Às vezes me pergunto porque a gente complica tanto as coisas.
Quer dizer... é só observar à nossa volta para perceber a quantidade de
futilidade que necessitamos - é, não é nem questão de precisar. Maquiagem,
colares, relógios, brincos, uma centena de roupas, milhares de bolsas e
incontáveis pares de sapatos. Além do carro maior do que o necessário, só para nos trazer prestígio social.
Surpreende-me como nós - claro que estou incluída - damos tanta atenção para a
opinião dos outros, deixando de lado questões que são muito mais importantes.
E, com isso, adquirimos uma montanha de objetos que muitas vezes nem nos
agradam. Escolhemos a moda, mas, convenhamos, ela nem sempre está certa.
Seguimos o que a mídia dita, entretanto esquecemos que temos nossos próprios
gostos e que deles não deveríamos discordar nunca. Queremos tanto agradar os
outros, que nos perdemos e, nessa perda, julgamos nossas próprias qualidades
como defeitos.
Porque,
agora, ter cabelo encaracolado é o mesmo que ter cabelo "ruim". Ser
um pouco mais gordinha nos tira a beleza, e não ter um Ipod nos deixa fora da
sociedade. Como já disse, futilidades... Mas a pressão é tanta que nos fez a
todos adquirirem chapinhas, usarmos saltos e entrarmos em dietas malucas. Até o
mais pobre desfila com um celular do ultimo modelo, que paga em quarenta
prestações, mesmo sem ter dinheiro para comprar o sustento do dia...
É isso
que me incomoda, a ponto de me fazer escrever. Essa ironia da cidade, tão
presente em nossas vidas que até se torna banal. Acostumamo-nos, mas não
deveríamos... Aceitamos, quando deveríamos discordar. Mas o medo de sermos
taxados como rebeldes nos impede, fazendo-nos compactuar com um estereótipo
social com que, francamente, deveríamos repulsar.
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