sexta-feira, 20 de julho de 2012

O simples ato de olhar

por Rosa Donnangelo

Era uma terça-feira normal. Não tão normal assim porque eu não tinha horário pra acordar e almoçar e nenhum trabalho da faculdade que me tirasse o sossego.  Sol, calor, céu azul. A tarde se aproximava e a possibilidade do encontro com alguns amigos era grande, era o dia perfeito mesmo. Ficou resolvido um almoço, e lá vou eu pra Av. Paulista.
Como mesmo sem horário pra nada eu insisto em ser pontual, resolvi esperar sentada naqueles degraus da Gazeta, a vista de lá não tem nada de muito diferente, não. Mas, o que faz qualquer lugar ser diferente é o modo como se olha pra ele. E esse fato só é compreensível quando, por alguns minutos, você se dedica a olhar. A olhar pausadamente, a prestar atenção nos detalhes, nas pessoas, no jeito de cada ser humano que passa por ali. Muitas vezes, a correria que nos é imposta faz com que histórias e momentos ímpares passem, sem que você perceba. Pois bem, dada a pequena lição, e dado o meu momento de reflexão nas escadas de um edifício, eis que surge um rapaz com um baralho nas mãos e outro com uma câmera. Pediram um minuto da minha atenção (e o que é um minuto, não é mesmo?) para mostrar o número de mágica que eles sabiam fazer. Dei-lhes então meia hora. É, meia hora. A mágica era sensacional, valia a pena, pode acreditar. Cartas de baralho daqui, caixa do baralho de lá, o baralho que aparece no chapéu de um, a carta que eu assinei que aparece dentro da caixa de baralho de lá. É, foi bem assim, uma surpresa atrás da outra, um truque novo a cada estalar de dedos do mágico. Pois bem, aquela meia hora foi, talvez, a melhor meia hora do dia. Eu ri, me diverti, e enfim... Aconteceu tudo isso por causa de duas pessoas que tinham alguma coisa pra me mostrar, que tinham história.
Você deve estar se perguntando: “Por que essas coisas nunca acontecem comigo?”. A resposta é bem simples: Porque você não está disposto a parar e olhar. Olhe, aprecie, há um mundo muito mais divertido fora do campo de visão a que você está habituado. 

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