quinta-feira, 19 de julho de 2012

Um japão não tão distante


Por Marcela Millan

Quem nunca assistiu um desenho animado e se identificou com o protagonista? Quem nunca pensou em se transportar para um universo irreal, para se tornar um personagem de alguma ficção? Mais comum do que se parece, esses são pensamentos que não se restringem a vida de uma criança. Cada vez mais presentes, os otakus, como são chamados, alimentam suas paixões por esse lado da cultura japonesa, que não esconde o fascínio que os animes (animação japonesa), mangás e games podem proporcionar à uma pessoa. Talvez por isso a escolha do termo otaku, que, em japonês, quer dizer fanático, mas que foi resignificado, usado, então, para  rotular esses fãs da cultura nipônica.
Dispersados, os otakus parecem se mostrar um grupo “silencioso”, isso porque são poucos os momentos propícios para que eles possam demonstrar toda sua energia e presença. São em eventos, que, atualmente, tornam-se cada vez maiores, que eles têm total liberdade para se mostrar, deixando claro a força que a cultura japonesa tem, especialmente, no Brasil.
O Anime Friends, evento que ocorreu do dia 5 a 15 de julho, na Faculdade Cantareira, é, quem sabe, o melhor exemplo dessa força, que não pode ser contestada quando se pensa na magnitude do evento – só no ultimo dia, eram esperadas mais de 40 mil pessoas. O Anime Friends reuniu tudo que essa grande quantidade de fãs da cultura japonesa precisava. Ícone, o evento atraiu mais de 270 caravanas e contou com inúmeros shows, salas tematicas, estandes, dubladores e até mesmo o famoso Paul Zaloon, que ficou conhecido pelo seu papel como cientista de O Mundo de Beakman. “Essa foi a primeira vez que fui ao Anime Friends e preciso dizer que foi um dos melhores dias da minha vida. Havia muitos estandes e salas, realmente muito divertido. Só posso dizer que valeu a pena”, contou Ricardo Giantomaso, 19 anos. 
Lotação no última dia de evento

Talvez a principal atração de todo o evento seja os famosos Cosplays – palavra que vem da junção de costume (traje/fantasia) e play / roleplay (brincadeira, interpretação). O cosplay é um hobby que consiste em fantasiar-se de personagens, em geral, de quadrinhos, games e desenhos animados japoneses. Dominando a Faculdade, os cosplayers (aquele que faz cosplay) eram mais do que convidados – eram parte indispensável do evento.  “Posso até ter visto menos cosplayers do que ano passado, mas com certeza vejo cosplays melhores, mais bem feitos e planejados” – comentou Carla, 17 anos. E nem o frio foi capaz de atrapalhar esses fãs que demonstravam sua paixão da forma mais aparente possível – literalmente, se vestindo como o personagem. “Fazer cosplay foi algo inovador para mim”, continuou Ricardo. “Sempre via fotos e sempre tive vontade, mas só agora pude concretizar meu sonho e fiz o meu cosplay do Sanji (One Piece). Foi algo totalmente diferente. Nos eventos anteriores eu simplesmente achava que quem fazia cosplay era a estrela do evento, e dessa vez eu me senti a estrela... Encarnei o personagem, e tentei agir igual ao mesmo. Então, para mim, fazer cosplay significa mais do que apenas se fantasiar, significa admirar o personagem”.
Fotos: Reprodução

Nisso, Aline Hirata concorda: “Pra mim, fazer cosplay é quase como um trabalho, principalmente no meu ultimo cosplay, que abriu as portar para participar de um programa de TV, algumas entrevistas e conhecer gente do alto escalão dos eventos. Mas acima de tudo, acho que fazer cosplay é poder se transformar por um dia naquele personagem”.  E Guilherme Motta, 16, vai mais além: “Fazer cosplay me faz, por um momento, esquecer do mundo sem graça em que vivo. É com cosplay que faço o que realmente gosto”.
Além dos cosplays, todos são unanimes ao dizer que Beakman era uma das atrações mais esperadas esse ano. Vestido a carater (avental verde e peruca de cabelo espetado), Paul Zaloon fez alguns números de ciência, assim como acontecia em seu programa televisivo. Emocionando a plateia – algumas pessoas choravam antes mesmo dele entrar no palco – o ator contou um pouco de sua vida e carreira. "É o emprego mais legal que eu já tive. Ríamos o dia inteiro”, chegou a comentar. Ainda completou falando que não se cansava de ouvir histórias de jovens que se tornaram cientistas por causa de seu programa. Com um carísma inenarravel, Zaloon deixou o palco com uma ovação e ainda distribuiu autografos e fotos para fãs de todas as idades.


A única reclamação recorrente foi em relação ao preço dos ingressos. Principalmente quando se pensava no ultimo final de semana, em que a entrada chegou a custar 45 reais. “O preço dos ingressos estava meio caro, muita gente deixou de ir por causa disso”, colocou Ricardo. Ainda falou-se na lotação, que inegavelmente ocorreu, mas que, nem assim, foi capaz de tirar a alegria do evento.

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