por Thaís Folgosi e Rosa Donnangelo
Até Tim Burton se rende aos vampiros. Em
“Sombras da Noite” o cineasta norte-americano se inspirou na série
sobrenatural, “Dark Shadows”, tanto, Burton quanto seu parceiro de longa data,
Johnny Depp, que marca a 8ª parceria entre os dois, declararam-se fãs do
seriado. A trilha sonora soa diferente das outras colaborações de Burton com
Danny Elfman, desta vez, as músicas são as que marcaram a década de 70, ao som
de The Carpenters, Iggy Pop e Barry White, e as composições orquestrais de
Elfman ficam reservadas a poucas cenas. A ilustre presença do cantor Alice
Cooper, interpretando a si mesmo, como ícone da época e com direito a
performance, enriquece a caracterização do momento vivido. Burton retrata de
forma magistral as pieguices desses anos, com as roupas de paetês, os cabelos
com laquê e até mesmo, os hippies.
Os filmes de Burton sempre foram ricos
visualmente, e neste quesito, “Sombras da Noite” não perde em nada. Os cenários
são detalhadamente elaborados, criando uma atmosfera misteriosa e sombria, em
perfeita harmonia com a história. Além da mansão dos Collins (família que é o
centro do enredo) ser ostensiva para mostrar a riqueza que eles arrecadaram, no
século 18, apesar da situação atual de decadência (passada em 1972). A
maquiagem, outro elemento considerável nos filmes do diretor, também ajuda na
caracterização das personagens. Como as unhas postiças do vampiro, Barnabas
Collins (Johnny Depp) e o cabelo e as sombras psicodélicas da terapeuta da
família, Dra. Julia Hoffman (Helena Bonham Carter). Além disso, o elenco está
em perfeita harmonia, fazendo com que o filme, seja um agradável passatempo.
Ao manter a não linearidade, o diretor prende
a atenção dos espectadores alimentando sua curiosidade em torno da vida do
personagem principal, Barnabas (Johnny Depp). O nome do filme sugere algo mais
sombrio, e é assim justamente por conter seres míticos, que vão desde os
vampiros até as bruxas. Porém, o filme quase nada tem de terror, mistura vários
gêneros e é o que o torna diferenciado e divertido de assistir. A comédia e o
romance prevalecem, de forma cuidadosa e sutil, e “Sombras da Noite” perde o
caráter de terror quando Barnabas se liberta finalmente após 200 longos anos
dentro de um caixão: o desenvolvimento da sociedade em pleno 1972 o assusta e o
intriga, e as cenas que contém esse momento são, sem dúvida, as mais engraçadas
do filme, e são protagonizadas por, ninguém mais, ninguém menos que Johnny
Depp. O romance não é algo excessivo ou exagerado, porém, é em torno de um
triângulo amoroso que se desenvolve: Angelique (Eva Green) é magoada por
Barnabas porque este ama verdadeiramente Josette (Bella Heathhcote). Além de
romance, esse triângulo é que gera o conflito principal do filme.
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| Foto: Reprodução |
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| Foto: Reprodução |


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