segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Feitos para morrer de rir e chorar


Por Marcela Millan




“... Quer fazer Deus dar uma gargalhada? Conte-lhe os seus planos.”
"Ninguem é capaz de nos fazer sentir coisa alguma. Nossos sentimentos são responsabilidade nossa”



          Chick-Lit. Quando escutamos essa palavra, logo imaginamos que o que temos diante de nós é um livro “mulherzinha”, água-com-açúcar, completamente clichê, o que dirá fútil. Há um preconceito que envolve esse gênero literário, que é condenado por muitos simplesmente por tratar de “coisas da vida”. Apesar disso, existe um nome que parece passar por cima de todas essas barreiras, fazendo sucesso no mundo inteiro: Marian Keyes. Autora dos Bestsellers Melancia, Férias!, Sushi e muitos outros, Marian conquistou um grande público leitor por tratar de assuntos, por vezes delicados, com muito humor e leveza.
          Marian é irlandesa e não teve uma vida fácil. Por muitos anos morou em Londres, onde trabalhou como garçonete e acabou descobrindo-se alcoólatra. Durante essa época chegou até mesmo a tentar suicídio, e foi obrigada a recorrer a tratamentos para se curar. Foi só quando parou de beber que fez sucesso na literatura – hoje é uma autora mundialmente famosa, sempre em destaque no hanking dos mais vendidos. Um de seus mais recentes bestsellers, Tem Alguém Aí?, venceu o Popular Fiction Award no concurso British Book Awards.
          Trazendo perfis de mulheres modernas, independentes, Marian Keyes retrata bem a rotina dessa nova mãe-esposa-trabalhadora. Narra sua rotina tripla, seus problemas amorosos, de peso, no trabalho, no namoro, no casamento, no divorcio e, como se tudo isso não bastasse, envereda por caminhos mais complicados, como a violência doméstica, depressão pós parto, toxicomania, luto. Tudo com um modo tão intimo de falar que a narradora parece ser sua melhor amiga, que está no sofá de sua sala, tão próxima que é impossível não se identificar. Mas talvez o verdadeiro diferencial da autora seja sua enorme facilidade para fazer com que esses perfis se tornem completamente realistas. A mulher, mesmo que independente, tem suas inseguranças, é frágil e sujeita a erros; o homem não é um príncipe e, por vezes, enterra-se no trabalho, mas, claro, tem suas qualidades. E até o amor passa bem longe daquele idealizado: “Dizem que o caminho do verdadeiro amor jamais corre desempedido. Bem, o caminho do meu amor por Luke não corria, capengava, como se usasse botas novas que esfolam os calcanhares. Cheios de bolhas e cortes, vermelhos e em carne viva, cada palmo avançado uma tortura, pulando num pé só, num zig-zague de barata tonta."

Foto: Marcela Millan

          É para construir esse perfil que Marian abusa dos detalhes, comentando sobre normalidades que, muitas vezes, nós costumamos deixar de lado – como o caso de uma de suas personagens, que quer, simplesmente, comprar um batom. Marian consegue fazer desse fato tão mundando algo engraçado, narrando como a personagem fica em dúvida entre vários tons e, ao chegar em casa, descobre que acabou optando justamente por aquele que já tinha (que mulher nunca passou por isso antes?).
          Os livros de Marian Keyes são sempre uma experiência única. Engraçados, perspicazes e sensíveis, eles conseguem nos levar as lágrimas e, ao mesmo tempo, provocar gargalhadas estrondosas – que temos que tomar cuidado para não soltar na salinha de espera de algum consultório. Sempre em um tom positivista, Marian é a pedida para qualquer um que quer se divertir – não é sem motivo que o Sunday Express coloca: “Deveria vir com uma tarja de advertência: causa grave dependência… é desses livros que você pega e não consegue largar”.



Livros publicados no Brasil

▪Melancia (Watermelon) (2003)

▪Férias! (Rachel's Holiday) (2004)

▪Sushi (Sushi for Beginners) (2004)

▪Casório?! (Lucy Sullivan is Getting Married) (2005)

▪É Agora... ou Nunca (Last Chance Saloon) (2006)

▪Los Angeles (Angels) (2007)

▪Um Best Seller pra Chamar de Meu (The Other Side of the Story) (2008)

▪ Tem Alguém Aí? (Anybody Out There?) (2009)

▪ Cheio de Charme (This Charming Man) (2010)

▪ A Estrela Mais Brilhante do Céu (The Brightest Star in the Sky) (2011)

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