terça-feira, 10 de julho de 2012

As flores de Yimou

por Vanessa Ramos
Pôster do filme (The Flowers of War)

Flores do Oriente foi o candidato chinês na categoria Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2012 e também indicado ao Globo de Ouro em 2011.

O longa é dirigido pelo renomado diretor chinês Zhang Yimou de O Clã das Adagas Voadoras, A Maldição da Flor Dourada e Herói.

Ao ver a assinatura de Zhang Yimou, não se pode esconder a expectativa que nutrimos até o início do filme. Em parte, podemos perceber que Yimou se rende a indústria hollywoodiana, mas Flores do Oriente está longe de ser um filme de guerra qualquer.
Para mim, duas cenas do filme defendem e honram a direção de Zhang Yimou:
A cena de explosão onde origamis coloridos sobressaem ao cenário sombrio dos destroços, durante esta sequência um único soldado chinês mata vários militares do império japonês e as cenas onde as cortesãs cantam e dançam sob o som de violinos, canções lendárias sobre a cultura chinesa e sobre o trabalho destas.
Christian Bale sendo dirigido por Zhang Yimou

 No filme, Bale interpreta o coveiro John Miller, um típico anti-herói: alcóolatra e oportunista, que assume o lugar de um padre e passa a então viver em um convento que abriga estudantes e prostitutas durante a guerra.




O cenário é a guerra sino-japonesa, em um episódio conhecido como o Massacre de Nanquim (tomada do exército imperial japonês ao distrito chinês de Nanquim, durante a 2ª Guerra Mundial em 1937), também é lembrado por seu grande número de civis, principalmente mulheres, que foram mortas e violentadas. Portanto trata-se de um filme que nos traz certo desconforto. Em meio a este cenário hostil desenvolvem-se as tramas paralelas, como o romance entre John e, uma das prostitutas, Yu Mo (Ni Ni), e também a relação de conflito entre uma das estudantes (a narradora do romance) e seu pai (um chinês que dá informações aos inimigos em troca da salvação da filha)


E para dizer que não falamos das flores, estas aqui estão, são as verdadeiras heroínas do drama baseado no romance de Yan Geling, The 13 Women of Nanjing:


 O filme de Yimou a todo tempo reforça a ideia central da culpa, da redenção e da preservação da inocência. Em certo momento John mente para as meninas do convento sobre o que lhes espera caso estas se encontrem com os japoneses, apesar destas já conhecerem seu trágico destino, o importante é perceber o que é bem colocado pela personagem Yu Mo:
 “Às vezes a verdade é a última coisa que precisamos ouvir




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