quarta-feira, 25 de abril de 2012

Uma Questão de Gosto.

 
Escrevo porque fiquei revoltada - é, não vamos deixar o nível cair - com algo que aconteceu há alguns dias. Em um mundo que se debate tanto sobre preconceito, surpreende-me o quão hipócritas podemos ser. Ou, quem sabe, falsos - mas não com os outros, e sim com nós mesmos.
Sempre tive uma amiga bissexual. Meu relacionamento com ela não era nada diferente de qualquer outro. Ela sabia de meu gosto, e eu do dela, e tudo continuava normal. Claro que ela não entrava em detalhes comigo... até porque, fosse mulher com mulher, homem com homem ou mulher com homem - não muda nada! - seria constrangedor. Até aí, tudo bem. Só amaldiçoo o dia em que eu resolvi abrir a boca.
O assunto surgiu do nada, em uma roda de conversas. Mantive-me calada por um bom tempo, evitando a discussão que eu já previa. Típica libriana, costumo fugir desse tipo de coisa... mas acabei não conseguindo, dessa vez.
          "É anti-natural" - disse um amigo, que o nome não convém. "Homem e mulher foram feitos para ficarem juntos, e quando isso não acontece, é estranho. Não deve ser assim, não é certo! Vai contra a natureza humana."
Meu primeiro instinto foi deixar o lugar no mesmo segundo, tamanha ignorância e preconceito que vi naquela fala. Entretanto, como poucas vezes  faço, acabei levando a discussão ao ápice. Quando discutimos gostos, ninguém me critica por ser uma menina que prefere o azul ao rosa, ou a pizza ao hamburguer. Ninguém discute o porquê disso, já que é simplesmente uma questão de gosto. Entretanto, quando enveredamos pelo caminho da homossexualidade, o quadro se inverte. Parece que existe um tabu. Como se a sexualidade de uma pessoa fosse um tipo de doença contaminosa...! Francamente, esse medo de falar é ridículo. E, claro, esse medo leva a outros, como o de assumir sua preferência. Você não é melhor ou pior simplesmente porque gosta de algo diferente - que, aliás, nem é tão diferente assim.
Não pretendo ser moralista aqui, e talvez nem saia do senso comum – a verdade é que esse texto é quase um desabafo, um grito que, por muito tempo, foi abafado. Diante de tantos casos de agressões contra homossexuais que foram divulgados nos ultimos meses, não podia me manter calada. E, de tudo isso, acho que só concluo uma coisa: não importa como a sociedade se comporte frente ao homossexualismo, acho que quem assume o que é, sem se preocupar com os julgamentos, merece o respeito de todos. Porque passar por cima desse grande preconceito é, realmente, um enorme ato de coragem.

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