por Rosa Donnangelo
Era uma terça-feira normal. Não tão normal
assim porque eu não tinha horário pra acordar e almoçar e nenhum trabalho da
faculdade que me tirasse o sossego. Sol,
calor, céu azul. A tarde se aproximava e a possibilidade do encontro com alguns
amigos era grande, era o dia perfeito mesmo. Ficou resolvido um almoço, e lá
vou eu pra Av. Paulista.
Como mesmo sem horário pra nada eu insisto em
ser pontual, resolvi esperar sentada naqueles degraus da Gazeta, a vista de lá
não tem nada de muito diferente, não. Mas, o que faz qualquer lugar ser
diferente é o modo como se olha pra ele. E esse fato só é compreensível quando,
por alguns minutos, você se dedica a olhar. A olhar pausadamente, a prestar
atenção nos detalhes, nas pessoas, no jeito de cada ser humano que passa por
ali. Muitas vezes, a correria que nos é imposta faz com que histórias e
momentos ímpares passem, sem que você perceba. Pois bem, dada a pequena lição,
e dado o meu momento de reflexão nas escadas de um edifício, eis que surge um
rapaz com um baralho nas mãos e outro com uma câmera. Pediram um minuto da
minha atenção (e o que é um minuto, não é mesmo?) para mostrar o número de
mágica que eles sabiam fazer. Dei-lhes então meia hora. É, meia hora. A mágica
era sensacional, valia a pena, pode acreditar. Cartas de baralho daqui, caixa
do baralho de lá, o baralho que aparece no chapéu de um, a carta que eu assinei
que aparece dentro da caixa de baralho de lá. É, foi bem assim, uma surpresa
atrás da outra, um truque novo a cada estalar de dedos do mágico. Pois bem,
aquela meia hora foi, talvez, a melhor meia hora do dia. Eu ri, me diverti, e
enfim... Aconteceu tudo isso por causa de duas pessoas que tinham alguma coisa
pra me mostrar, que tinham história.
Você deve estar se perguntando: “Por que
essas coisas nunca acontecem comigo?”. A resposta é bem simples: Porque você
não está disposto a parar e olhar. Olhe, aprecie, há um mundo muito mais
divertido fora do campo de visão a que você está habituado.
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