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| Exposição "Jorge Amado e Universal" - Foto: Nina Franco |
por Gabriella Justo
“Só
o conhecimento vivido, o conhecimento de dentro para fora, aquele que não é
aprendido nos livros nem na fria observação do fino repórter de faro infalível,
só aquele conhecimento que se viveu dia a dia, minuto a minuto, no erro e no
acerto (...) possibilita a criação!” – Jorge Amado
Neste ano, é
celebrado o centenário de nascimento de um dos escritores mais marcante na
literatura moderna brasileira. Conhecido mundialmente por suas obras, Jorge
Amado foi muito mais que um simples escritor. Em suas histórias, denúnciou os
problemas socias do país e ao mesmo tempo exaltou a cultura nacional e o
paraíso que era e ainda é sua Bahia.
Suas
histórias prendem a atenção. Seus personagens por mais “vilões” que possam ser
interpretados pela sociedade, acabam se tornando os mocinhos. Como é o caso do
estupro cometido por Pedro Bala em Capitães
da Areia, onde o garoto se preocupa em não desvirginar a menina e após o ato a leva para casa “pra um malandro
não te pegar”, segundo ele. Os temas constantes em suas obras são os problemas
e injustiças sociais, o folclore, a política, o adultério, crenças e tradições,
além da sensualidade do povo brasileiro.
Além disso,
ele teve papel de destaque no cenário político brasileiro. Comunista convicto,
foi deputado federal em 1946, onde uma de suas façanhas foi ter conseguido
aprovar a lei, de sua autoria, que garante a liberdade de culto no Brasil.
Devido a sua forma de escrita e sua tendência política, viveu exilado na
Argentina, no Uruguai, em Paris e em Praga, o que o aprimorou como escritor.
Para marcar essa comemoração, a Grapiúna e a Fundação Casa de Jorge Amado, em parceria com a Secretário de Cultura do Governo de São Paulo
e o Museu da Língua Portuguesa
montaram uma exposição em sua homenagem. A mostra é dividida em 6 módulos
diversos, onde cada um representa um aspecto marcante do escritor, que instigam
o visitante a querer saber mais ao fim da visitação.
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| Fitinhas com o nome dos personagens - Foto: Nina Franco |
O primeiro
módulo é dedicado à 9 de seus mais de 5.000 personagens. São eles Gabriela (Gabriela, Cravo e Canela - 1958), Dona
Flor (Dona Flor e seus dois Maridos -
1966), Os capitães da areia (Capitães da
Areia – 1937), Pedro Arcanjo (Tenda
dos milagres – 1969), Antonio Balduíno (Jubiabá
– 1935), Guma e Lívia (Mar Morto –
1936), O menino Grapiúna (O menino
grapiúna – 1981), Santa Bárbara (O
sumiço da Santa – 1988) e Quincas (A
morte de Quincas Berro d’Água – 1961). Nessa área encontram-se materiais
audiovisuais que contextualizam e introduzem o universo ficcional do autor,
além de milhares de fitinhas grudadas na parede, parecidas com as do Senhor do
Bonfim, com nomes de personagens fictícios (por exemplo Tieta, do livro Tieta do Agreste – 1977) e reais
inseridos em algumas de suas obras (por exemplo Hitler).
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| Vida política - Foto: Nina Franco |
No segundo,
a vida política do autor. Jornais com notícias a respeito de sua candidatura e
seu mandato ou sobre o comunismo no mundo enfeitam este módulo. Já no terceiro
ambiente, o destaque é dado a miscigenação brasileira, através das colorações
dadas pela população quando questionada a respeito de sua etnia em uma pesquisa
realizada em 1976; e ao sincretismo religioso. O quarto retrata a malandragem e
a sensualidade presentes nas obras, por meio de rachaduras abertas nas paredes
com trechos de livros.
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| Colorações sugeridas pela população - Foto: Nina Franco |
No módulo seguinte a
Bahia é mostrada da maneira vista por Jorge Amado, com suas belezas e seus
defeitos. Quadros com fotos das praias, dos monumentos, da população, das
comidas típicas ilustram este ambiente, além das garrafas de dendê, típicas do
estado, do mar e do cacau que aparecem de maneira inusitada no local. O sexto e
último módulo traz objetos pessoais do autor, documentos, diplomas,
correspondências, fotografias e suas camisas floridas. Há ainda um espaço com depoimentos de amigos,
artistas, críticos, anônimos, com destaque para os de sua esposa Zélia Gattai e
de sua filha Paloma Amado que contam o processo de criação de Jorge Amado.Uma
entre tantas curiosidades contadas por sua mulher, é o fato de que os
personagens “mandavam” no escritor. Ela
conta que por exemplo em Dona Flor, o autor queria que ela fosse embora com
Vadinho, mas a personagem “decidiu” ficar com os dois maridos na Terra.
Na área final encontram-se edições de livros
traduzidos em mais de 49 idiomas e dialetos, e publicados em diversos países.
A exposição está maravilhosa, muito bem
montada e cheia de atrativos que atraiem público de diversas idades. Ela também
é uma maneira de incentivar a leitura em um país onde os livros estão cada vez
mais sendo deixados de lado, e a valorizar a literatura brasileira que por
muitas vezes é esquecida por nós. O visitante sai com vontade de ler as obras e
saber um pouco mais da história desse personagem brasileiro, que foi Jorge
Amado.
A mostra ficará em São Paulo, no Museu de Língua Portuguesa, até o dia 22 de julho, seguindo
posteriormente para o Museu de Arte
Moderna da Bahia, em Salvador. Os ingressos custam R$6,00 (estudantes,
professores, aposentados e crianças até 10 anos pagam meia-entrada) e aos
sábados a entrada é gratuita. Vale a pena conferir a exposição fixa do museu!




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