por Julia Teixeira
Como
bem sabemos, os movimentos de ocupação se espalharam pelo mundo nos últimos
tempos. O aprimoramento diário da internet e de suas tecnologias, como as redes
sociais e os novos instrumentos de divulgação de informações, têm facilitado
enormemente a organização dessas manifestações, que estão conseguindo mudar até
a organização dos governos de determinados países.
Na íntegra, este tipo de mobilização se
utiliza do ato de ocupar para mostrar indignação com algo que necessita ser
mudado. Por unirem um grande número de pessoas, esses “protestos” costumam ter um
impacto muito grande perante as autoridades em cada situação, ganhando
visibilidade muitas vezes mundial através da mídia. Os manifestantes escolhem
normalmente os grandes centros para os acontecimentos, visando sempre serem notados
em grande escala.
Com essa enorme facilidade vinda com a
internet e as novas tecnologias, as ocupações vêm garantindo seu espaço no
mundo atual de diversas formas, tanto de maneiras mais criativas, como os flashmobs com suas performances, quanto
de modo a causar pressão em algum campo problemático para a população. A
tendência é que essas manifestações ganhem cada vez mais força devido às novas
invenções no campo das redes sociais, que integram o mundo cada vez mais.
No dia quatro de abril deste ano,
inclusive, ocorreu, em São Paulo, o lançamento do livro “Occupy: movimentos de protesto que tomaram as ruas”, que trata
justamente sobre este assunto. O livro reúne artigos de diversos autores sobre
os movimentos que chacoalharam o mundo no ano de 2011, contestando a democracia
e o capitalismo existentes, como a ocupação em Wall Street, centro financeiro dos Estados Unidos, e a chamada
“primavera árabe”, em que vários governos de países da África e Ásia foram
depostos pela força da sociedade civil.
Um exemplo ainda mais recente, embora
em nível micro, é o ocorrido no último dezesseis de abril na Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo. Alunos dos cursos de jornalismo e
multimeios ocuparam a ouvidoria da universidade por conta da falta de espaço
físico do Centro Acadêmico dos dois cursos, cujo nome é Benevides Paixão
(“Benê”). Como na maioria dos casos, a situação criada foi bastante divulgada e
conseguiu tocar as autoridades, alcançando uma resposta rápida e efetiva (o
centro será realocado para um galpão próximo à quadra do campus Perdizes, onde
tudo ocorreu).
Como já foi dito anteriormente, a mídia é uma
ferramenta de extrema importância nos movimentos que envolvem o ato de ocupar. É
através dela que estes se difundem, mesmo que às vezes de forma distorcida do
que realmente aconteceu. Com as relações sociais convertendo-se cada vez mais
em objeto de valores econômicos, seus agentes passaram a realizar as coisas de
forma a trazerem sempre benefícios particulares, não importando o que for
preciso fazer para isso, até modificar falas e imagens que envolvem terceiros. A
partir daí surge a manipulação dos meios de comunicação, atualmente encontrados
nas mãos de poucos muito ricos, que modificam fatos somente para ganhar
audiência, visando sua própria acumulação de capital.
Ao pensarmos na palavra revolução,
usada e visada até pela banda Beatles em uma de suas músicas de mesmo nome
(conforme o título acima), aposto como vem à cabeça de vocês, assim como na
minha, uma boa dose de violência com um toque de vandalismo e, em alguns casos,
uma pitadinha de sangue. Bom, esta forma de pensar esta correta somente em
alguns casos, mas não como regra geral para todas as revoluções. A diferença
destas para os movimentos de ocupação é basicamente que os revolucionários possuem
causas mais gerais, que envolvem mudanças para o mundo em sua totalidade,
enquanto a organização das ocupações visa mudanças em fatos ou situações mais pontuais
e específicas.
Como podemos perceber, as ocupações se
tornaram mais rotineiras e visadas como modo de pressão social nos últimos
tempos. A mídia e as redes sociais se tornaram também fortes aliadas destas,
usadas até na organização e divulgação dos movimentos. Enquanto formas mais
recentes de mobilização social, diferentemente de manifestações historicamente
conhecidas (como o movimento operário e os diversos socialismos e comunismos),
as “ocupações” atuais implicam em ações de problemáticas mais locais, não
ficando a mercê de que a “grande revolução” aconteça, mas com grandes
desdobramentos num nível macro, já que, numa cultura informacional como a
nossa, as conexões em rede operam de forma ininterrupta.

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