quarta-feira, 25 de abril de 2012

Por onde anda?



Por onde anda o bom senso? Deve ter sido perdido quando começou a se falar em padrão de beleza. Mulheres famosas e modelos de revistas conceituadas posam para fotos que geram polêmica no instante em que são publicadas pela magreza excessiva em que as fotografadas se encontram. Ossos em exposição e, muitas vezes, uma falsa aparência de saúde assustam médicos e até mesmo alguns profissionais do mundo da moda. Quando há susto e indignação, ainda pode haver alguma esperança. Mas, quando essas imagens são observadas com louvor e cultuadas, o problema toma proporções ainda maiores. As famosas e as próprias modelos se esquecem de que há um público que as segue, que tenta ser quem elas são, que se espelham e as têm como ídolo, muitas vezes a qualquer custo.
A Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética realizou uma pesquisa com mais de 20 mil cirurgiões plásticos em 84 países há pouco mais de dois anos com o seguinte tema: “Que influência as pessoas famosas têm sobre as decisões tomadas pelos pacientes?” Foi solicitado que os doutores estabelecessem uma ligação entre nomes de famosos e onze procedimentos populares. Seios e lábios se destacaram. Os seios deviam ficar iguais aos de Pamela Anderson e Angelina Jolie foi a maior influência das mulheres que operavam os lábios. A pesquisa revela que o padrão de beleza nunca é natural, ele é estabelecido pelas pessoas notáveis, as celebridades. A expressões “ser você mesmo “ e “aceite-se como é” estão vazias de sentido.
A Vogue Italiana, referência no que diz respeito à moda e beleza, divulgou em seu site algumas fotos da modelo Karlie Kloss, 19, em um ensaio fotográfico, em dezembro do ano passado. Até esse ponto, nenhum fato assustador. O problema estava em uma foto que salientava a magreza da modelo. Os ossos protuberantes no quadril geraram polêmica e a foto foi usada em sites que apoiavam a anorexia. A revista tirou a foto do site e pediu desculpas. As desculpas foram aceitas e a Vogue continua em circulação e exibe modelos magérrimas, da mesma maneira. Karlie Kloss disse que é adepta das atividades físicas.
 
© STEVEN MEISEL

Flávia Santos, 17, modela há mais de um ano, trabalha para duas agências e estuda. Ela falou um pouco da rotina de trabalho, da alimentação e deu sua opinião sobre o caso Vogue: “A Vogue é referência no mundo fashion e por isso, os profissionais são exigentes”. Flávia comentou que quando fez o curso de moda, teve também um curso de alimentação, onde aprendeu a importância de comer moderadamente ao menos seis vezes por dia. Segundo a modelo, “o mundo da moda é muito competitivo, é uma querendo ser melhor que a outra, e esse é um dos fatores que influenciam bastante nas atitudes da modelo perante o corpo”. Questionada a respeito da influência exercida pelas famosas dentro de sua carreira como modelo Flávia afirmou que “Toda menina iniciante procura se espelhar em uma modelo famosa, e ela gosta bastante da Gisele Bündchen porque a modelo começou de baixo e pouco a pouco foi conquistando espaço, e que o que Gisele deixa são ensinamentos de persistência e luta pelos sonhos”.  Flávia afirmou também que nunca teve nenhum distúrbio alimentar e que cuida da imagem porque é o que conta para o seu trabalho.     
Não se deve esquecer de que Flávia tem o corpo exigido pelas agências. Pesa 50kg e tem 1,72 de altura. Mas, e as outras milhares de adolescentes no país que sonham em ter a chance que Flávia teve? Apenas são assombradas pelo tal do padrão de beleza. Martirizam-se diariamente, tentam alcançar o corpo das mulheres da revista. É uma luta constante. Não pelos sonhos, como disse Flávia na entrevista, mas uma luta por um corpo que não é o seu, por um espaço que não concede vez a quem não tem o “perfil adequado”. Essas meninas, ainda novas, caem nas armadilhas de um mundo sem escrúpulos, onde até o corpo é padronizado.

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