500 passes na partida) o time não conseguiu reverter o placar de Stanford Bridge. Nem sempre o melhor time vence, nem sempre o time que joga bonito vence. O futebol é um jogo de estratégias, e sua beleza se mostra através do improvável.
            O Chelsea vai a Munique em busca de seu primeiro título da Champions e aguarda o vencedor do jogo de hoje, entre Real Madrid e Bayer de Munique. Vem pedreira pra cima do Chelsea, mas quem ousa duvidar do poderio inglês?
Barcelona x Chelsea
Árbitro: Cuneyt Çakir
Barcelona (3-3-4): Valdés, Puyol, Piqué (Daniel Alves 25’) e Mascherano; Busquets, Xavi e Iniesta; Fabregas (Keita 28’), Cuenca (Tello 23’), Messi e Sanchez.  Cartão amarelo: Messi, Iniesta
 Chelsea (4-5-1): Cech, Ivanovic, Cahill (Bosingwa 12’), Terry e Cole; Mikel, Meireles e Lampard, Mata e Ramires; Drogba (Torres 35’).
    Cartão amarelo: Mikel, Lampard, Meireles (suspenso), Ramires (suspenso), Ivanovic (suspenso) e Cech - Cartão vermelho: Terry

(fonte fotos - reprodução)