por Gabriella Justo
Achei
interessante o fato de o Cinemark, em
parceria com o The Royal Opera House of
London, estar exibindo grandes clássicos
da casa. Como simpatizante no assunto, resolvi conferir o espetáculo Cendrillon (Cinderela em francês),
pensando se tratar de uma apresentação de ballet, o que me pegou de surpresa
quando descobri se tratar de uma ópera. Eu nunca tinha assistido a uma antes!
No papel da famosa princesa está a
mezzo-soprano (voz mais grave feminina) americana Joyce DiDonato,particularmente admirada por suas
interpretações das obras de Handel, Mozart e Rossini. E no papel de Prince Charmant – para meu espanto e de
metade da platéia leiga no assunto como eu – a soprano Alice Coote, dona de uma
voz estonteante e que conseguiu atuar seu papel com grande virilidade. Isso
mesmo, o principe é interpretado por uma mulher! O motivo para tal é o fato de
a casa ter seguido as recomendações do libreto original de Henri Cain (autor da
ópera), que exigia uma soprano com sentimento. Porém, o destaque ficou para a
fada madrinha interpretada por Eglise Guttiérez, que colocou um toque sensual e
cômico ao famoso personagem, além de seu figurino colorido.
O cenário é muito simples. É formado
apenas pelo livro da história em francês, que muda rapidamente de posição se
tornado um novo e diferente ambiente a cada cena. O espetáculo desde o começo
anuncia que aquilo é uma narração de um conto de fadas, por isso do livro como
cenário. O intuito é você entrar na história. No grande finale, os cantores saem do personagem, anúnciam que aquilo
é um conto e que esperam que todos tenham gostado. Os figurinos são
maravilhosos. O destaque está na cena do baile, onde todas as pretendentes do
principe e os guardas do castelo estão de vermelho, simbolizando a angustia em
que vive o monarca por não encontrar o seu grande amor.
Cendrillon,
composta por Jules Massenet, um dos mais famosos do romantismo francês, é uma
ópera não muito conhecida e raramente encenada. Apresentada pela primeira vez
no The Royal Opera House, teve a
produção de Laurent Pelly, cujos trabalhos anteriores mais conhecidos são La
Fille du Régiment, L’Elisir d’Amore e Manon. O que marca suas produções são a
leveza, a espiritualidade, a elegância e os cenários e figurinos encantadores.
Os pontos altos da ópera são as danças orquestrais do baile, a Marcha das
Princesas e os duetos apaixonados entre o príncipe e a Cinderela. O regente é
Bertrand de Billy, e sua orquestra faz um show a parte com solo dslumbrantes de
flauta e oboé.
Por mais que o preço da sessão seja
salgado (R$50,00 a inteira), é uma ótima oportunidade para conhecer um estilo
de arte não muito comum em nossa cultura. Com certeza a sensação de assistir ao
vivo não é a mesma de ver na tela, porém tem-se a vantagem de ver as expressões
dos artistas e closes da orquestra. As próximas atrações serão Rigoletto (que será ao vivo, ou seja, a
apresentação ocorrerá em Londres e será “televisionada” no cinema), Così fan tutte, Il Trittico e Macbeth.



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