por Rosa Donnangelo
Por onde anda o bom
senso? Deve ter sido perdido quando começou a se falar em padrão de beleza.
Mulheres famosas e modelos de revistas conceituadas posam para fotos que geram
polêmica no instante em que são publicadas pela magreza excessiva em que as
fotografadas se encontram. Ossos em exposição e, muitas vezes, uma falsa
aparência de saúde assustam médicos e até mesmo alguns profissionais do mundo
da moda. Quando há susto e indignação, ainda pode haver alguma esperança. Mas,
quando essas imagens são observadas com louvor e cultuadas, o problema toma
proporções ainda maiores. As famosas e as próprias modelos se esquecem de que
há um público que as segue, que tenta ser quem elas são, que se espelham e as
têm como ídolo, muitas vezes a qualquer custo.
A Sociedade
Internacional de Cirurgia Plástica Estética realizou uma pesquisa com mais de
20 mil cirurgiões plásticos em 84 países há pouco mais de dois anos com o
seguinte tema: “Que influência as pessoas famosas têm sobre as decisões tomadas
pelos pacientes?” Foi solicitado que os doutores estabelecessem uma ligação
entre nomes de famosos e onze procedimentos populares. Seios e lábios se
destacaram. Os seios deviam ficar iguais aos de Pamela Anderson e Angelina
Jolie foi a maior influência das mulheres que operavam os lábios. A pesquisa
revela que o padrão de beleza nunca é natural, ele é estabelecido pelas pessoas
notáveis, as celebridades. A expressões “ser você mesmo “ e “aceite-se como é”
estão vazias de sentido.
A Vogue Italiana,
referência no que diz respeito à moda e beleza, divulgou em seu site algumas fotos
da modelo Karlie Kloss, 19, em um ensaio fotográfico, em dezembro do ano
passado. Até esse ponto, nenhum fato assustador. O problema estava em uma foto
que salientava a magreza da modelo. Os ossos protuberantes no quadril geraram
polêmica e a foto foi usada em sites que apoiavam a anorexia. A revista tirou a
foto do site e pediu desculpas. As desculpas foram aceitas e a Vogue continua
em circulação e exibe modelos magérrimas, da mesma maneira. Karlie Kloss disse
que é adepta das atividades físicas.
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| © STEVEN MEISEL |
Flávia Santos, 17,
modela há mais de um ano, trabalha para duas agências e estuda. Ela falou um
pouco da rotina de trabalho, da alimentação e deu sua opinião sobre o caso
Vogue: “A Vogue é referência no mundo fashion e por isso, os profissionais são
exigentes”. Flávia comentou que quando fez o curso de moda, teve também um
curso de alimentação, onde aprendeu a importância de comer moderadamente ao
menos seis vezes por dia. Segundo a modelo, “o mundo da moda é muito
competitivo, é uma querendo ser melhor que a outra, e esse é um dos fatores que
influenciam bastante nas atitudes da modelo perante o corpo”. Questionada a
respeito da influência exercida pelas famosas dentro de sua carreira como
modelo Flávia afirmou que “Toda menina iniciante procura se espelhar em uma
modelo famosa, e ela gosta bastante da Gisele Bündchen porque a modelo começou
de baixo e pouco a pouco foi conquistando espaço, e que o que Gisele deixa são
ensinamentos de persistência e luta pelos sonhos”. Flávia afirmou também que nunca teve nenhum distúrbio
alimentar e que cuida da imagem porque é o que conta para o seu trabalho.
Não
se deve esquecer de que Flávia tem o corpo exigido pelas agências. Pesa 50kg e
tem 1,72 de altura. Mas, e as outras milhares de adolescentes no país que
sonham em ter a chance que Flávia teve? Apenas são assombradas pelo tal do
padrão de beleza. Martirizam-se diariamente, tentam alcançar o corpo das
mulheres da revista. É uma luta constante. Não pelos sonhos, como disse Flávia
na entrevista, mas uma luta por um corpo que não é o seu, por um espaço que não
concede vez a quem não tem o “perfil adequado”. Essas meninas, ainda novas,
caem nas armadilhas de um mundo sem escrúpulos, onde até o corpo é padronizado.

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