sábado, 7 de julho de 2012

Falando Sobre Kevin

Por Patricia S. Zylberman


          Poucos filmes atualmente fazem a gente pensar e os que fazem, normalmente, são os com algum teor psicológico, como “Cisne Negro” (do diretor Darren Aronofsky) ou “O Inquilino” (de Roman Polanski), e é isso que ocorre após assistir “Precisamos Falar Sobre Kevin”, filme da diretora Lynne Ramsay adaptado do Best Seller homônimo de Lionel Shriver.

Os pais de Kevin atormentados 
         O filme fala de um assassinato em massa que ocorreu em uma escola por um aluno, mas diferentemente dos demais filmes do gênero como “Tiros em Columbine” – documentário de Michael Moore – e “Elefante” de Gus Van Sant, “Precisamos Falar sobre Kevin” narra a história não linear, paralelamente, da mãe do homicida, Eva (interpretada brilhantemente por Tilda Swinton) que vê sua vida alterada completamente após o que seu filho faz e Kevin, que mais a frente descobrimos, mata seus colegas.
         Desde pequeno Kevin era arredio à mãe, enquanto as outras crianças brincavam com suas progenitoras, ele preferia ficar sozinho, se mostrava às vezes até desafiador a ela. Com seu pai (interpretado por John C. Reilly), por outro lado, o garoto – que quando cresce é interpretado pelo ótimo Ezra Muller – brinca, conversa e trata muito bem, o que faz com que o pai ache que Eva está errada, quando esta começa a se preocupar com, não apenas a saúde mental de seu filho, mas com seu caráter.

Eva e Kevin quando pequeno
         A preocupação de Eva aumenta com o nascimento de sua segunda filha, ela não quer que Kevin chegue nem um pouco perto dela e que muito menos, fiquem sozinhos. O único momento em que a mãe sente uma ligação com o garoto é quando ele fica doente e deixa que ela leia a história de Robbin Hood para ele antes de dormir, sentindo essa aproximação, o pai decide presentear o garoto com um arco e flecha de brinquedo, que mais à frente, é trocado por um real, com o qual Kevin passa as tardes treinando tiro ao alvo e se torna, como saberemos, a arma para seu massacre.
         Ao mesmo tempo, é apresentada a vida de Eva pós-massacre realizado por Kevin. Ela se vê em meio a lembranças de sua vida antes do nascimento do menino, xingamentos de moradores das redondezas e difamações. Além de ter o triste dever de visitar seu filho na prisão que, assim como quando era criança, não apresenta nenhuma intimidade com ela.

Kevin
         Como a maioria das pessoas que o assiste, esse filme me chocou a princípio; com cenas angustiantes e até de suspense – as quais a maioria não citei na resenha – pois após seu fim, enquanto o letreiro subia, não pude parar de olhar pra tela da TV e nem, muito menos, comentar nada. Porém, após ponderar sobre a história narrada, questionei a mim mesma; o que motivou Kevin a matar? Sua mãe foi culpada por sempre ter acreditado que ele era mau? O garoto é psicopata? Há, realmente, algum culpado para tal ato? E pensando, descobri que tem dois lados para todas as perguntas, ele tem tudo para ser psicopata, pois não sente nenhum remorso do que fez, pelo menos é o que parece até a última cena do filme em que ao ser questionado por que o fez, o garoto responde que “achava que sabia” e chora ao abraçar sua mãe, mostrando sentimentos, algo incomum para um possível psicopata. Sua mãe realmente o culpava por tudo, mas ela não tinha razão? Seu filho realmente fazia tudo que ela achava ser culpa dele, às vezes das maneiras mais cruéis existentes.
         Ao fim, posso afirmar que “Precisamos Falar Sobre Kevin” é um filme que todos devem assistir, é obrigatório, não sendo apenas pela história narrada, mas pela atuação brilhante de seus atores. E afirmo que todos irão se questionar do mesmo modo que eu me questionei ao seu fim; o que é preciso para formar um assassino? E se existe tal fórmula? 

                                         Trailer de "Precisamos Falar Sobre Kevin"


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