Poucos filmes atualmente fazem a gente pensar
e os que fazem, normalmente, são os com algum teor psicológico, como “Cisne
Negro” (do diretor Darren Aronofsky) ou “O Inquilino” (de Roman Polanski), e é
isso que ocorre após assistir “Precisamos Falar Sobre Kevin”, filme da diretora
Lynne Ramsay adaptado do Best Seller
homônimo de Lionel Shriver.
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| Os pais de Kevin atormentados |
O
filme fala de um assassinato em massa que ocorreu em uma escola por um aluno,
mas diferentemente dos demais filmes do gênero como “Tiros em Columbine” –
documentário de Michael Moore – e “Elefante” de Gus Van Sant, “Precisamos Falar
sobre Kevin” narra a história não linear, paralelamente, da mãe do homicida,
Eva (interpretada brilhantemente por Tilda Swinton) que vê sua vida alterada
completamente após o que seu filho faz e Kevin, que mais a frente descobrimos,
mata seus colegas.
Desde
pequeno Kevin era arredio à mãe, enquanto as outras crianças brincavam com suas
progenitoras, ele preferia ficar sozinho, se mostrava às vezes até desafiador a
ela. Com seu pai (interpretado por John C. Reilly), por outro lado, o garoto –
que quando cresce é interpretado pelo ótimo Ezra Muller – brinca, conversa
e trata muito bem, o que faz com que o pai ache que Eva está errada, quando
esta começa a se preocupar com, não apenas a saúde mental de seu filho, mas com seu caráter.
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| Eva e Kevin quando pequeno |
A
preocupação de Eva aumenta com o nascimento de sua segunda filha, ela não quer
que Kevin chegue nem um pouco perto dela e que muito menos, fiquem sozinhos. O
único momento em que a mãe sente uma ligação com o garoto é quando ele fica
doente e deixa que ela leia a história de Robbin Hood para ele antes de dormir,
sentindo essa aproximação, o pai decide presentear o garoto com um arco e
flecha de brinquedo, que mais à frente, é trocado por um real, com o qual Kevin
passa as tardes treinando tiro ao alvo e se torna, como saberemos, a arma para
seu massacre.
Ao
mesmo tempo, é apresentada a vida de Eva pós-massacre realizado por Kevin. Ela
se vê em meio a lembranças de sua vida antes do nascimento do menino, xingamentos
de moradores das redondezas e difamações. Além de ter o triste dever de visitar
seu filho na prisão que, assim como quando era criança, não apresenta nenhuma
intimidade com ela.
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| Kevin |
Como
a maioria das pessoas que o assiste, esse filme me chocou a princípio; com
cenas angustiantes e até de suspense – as quais a maioria não citei na resenha –
pois após seu fim, enquanto o letreiro subia, não pude parar de olhar pra tela
da TV e nem, muito menos, comentar nada. Porém, após ponderar sobre a história
narrada, questionei a mim mesma; o que motivou Kevin a matar? Sua mãe foi
culpada por sempre ter acreditado que ele era mau? O garoto é psicopata? Há,
realmente, algum culpado para tal ato? E pensando, descobri que tem dois lados
para todas as perguntas, ele tem tudo para ser psicopata, pois não sente nenhum
remorso do que fez, pelo menos é o que parece até a última cena do filme em que
ao ser questionado por que o fez, o garoto responde que “achava que sabia” e
chora ao abraçar sua mãe, mostrando sentimentos, algo incomum para um possível
psicopata. Sua mãe realmente o culpava por tudo, mas ela não tinha razão? Seu filho
realmente fazia tudo que ela achava ser culpa dele, às vezes das maneiras mais
cruéis existentes.
Ao
fim, posso afirmar que “Precisamos Falar Sobre Kevin” é um filme que todos
devem assistir, é obrigatório, não sendo apenas pela história narrada, mas pela
atuação brilhante de seus atores. E afirmo que todos irão se questionar do
mesmo modo que eu me questionei ao seu fim; o que é preciso para formar um
assassino? E se existe tal fórmula?
Trailer de "Precisamos Falar Sobre Kevin"



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