sexta-feira, 27 de julho de 2012

Vale a pena antecipar o desconhecido?

por: Júlia Paolieri

Sempre ouvimos que a primeira impressão é a que fica, mas também que elas podem, e muitas vezes são enganosas. Confiar cegamente nelas seria um erro. No entanto, a verdadeira questão é: quantos nunca se deixaram influenciar pela primeira impressão que tiveram de alguém? Por mais que queiramos nos enganar, muitas das nossas decisões de se relacionar com alguém, ou ao menos conversar, depende de gostarmos ou não do que pensamos ela ser.
Pesquisas afirmam que o cérebro leva apenas alguns poucos segundos para estabelecer uma opinião formada sobre uma pessoa, baseada apenas na primeira olhada para ela. A confiança que temos em nossa intuição normalmente nos leva a identificar pessoas segundo o que elas vestem e sua aparência, bem como se estão felizes ou não (mesmo sabendo que não dá para ficar feliz 24horas por dia).
                Sem citar nomes, lugares, nem nada pessoal, acredito que a única vez em que realmente entendi o porquê de não ser viável se guiar pelas primeiras impressões aconteceu há pouco tempo, depois de mais de zilhões de vezes em que esse dito popular foi colocado e martelado na minha cabeça. Acho que para realmente entendermos precisamos viver e aprender por nós mesmos, ao invés de aceitar ensinamentos alheios.
               Em suma, a pessoa cuja minha primeira, e até segunda impressão não foi muito agradável acabou por provar que ela não era nada do que eu tinha pensado. Conforme ela falava sobre seu passado e sobre sua vida e momentos, construí uma imagem dela, e talvez ela até tenha sido, ou seja desse jeito, mas a verdade é que não é possível conhecer alguém somente através de seu passado. Foi um simples e humilde gesto, na última vez em que a vi que confirmou que grande parte do que eu tinha pensado – esteja correto ou não – estava envolvido em uma personalidade muito maior, em um ser-humano muito maior do que minha ignorância tinha rotulado.
Se estamos em constante construção da nossa personalidade, tudo o que fazemos ainda está nos moldando. O passado das pessoas pode sim dizer muito sobre elas, mas nunca o total e nem sempre quem elas ainda são. Julgamentos e primeiras impressões são demasiado equivocados considerando que uma “batida de olho” não revela absolutamente nada a respeito de quem somos. E se naquele dia tive um problema e minha expressão está preocupada? Isso faz de mim uma pessoa triste? Se naquele dia tive vontade de sair de moletom? Isso significa que não tenho senso de moda ou não gosto de me arrumar?
           Primeiras impressões, sempre irão nos perseguir, e muitas vezes serão impossíveis de impedir, mas é possível que elas nos assombrem justamente para nos desafiar a não confiar nelas, e dar uma chance ao desconhecido.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Crianças invadem a Band!


por Gabriella Justo

Foto Reprodução
Marcelo Tristão Athayde de Souza nasceu na cidade de Ituverava, se formou em engenharia civil pela Escola Politécnica da USP e depois cursou radio e TV pela Escola de Comunicação e Arte, também da USP. Foi em 1983 que sua carreira de apresentador começou com o programa 23ª Hora e após isso ele não parou mais. Popularmente conhecido pelos personagens Professor Tibúrcio e Telekid, dos programas infantis Rá-Tim-Bum e Castelo Rá-Tim-Bum respectivamente, Marcelo Tas hoje lidera o programa CQC ao lado de Marco Luque e Oscar Filho e recém estreou o programa Conversa de Gente Grande. 
         O programa televisionado pela Rede Bandeirantes é uma adaptação de um programa argentino chamado ‘Agrandadytos’ e é diversão garantida. Nele crianças de três a doze anos participam de entrevistas comandadas pelo apresentador e contam com a participação especial de uma celebridade diferente a cada semana. Os assuntos variam, mas são sempre relacionados à vida adulta, como a violência, as drogas e os relacionamentos. Marcelo Tas aparenta estar muito a vontade com as crianças, uma vez que trabalhou durante um bom tempo com elas.
Foto Reprodução
          A parte mais divertida do programa são as conversas /entrevistas que Tas faz com as crianças. As respostas são super sinceras, inocentes e hilárias, o que faz com que muitas vezes o apresentador tenha que se conter para não gargalhar. O quadro com as celebridades, que já contou com a participação de Pelé e Sabrina Sato, é também muito engraçado, porém não se tem a mesma sensação de espontaneidade das crianças, pois elas aparentam estar com as falas decoradas e muito bem ensaiadas.
         É uma ótima opção de entretenimento com diversão garantida. Conversa de Gente Grande vai ao ar aos domingos, as 20h. Para aqueles que têm interesse que seus filhos participem do programa, a inscrição é feita pelo site.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Rehab sem fim: um ano sem Amy Winehouse

Por Bruna Mello

foto: reprodução
        E nesta segunda feira, dia 23 de julho, completa um ano da morte da “nova” diva do soul jazz: Amy Winehouse. Mesmo com a morte precoce e assustadora, Amy ainda é uma das artistas que mais vende discos no mundo. O álbum “Back To Black”, de 2006, é um dos 100 discos mais vendidos no Reino Unido, sendo o segundo disco mais vendido do século 21, perdendo para a conterrânea Adele, com o álbum “21”. O que comprova que Winehouse ainda está viva nos ouvidos de muitos fãs e admiradores.
         Com uma carreira curta e conturbada, Amy possui grandes influências de jazz, pois seu pai, o taxista Mitchell Winehouse, que sempre foi um fã do estilo (e extremamente ligado a filha). Com nove anos seus pais se separaram e ela iniciou suas atividades musicais em algumas escolas de artes particulares. Em sua adolescência começou a compor suas próprias músicas, e com 16 anos grava suas primeiras demos. Foi nessa época que também começou seu contato com as drogas.

         Pode-se dizer que grande parte de suas músicas foram dedicadas ao seu grande amor: o barraqueiro Blake Fielder – tanto que Amy tatuou a palavra “Blake’s” acompanhada de um objeto sobre o seio esquerdo, que significa que ela era da posse do ex marido – contribuindo com diversos escândalos sobre sua vida pessoal, influenciando em sua carreira como a prisão de Blake, o divórcio dos dois, a prisão por porte de drogas da cantora e as diversas idas às clínicas de reabilitação para tratar do vício contra as drogas.
Amy e Blake Fielder / foto: reprodução
         Seu relacionamento com Blake de idas e vindas também estava ligado com as drogas. Com o extremo envolvimento com o álcool e as drogas, Winehouse começa a cometer gafes em seus shows como esquecer as letras, atrasos para o começo dos concertos, não conseguir alcançar notas que muitas vezes não eram tão difíceis para quem sempre cantou com facilidade, usar drogas no meio das apresentações, cair no palco, entre outras fatalidades. Obviamente gerou muitas vaias do público que pagava para ver um show completo e com uma Amy sóbria, entretanto, se deparavam com a instabilidade da artista.

         Em 2009 muitos brasileiros tiveram a oportunidade de ver a senhorita Winehouse em cinco shows no Brasil. Mesmo não sendo shows como os realizados em outros países na época do auge de Amy, ela parecia estar feliz e não tiveram grandes decepções. No mesmo ano, em julho, ela foi encontrada morta em sua casa no bairro de Candem, em Londres. A causa da morte foi descoberta depois de meses, alegando que decorreu de um consumo abusivo de álcool após um período de abstinência. Amy foi um dos artistas que morreram aos 27 anos como Kurt Cobain, do Nirvana, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, entre outros.

                                                   Rehab - Live in London
         Desde então, diversas homenagens de artistas foram feitas a cantora e um álbum póstumo foi lançado com uma versão de “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim, no álbum. Mesmo com tantas barbáries de sua vida pessoal atravessando a sua carreira musical, Amy deixou um vasto material produzido e que continua fazendo sucesso e encantando os amados da soul music com os sucessos “Rehab”, “You Know I’m no Good”, “Valerie”, “Tears Dry On Their Own”, entre outros. Com certeza Amy Winehouse se tornou um ícone que deve ser lembrado pelo talento musical e sua contribuição à música.
 
Um ano sem Amy Winehouse / foto:reprodução

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O simples ato de olhar

por Rosa Donnangelo

Era uma terça-feira normal. Não tão normal assim porque eu não tinha horário pra acordar e almoçar e nenhum trabalho da faculdade que me tirasse o sossego.  Sol, calor, céu azul. A tarde se aproximava e a possibilidade do encontro com alguns amigos era grande, era o dia perfeito mesmo. Ficou resolvido um almoço, e lá vou eu pra Av. Paulista.
Como mesmo sem horário pra nada eu insisto em ser pontual, resolvi esperar sentada naqueles degraus da Gazeta, a vista de lá não tem nada de muito diferente, não. Mas, o que faz qualquer lugar ser diferente é o modo como se olha pra ele. E esse fato só é compreensível quando, por alguns minutos, você se dedica a olhar. A olhar pausadamente, a prestar atenção nos detalhes, nas pessoas, no jeito de cada ser humano que passa por ali. Muitas vezes, a correria que nos é imposta faz com que histórias e momentos ímpares passem, sem que você perceba. Pois bem, dada a pequena lição, e dado o meu momento de reflexão nas escadas de um edifício, eis que surge um rapaz com um baralho nas mãos e outro com uma câmera. Pediram um minuto da minha atenção (e o que é um minuto, não é mesmo?) para mostrar o número de mágica que eles sabiam fazer. Dei-lhes então meia hora. É, meia hora. A mágica era sensacional, valia a pena, pode acreditar. Cartas de baralho daqui, caixa do baralho de lá, o baralho que aparece no chapéu de um, a carta que eu assinei que aparece dentro da caixa de baralho de lá. É, foi bem assim, uma surpresa atrás da outra, um truque novo a cada estalar de dedos do mágico. Pois bem, aquela meia hora foi, talvez, a melhor meia hora do dia. Eu ri, me diverti, e enfim... Aconteceu tudo isso por causa de duas pessoas que tinham alguma coisa pra me mostrar, que tinham história.
Você deve estar se perguntando: “Por que essas coisas nunca acontecem comigo?”. A resposta é bem simples: Porque você não está disposto a parar e olhar. Olhe, aprecie, há um mundo muito mais divertido fora do campo de visão a que você está habituado. 

Agenda da semana: de 20/07 à 27/07


                           Agenda da semana: de 20/07 à 27/07

Música

Fito Paez
Show de comemoração de 20 anos do álbum: El amor después del amor.
foto: reprodução

Data: 26/07
Horário: 22h
Local: HSBC Brasil
Preços: de R$65,00 a R$340,00
Compras Online: clique aqui

BNegão & Seletores de Frequência

Acompanhado de sua banda, Os Seletores de Frequência, o ex-integrante do grupo Planet Hemp mostra faixas do álbum Sintoniza Lá (2012), entre elas O Mundo (Panela de Pressão), Subconsciente e Chega pra Somar no Groove. O conjunto carioca A Filial está encarregado da abertura. 

foto: reprodução
Data: 20/07
Horário: a confirmar
Local: Cine Joia, Praça Carlos Gomes, 82
Preços: R$ 40,00 (primeiro lote) e R$ 50,00 (segundo lote).
Censura: 18 anos
 
Pedro Luís

Desde que deu início à carreira musical, nos anos 80, o cantor, compositor e produtor carioca esteve atrelado a trabalhos coletivos — sendo os mais aclamados os realizados com os grupos A Parede e Monobloco. Em 2011, porém, Pedro Luís lançou (com êxito) o seu primeiro disco-solo, Tempo de Menino. Ao lado de Marcelo Vig (bateria), Guila (baixo) e Leo Saad (guitarra), ele executa a faixa-título, Bela Fera, Menina do Salão de Beleza e Tá?.
foto: reprodução

Data: 22/07
Horário: a confirmar
Local: Auditório Ibirapuera, Avenida Pedro Álvares Cabral, S/N
Preços: R$20,00

 
Gary Bartz

Saxofonista americano, Gary Bartz acompanhou o trompetista Miles Davis e participou das gravações do disco Live-Evil (1971). Atualmente, além de manter uma parceria com o pianista McCoy Tyner, que ganhou notoriedade ao integrar o quarteto do saxofonista John Coltrane, Bartz segue sua carreira-solo. Na Mostra Sesc de Artes, ele executa temas do álbum Coltrane Rules: Tao of a Music Warrior.
foto: reprodução

Data: 21/07 e 22/07
Horário: a confirmar
Local: SESC Consolação, rua Doutor Vila Nova, 245
Preços: R$24,00
Censura: 12 anos

Exposições

Horacio Coppola

Morto há um mês, aos 105 anos, o fotógrafo argentino Horacio Coppola tem um lado menos popular de sua produção explorado nas 81 imagens de Luz, Cedro e Pedra. A mostra, em cartaz a partir de quarta (18/07) no Instituto Moreira Salles, reúne uma série registrada em 1945 nas cidades históricas de Minas Gerais. Ali, ele focou um tema específico: as esculturas de Aleijadinho em Sabará, Ouro Preto e Congonhas do Campo, um “grande teatro religioso”, na expressão cunhada pelo curador Luciano Migliaccio. Expoente do modernismo fotográfico latino-americano, Coppola sobressaiu pelos flagrantes urbanos de Buenos Aires.

foto: reprodução




Data: 20/07
Horários: (Ter, Qua, Qui, Sex, Sáb e Dom) Terça a sexta, 13h às 19h; sábado, domingo e feriados, 13h às 18h. Grátis. De 18/07 a 11/11.
Local: Instituto Moreira Sales, Rua Piauí, 844
Preços: Grátis

 
Acervo Afro Brasil

O espaço abriga 1.100 obras da coleção de arte negra do artista plástico Emanoel Araújo, cedidas ao museu em regime de comodato. Entre as peças, estão máscaras africanas, esculturas, pinturas do século 19, fotografias e trabalhos contemporâneos.

foto: reprodução



Dia: terça a domingo: 10h às 17h
Horário: até às 18h
Local: Museu Afro Brasil, Av. Pedro Álvares Cabral, s/ nº, portão 10 - Parque Ibirapuera
Preços: Grátis

Jasper Johns

A exposição "Pares Trios Álbuns", do pintor americano conhecido por se apropriar do expressionismo abstrato, movimento surgido nos EUA no pós-Guerra, e por trazer um novo tipo de imagem para a arte americana com uso de elementos superficiais, reúne cerca de 70 peças, como gravuras, concebidas a partir da década de 1980.
foto: reprodução
Dia: de terça à domingo
Horário: das 11h às 20h
Local: Instituto Tomie Ohtake – Mezanino, R. Coropés, 88 - Pinheiros
Preços: Grátis

 
Teatro

It On It

De Daniel MacIvor. O imperdível drama volta na Mostra Daniel MacIvor, formada por três espetáculos da Cia. dos Atores criados em cima de textos do autor canadense. Sob a direção de Enrique Diaz, a montagem traz uma narrativa em três planos — o presente, o passado e a ficção, no caso, uma peça. Emílio de Mello e o próprio Diaz (substituindo Fernando Eiras) se revezam em dez personagens. Primeiro, eles são dois homens discutindo como levar um texto ao palco. A seguir, vem o espetáculo, sobre separação e morte. O ciclo se fecha com a exposição das questões pessoais da dupla, que reconstitui uma relação amorosa. Ao servir-se só da iluminação e de duas cadeiras, o diretor busca o mínimo e leva o máximo ao palco, em diálogos repletos de humor, ironia e lirismo.

foto: reprodução

Dia: até o dia 29/07
Horário: Sexta e sábado, 21h; domingo, 19h.
Local: Teatro Alfredo Mesquita, rua Avenida Santos Dumont, 1770
Preços: Grátis. Os ingressos são distribuídos uma hora antes.
Censura: 16 anos
 
Circo dos Sonhos

Mais de 40 artistas se aventuram no universo do circo. Realizam peripécias com malabares, acrobacias, contorção, trapézio, show com palhaços e magia.
foto: reprodução
Dia: todos os sábados
Horário: 16h, 18h e 20h30.
domingo: 10h30, 16h, 18h e 20h30. Local: Academia Brasileira de Circo, Av. Nicolas Boer, 120 - Parque Industrial Tomás Edson
Preços: Ingresso: R$ 25 e R$ 30. Camarote: R$ 150 (p/ quatro pessoas).
Gênero: Circo

 
Cinema

Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge

foto: reprodução
Passaram-se oito anos desde que Batman desapareceu na noite, e naquele instante passou de herói a vilão. Ao assumir a culpa pela morte do promotor Harvey Dent, o Cavaleiro das Trevas sacrificou tudo o que era importante para ele. Agora, ele terá de lidar com a chegada um ladrão muito esperto e misterioso. Muito mais perigoso, no entanto, é o aparecimento de Bane, um terrorista mascarado, cujo plano é tirar Bruce desse exílio auto-imposto.
Elenco: Christian Bale, Tom Hardy, Michael Caine, Morgan Freeman, Gary Oldman, Anne Hathaway, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard.
Gênero: Ação
Local: Cinemark Brasil


Chernobyl

foto: reprodução
O filme conta a história de um grupo de jovens que, ao buscar um pouco de emoção durante as férias, viaja para o Leste Europeu, mais precisamente à cidade de Pripyat, abandonada após o holocausto de Chernobyl, ocorrido em 1986. Lá, eles percebem, tarde demais, que seres desumanos escondem-se na escuridão. 
Elenco: Jesse McCartney,Jonathan Sadowski, Nathan Phillips, Olivia Dudley, Ingrid Bolso Berdal, Devin Kelley, Dimitri Diatchenko
Gênero: Terror
Local: Cinemark Brasil


 
Valente

foto: reprodução  
Desde os tempos antigos, as histórias de batalhas épicas e lendas místicas foram passadas através das gerações pelas montanhosas e misteriosas Terras Altas da Escócia. Em Valente, um conto de fadas se une à uma sombria jornada quando a corajosa Merida confronta os seus costumes, o destino e o mais feroz dos animais.
Elenco: Vozes de Kelly Macdonald, Emma Thompson, Billy Connolly, Kevin McKidd, Robbie Coltrane
Genero: Aventura
Local: Cinemark Brasil



quinta-feira, 19 de julho de 2012

Um japão não tão distante


Por Marcela Millan

Quem nunca assistiu um desenho animado e se identificou com o protagonista? Quem nunca pensou em se transportar para um universo irreal, para se tornar um personagem de alguma ficção? Mais comum do que se parece, esses são pensamentos que não se restringem a vida de uma criança. Cada vez mais presentes, os otakus, como são chamados, alimentam suas paixões por esse lado da cultura japonesa, que não esconde o fascínio que os animes (animação japonesa), mangás e games podem proporcionar à uma pessoa. Talvez por isso a escolha do termo otaku, que, em japonês, quer dizer fanático, mas que foi resignificado, usado, então, para  rotular esses fãs da cultura nipônica.
Dispersados, os otakus parecem se mostrar um grupo “silencioso”, isso porque são poucos os momentos propícios para que eles possam demonstrar toda sua energia e presença. São em eventos, que, atualmente, tornam-se cada vez maiores, que eles têm total liberdade para se mostrar, deixando claro a força que a cultura japonesa tem, especialmente, no Brasil.
O Anime Friends, evento que ocorreu do dia 5 a 15 de julho, na Faculdade Cantareira, é, quem sabe, o melhor exemplo dessa força, que não pode ser contestada quando se pensa na magnitude do evento – só no ultimo dia, eram esperadas mais de 40 mil pessoas. O Anime Friends reuniu tudo que essa grande quantidade de fãs da cultura japonesa precisava. Ícone, o evento atraiu mais de 270 caravanas e contou com inúmeros shows, salas tematicas, estandes, dubladores e até mesmo o famoso Paul Zaloon, que ficou conhecido pelo seu papel como cientista de O Mundo de Beakman. “Essa foi a primeira vez que fui ao Anime Friends e preciso dizer que foi um dos melhores dias da minha vida. Havia muitos estandes e salas, realmente muito divertido. Só posso dizer que valeu a pena”, contou Ricardo Giantomaso, 19 anos. 
Lotação no última dia de evento

Talvez a principal atração de todo o evento seja os famosos Cosplays – palavra que vem da junção de costume (traje/fantasia) e play / roleplay (brincadeira, interpretação). O cosplay é um hobby que consiste em fantasiar-se de personagens, em geral, de quadrinhos, games e desenhos animados japoneses. Dominando a Faculdade, os cosplayers (aquele que faz cosplay) eram mais do que convidados – eram parte indispensável do evento.  “Posso até ter visto menos cosplayers do que ano passado, mas com certeza vejo cosplays melhores, mais bem feitos e planejados” – comentou Carla, 17 anos. E nem o frio foi capaz de atrapalhar esses fãs que demonstravam sua paixão da forma mais aparente possível – literalmente, se vestindo como o personagem. “Fazer cosplay foi algo inovador para mim”, continuou Ricardo. “Sempre via fotos e sempre tive vontade, mas só agora pude concretizar meu sonho e fiz o meu cosplay do Sanji (One Piece). Foi algo totalmente diferente. Nos eventos anteriores eu simplesmente achava que quem fazia cosplay era a estrela do evento, e dessa vez eu me senti a estrela... Encarnei o personagem, e tentei agir igual ao mesmo. Então, para mim, fazer cosplay significa mais do que apenas se fantasiar, significa admirar o personagem”.
Fotos: Reprodução

Nisso, Aline Hirata concorda: “Pra mim, fazer cosplay é quase como um trabalho, principalmente no meu ultimo cosplay, que abriu as portar para participar de um programa de TV, algumas entrevistas e conhecer gente do alto escalão dos eventos. Mas acima de tudo, acho que fazer cosplay é poder se transformar por um dia naquele personagem”.  E Guilherme Motta, 16, vai mais além: “Fazer cosplay me faz, por um momento, esquecer do mundo sem graça em que vivo. É com cosplay que faço o que realmente gosto”.
Além dos cosplays, todos são unanimes ao dizer que Beakman era uma das atrações mais esperadas esse ano. Vestido a carater (avental verde e peruca de cabelo espetado), Paul Zaloon fez alguns números de ciência, assim como acontecia em seu programa televisivo. Emocionando a plateia – algumas pessoas choravam antes mesmo dele entrar no palco – o ator contou um pouco de sua vida e carreira. "É o emprego mais legal que eu já tive. Ríamos o dia inteiro”, chegou a comentar. Ainda completou falando que não se cansava de ouvir histórias de jovens que se tornaram cientistas por causa de seu programa. Com um carísma inenarravel, Zaloon deixou o palco com uma ovação e ainda distribuiu autografos e fotos para fãs de todas as idades.


A única reclamação recorrente foi em relação ao preço dos ingressos. Principalmente quando se pensava no ultimo final de semana, em que a entrada chegou a custar 45 reais. “O preço dos ingressos estava meio caro, muita gente deixou de ir por causa disso”, colocou Ricardo. Ainda falou-se na lotação, que inegavelmente ocorreu, mas que, nem assim, foi capaz de tirar a alegria do evento.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Muitas e Para Sempre Mrs. Monroe

Uma das frases expostas na exibição "Quero ser Marilyn Monroe" (Foto: Júlia Paolieri)

Encantadora. Marilyn Monroe era delicada, atraente, bela, deixava todos a seus pés pela sua magnífica beleza e graça, mas era frágil. Enquanto produções que homenageiam a estrela optam por mostrar seu lado forte de mulher determinada e autoconfiante, e outras preocupam-se em evidenciar seu lado perturbado, como sua relação com as pílulas, poucas conseguem retratar a mulher frágil e sensível que era Marilyn, e como sofria – muitas vezes demais – pela cobrança de atuar, ser uma atriz perfeita e, muitas vezes o que parecia ser o mais importante, se manter sempre sexy.
Cinquenta anos após a sua morte, Mrs. Monroe ainda impressiona e atraí a todos. Sabendo sempre como e quando usar sua graça e glamour, Marilyn conquistou Hollywood e públicos diferentes. Ser Marilyn Monroe é um desejo de muitas mulheres, que veem na estrela um ícone de confiança. Confiança que Marilyn perseguia e desejava, conforme procurava o homem que a confortasse e gostasse de sua pessoa e não de suas personagens.
Foto: Reprodução
“Sete dias com Marilyn”, longa do diretor Simon Curtis baseado na obra de Colin Curtis, mostra a delicada e sensível Monroe (interpretada por Michelle Williams), que precisa de incentivo e declarações apreciativas sobre sua pessoa e seu trabalho para seguir firme e confiante. Com cenas de Marilyn constantemente esquecendo suas falas, e não conseguindo entender sua personagem, o longa se permite mostrar uma atriz difícil de lidar e conquistar, que não acreditava em seu potencial, mas que quando finalmente conseguia gravar, por mais que não tenha sido excelente, ficava esplêndida na tela, e sua graça impedia os espectadores de olharem para outra pessoa que não ela.
Em direção contrária, a série SMASH mostra os ensaios, produção e disputa pelo papel principal de uma futura peça da Broadway, baseada nos passos de Norma Jean à Marilyn Monroe. Karen Cartwright (interpretada por Katharine McPhee) e Ivy Lynn (Megan Hilty) são as duas personagens principais que fariam de tudo para conseguir dar vida a Mrs. Monroe. Com músicas e coreografias originais e contagiantes, a Marilyn que Ivy constantemente se espelha é justamente a poderosa, a loira fatal e independente que tem tudo e todos a seus pés.
A série, muito bem recebida pela crítica e com um elenco com nomes como Debra Messing e Anjelica Huston teve sua segunda temporada confirmada, provando o poder do “fenômeno Monroe”.
Foto: Júlia Paolieri
No começo desse ano a Cinemateca da cidade de São Paulo recebeu e exposição “Quero ser Marilyn Monroe”. Com fotos da diva, frases memoráveis e glamour, a exposição recebeu diversos visitantes, todos com câmeras, preparados e esperando pela chance de tirar fotos de obras como a “Marilyn Monroe” de Andy Warhol.
Homenagens à estrela são muitas e nunca parecem ser suficientes. O site http://fanmosaics.com/ prepara um mosaico com fotos de fãs de Marilyn Monroe para ser divulgado ainda esse ano, como tributo ao 50º ano de sua morte. Aqueles interessados em mandar suas fotos para participarem do mosaico e homenagearem a grande figura feminina devem entrar no site e clicar no link “Marilyn Monroe – Now Open” para fazerem upload de uma foto pessoal.
Marilyn Monroe batalhou para ser a garota e mulher que todos queriam que ela fosse. Com muita frustração e insegurança, a loira conseguiu que tivéssemos essa imagem de forte e independente, e a maior homenagem é mostrar que mesmo 50 anos após sua morte, são muitas as mulheres que ainda querem ser como ela.
Foto: Júlia Paolieri

terça-feira, 17 de julho de 2012

De tanto acostumar

Por Marcela Millan

         
Às vezes me pergunto porque a gente complica tanto as coisas. Quer dizer... é só observar à nossa volta para perceber a quantidade de futilidade que necessitamos - é, não é nem questão de precisar. Maquiagem, colares, relógios, brincos, uma centena de roupas, milhares de bolsas e incontáveis pares de sapatos. Além do carro maior do que o necessário, só para nos trazer prestígio social.
          Surpreende-me como nós - claro que estou incluída - damos tanta atenção para a opinião dos outros, deixando de lado questões que são muito mais importantes. E, com isso, adquirimos uma montanha de objetos que muitas vezes nem nos agradam. Escolhemos a moda, mas, convenhamos, ela nem sempre está certa. Seguimos o que a mídia dita, entretanto esquecemos que temos nossos próprios gostos e que deles não deveríamos discordar nunca. Queremos tanto agradar os outros, que nos perdemos e, nessa perda, julgamos nossas próprias qualidades como defeitos.
          Porque, agora, ter cabelo encaracolado é o mesmo que ter cabelo "ruim". Ser um pouco mais gordinha nos tira a beleza, e não ter um Ipod nos deixa fora da sociedade. Como já disse, futilidades... Mas a pressão é tanta que nos fez a todos adquirirem chapinhas, usarmos saltos e entrarmos em dietas malucas. Até o mais pobre desfila com um celular do ultimo modelo, que paga em quarenta prestações, mesmo sem ter dinheiro para comprar o sustento do dia...
          É isso que me incomoda, a ponto de me fazer escrever. Essa ironia da cidade, tão presente em nossas vidas que até se torna banal. Acostumamo-nos, mas não deveríamos... Aceitamos, quando deveríamos discordar. Mas o medo de sermos taxados como rebeldes nos impede, fazendo-nos compactuar com um estereótipo social com que, francamente, deveríamos repulsar.