sexta-feira, 27 de julho de 2012

Vale a pena antecipar o desconhecido?

por: Júlia Paolieri

Sempre ouvimos que a primeira impressão é a que fica, mas também que elas podem, e muitas vezes são enganosas. Confiar cegamente nelas seria um erro. No entanto, a verdadeira questão é: quantos nunca se deixaram influenciar pela primeira impressão que tiveram de alguém? Por mais que queiramos nos enganar, muitas das nossas decisões de se relacionar com alguém, ou ao menos conversar, depende de gostarmos ou não do que pensamos ela ser.
Pesquisas afirmam que o cérebro leva apenas alguns poucos segundos para estabelecer uma opinião formada sobre uma pessoa, baseada apenas na primeira olhada para ela. A confiança que temos em nossa intuição normalmente nos leva a identificar pessoas segundo o que elas vestem e sua aparência, bem como se estão felizes ou não (mesmo sabendo que não dá para ficar feliz 24horas por dia).
                Sem citar nomes, lugares, nem nada pessoal, acredito que a única vez em que realmente entendi o porquê de não ser viável se guiar pelas primeiras impressões aconteceu há pouco tempo, depois de mais de zilhões de vezes em que esse dito popular foi colocado e martelado na minha cabeça. Acho que para realmente entendermos precisamos viver e aprender por nós mesmos, ao invés de aceitar ensinamentos alheios.
               Em suma, a pessoa cuja minha primeira, e até segunda impressão não foi muito agradável acabou por provar que ela não era nada do que eu tinha pensado. Conforme ela falava sobre seu passado e sobre sua vida e momentos, construí uma imagem dela, e talvez ela até tenha sido, ou seja desse jeito, mas a verdade é que não é possível conhecer alguém somente através de seu passado. Foi um simples e humilde gesto, na última vez em que a vi que confirmou que grande parte do que eu tinha pensado – esteja correto ou não – estava envolvido em uma personalidade muito maior, em um ser-humano muito maior do que minha ignorância tinha rotulado.
Se estamos em constante construção da nossa personalidade, tudo o que fazemos ainda está nos moldando. O passado das pessoas pode sim dizer muito sobre elas, mas nunca o total e nem sempre quem elas ainda são. Julgamentos e primeiras impressões são demasiado equivocados considerando que uma “batida de olho” não revela absolutamente nada a respeito de quem somos. E se naquele dia tive um problema e minha expressão está preocupada? Isso faz de mim uma pessoa triste? Se naquele dia tive vontade de sair de moletom? Isso significa que não tenho senso de moda ou não gosto de me arrumar?
           Primeiras impressões, sempre irão nos perseguir, e muitas vezes serão impossíveis de impedir, mas é possível que elas nos assombrem justamente para nos desafiar a não confiar nelas, e dar uma chance ao desconhecido.

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