quarta-feira, 25 de abril de 2012

Cendrillon não é ballet?




Achei interessante o fato de o Cinemark, em parceria com o The Royal Opera House of London, estar exibindo grandes clássicos da casa. Como simpatizante no assunto, resolvi conferir o espetáculo Cendrillon (Cinderela em francês), pensando se tratar de uma apresentação de ballet, o que me pegou de surpresa quando descobri se tratar de uma ópera. Eu nunca tinha assistido a uma antes!
           No papel da famosa princesa está a mezzo-soprano (voz mais grave feminina) americana Joyce DiDonato,particularmente admirada por suas interpretações das obras de Handel, Mozart e Rossini. E no papel de Prince Charmant – para meu espanto e de metade da platéia leiga no assunto como eu – a soprano Alice Coote, dona de uma voz estonteante e que conseguiu atuar seu papel com grande virilidade. Isso mesmo, o principe é interpretado por uma mulher! O motivo para tal é o fato de a casa ter seguido as recomendações do libreto original de Henri Cain (autor da ópera), que exigia uma soprano com sentimento. Porém, o destaque ficou para a fada madrinha interpretada por Eglise Guttiérez, que colocou um toque sensual e cômico ao famoso personagem, além de seu figurino colorido.


          O cenário é muito simples. É formado apenas pelo livro da história em francês, que muda rapidamente de posição se tornado um novo e diferente ambiente a cada cena. O espetáculo desde o começo anuncia que aquilo é uma narração de um conto de fadas, por isso do livro como cenário. O intuito é você entrar na história. No grande finale, os cantores saem do personagem, anúnciam que aquilo é um conto e que esperam que todos tenham gostado. Os figurinos são maravilhosos. O destaque está na cena do baile, onde todas as pretendentes do principe e os guardas do castelo estão de vermelho, simbolizando a angustia em que vive o monarca por não encontrar o seu grande amor.


          Cendrillon, composta por Jules Massenet, um dos mais famosos do romantismo francês, é uma ópera não muito conhecida e raramente encenada. Apresentada pela primeira vez no The Royal Opera House, teve a produção de Laurent Pelly, cujos trabalhos anteriores mais conhecidos são La Fille du Régiment, L’Elisir d’Amore e Manon. O que marca suas produções são a leveza, a espiritualidade, a elegância e os cenários e figurinos encantadores. Os pontos altos da ópera são as danças orquestrais do baile, a Marcha das Princesas e os duetos apaixonados entre o príncipe e a Cinderela. O regente é Bertrand de Billy, e sua orquestra faz um show a parte com solo dslumbrantes de flauta e oboé.
          Por mais que o preço da sessão seja salgado (R$50,00 a inteira), é uma ótima oportunidade para conhecer um estilo de arte não muito comum em nossa cultura. Com certeza a sensação de assistir ao vivo não é a mesma de ver na tela, porém tem-se a vantagem de ver as expressões dos artistas e closes da orquestra. As próximas atrações serão Rigoletto (que será ao vivo, ou seja, a apresentação ocorrerá em Londres e será “televisionada” no cinema), Così fan tutte, Il Trittico e Macbeth

  

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