Sempre ouvimos
que a primeira impressão é a que fica, mas também que elas podem, e muitas
vezes são enganosas. Confiar cegamente nelas seria um erro. No entanto, a
verdadeira questão é: quantos nunca se deixaram influenciar pela primeira
impressão que tiveram de alguém? Por mais que queiramos nos enganar, muitas das
nossas decisões de se relacionar com alguém, ou ao menos conversar, depende de
gostarmos ou não do que pensamos ela ser.
Pesquisas
afirmam que o cérebro leva apenas alguns poucos segundos para estabelecer uma
opinião formada sobre uma pessoa, baseada apenas na primeira olhada para ela. A
confiança que temos em nossa intuição normalmente nos leva a identificar
pessoas segundo o que elas vestem e sua aparência, bem como se estão felizes ou
não (mesmo sabendo que não dá para ficar feliz 24horas por dia).
Sem
citar nomes, lugares, nem nada pessoal, acredito que a única vez em que
realmente entendi o porquê de não ser viável se guiar pelas primeiras
impressões aconteceu há pouco tempo, depois de mais de zilhões de vezes em que
esse dito popular foi colocado e martelado na minha cabeça. Acho que para
realmente entendermos precisamos viver e aprender por nós mesmos, ao invés de
aceitar ensinamentos alheios.
Em
suma, a pessoa cuja minha primeira, e até segunda impressão não foi muito
agradável acabou por provar que ela não era nada do que eu tinha pensado.
Conforme ela falava sobre seu passado e sobre sua vida e momentos, construí uma
imagem dela, e talvez ela até tenha sido, ou seja desse jeito, mas a verdade é
que não é possível conhecer alguém somente através de seu passado. Foi um
simples e humilde gesto, na última vez em que a vi que confirmou que grande
parte do que eu tinha pensado – esteja correto ou não – estava envolvido em uma
personalidade muito maior, em um ser-humano muito maior do que minha ignorância
tinha rotulado.
Se estamos em
constante construção da nossa personalidade, tudo o que fazemos ainda está nos
moldando. O passado das pessoas pode sim dizer muito sobre elas, mas nunca o
total e nem sempre quem elas ainda são. Julgamentos e primeiras impressões são
demasiado equivocados considerando que uma “batida de olho” não revela
absolutamente nada a respeito de quem somos. E se naquele dia tive um problema
e minha expressão está preocupada? Isso faz de mim uma pessoa triste? Se
naquele dia tive vontade de sair de moletom? Isso significa que não tenho senso
de moda ou não gosto de me arrumar?
Primeiras
impressões, sempre irão nos perseguir, e muitas vezes serão impossíveis de
impedir, mas é possível que elas nos assombrem justamente para nos desafiar a
não confiar nelas, e dar uma chance ao desconhecido.
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