terça-feira, 17 de julho de 2012

De tanto acostumar

Por Marcela Millan

         
Às vezes me pergunto porque a gente complica tanto as coisas. Quer dizer... é só observar à nossa volta para perceber a quantidade de futilidade que necessitamos - é, não é nem questão de precisar. Maquiagem, colares, relógios, brincos, uma centena de roupas, milhares de bolsas e incontáveis pares de sapatos. Além do carro maior do que o necessário, só para nos trazer prestígio social.
          Surpreende-me como nós - claro que estou incluída - damos tanta atenção para a opinião dos outros, deixando de lado questões que são muito mais importantes. E, com isso, adquirimos uma montanha de objetos que muitas vezes nem nos agradam. Escolhemos a moda, mas, convenhamos, ela nem sempre está certa. Seguimos o que a mídia dita, entretanto esquecemos que temos nossos próprios gostos e que deles não deveríamos discordar nunca. Queremos tanto agradar os outros, que nos perdemos e, nessa perda, julgamos nossas próprias qualidades como defeitos.
          Porque, agora, ter cabelo encaracolado é o mesmo que ter cabelo "ruim". Ser um pouco mais gordinha nos tira a beleza, e não ter um Ipod nos deixa fora da sociedade. Como já disse, futilidades... Mas a pressão é tanta que nos fez a todos adquirirem chapinhas, usarmos saltos e entrarmos em dietas malucas. Até o mais pobre desfila com um celular do ultimo modelo, que paga em quarenta prestações, mesmo sem ter dinheiro para comprar o sustento do dia...
          É isso que me incomoda, a ponto de me fazer escrever. Essa ironia da cidade, tão presente em nossas vidas que até se torna banal. Acostumamo-nos, mas não deveríamos... Aceitamos, quando deveríamos discordar. Mas o medo de sermos taxados como rebeldes nos impede, fazendo-nos compactuar com um estereótipo social com que, francamente, deveríamos repulsar.


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