quinta-feira, 24 de maio de 2012

Tradição!




        Não é novidade que nos dias de hoje, cada vez mais, estão vindo pro Brasil peças musicais provenientes da Broadway e demais locais famosos por esse tipo de teatro, como Londres, por exemplo. E esse foi o caso de Violinista no Telhado.

O elenco da peça Um Violinista no Telhado


         No último domingo fui com meus avós e alguns familiares em uma apresentação beneficente pelo “Lar das Crianças” da CIP (Congregação Israelita Paulista) da peça e sai de lá maravilhada. Ao chegar ao Teatro Alfa (Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722 - Santo Amaro) para a apresentação tardia (às 16h30), da peça Um Violinista no Telhado, uma adaptação brasileira de Fiddler on the Roof de Sheldon Harnick, Jerry Bock e Joseph Stein, confesso que estava um pouco desacreditada, talvez pelo fato do ator principal ser o José Mayer que eu nunca fui muito fã ou até porque musical no Brasil nunca teve grande aceitação, mas fiquei feliz por estar errada.
         A peça dirigida no Brasil por Charles Möeller e Claudio Botelho recebe esse nome por conta de o povo judeu naquela época estar sempre na corda bamba, com um perigo de cair, sem saber qual será o seu destino ou que fim levará, assim como seria um violinista em cima de um telhado.    
        A história contada é a da família judia ortodoxa de Tevye (um brilhante José Mayer) um leiteiro muito bem quisto e conhecido e sua mulher Golda (Soraya Ravenle), mãe de família e quem manda em sua casa e suas cinco filhas mulheres, em ordem de idade, as mais velhas, Tzeidel (Rachel Rennhack), Hodel (Karina Mathias), Chava (Julia Fajardo) e duas filhas mais novas. A família é moradora de uma vila fictícia que se encontra na Rússia czarista do início do século XX, Anatevka, que abriga famílias judias ortodoxas que prezam até o ultimo fio de seus cabelos as chamadas tradições judaicas, dentre as quais, o casamento da filha mais velha com alguém da mesma religião e de preferência proveniente de uma chamada “boa família”. Mas também asila russos não judeus que são, em sua maioria, culpados pelas desgraças ocorridas às famílias durante a peça e responsáveis por brilhantes performances de dança.

Soraya Ravenle e José Mayer em cena como Golda e Tevye

         Nessa vila, os mandamentos da Torá (livro sagrado judaico) e principalmente do rabino (interpretado pelo divertido Silvio Boraks) são seguidos a risca, além da, acima citada, tradição. A vida da família de Tevye começa a mudar quando sua filha mais velha, Tzeidel, implora ao pai que ele deixe ela se casar por amor com um alfaiate, Motel (André Loddi) ao invés do casamento arranjado com um rico açougueiro, ele quebra a tradição pela primeira vez e a permite. Já sua segunda filha, Hodel, se apaixona por um revolucionário forasteiro que se hospeda em sua casa, Perchik (interpretado na peça por Nicola Lama) e, quando ele vai a Moscou lutar contra o czar, aceita se casar com ele, o pai mais uma vez quebra a tradição e os abençoa. A terceira filha, por sua vez, vai mais uma vez de encontro aos mandamentos da torá e se apaixona por um russo não judeu, membro do grupo que realiza os pogrom (lutas violentas) contra os povos judeus na Rússia, os expulsando de suas casas, Fyedka (Germano Pereira). Dessa vez Tevye não aceita e obriga a filha a fugir e se casar escondido, o que o faz a considerar não mais sua filha por crer que a religião e tradição vem acima do amor por sua família. Além disso, ele tem que lidar com as investidas do czar contra eles e tentar equilibrar a harmonia da vila, o que vem se mostrando mais e mais difícil no decorrer da apresentação.
         Os números musicais não deixam a desejar aos originais. As versões de If I Were A Rich Men e To Life são, em minha opinião,  muito boas e José Mayer consegue na primeira, que é quase um solo do ator, se mostrar não apenas uma boa, crível e leve atuação como o pai de família Tevye como um cantor surpreendente. As performances dançadas são muito boas e ao fim da peça, todos da platéia se juntam aos atores na cantoria.


O elenco masculino em cena com a música "À Vida" - To Life L´chaim

          Por ser de origem judaica, senti uma identificação especial com Um Violinista no Telhado. As músicas que sempre foram cantadas a mim em minha infância foram relembradas e a união deste povo batalhador me emocionou profundamente. Meus bisavós são judeus vindos da Rússia aproximadamente na mesma época em que a peça se passa e, portanto, minha avó, filha deles, mostrou uma identificação enorme com a história e, surpreendentemente, ao invés de se entristecer, se alegrou, cantou as músicas e até dançou o possível, repetindo diversas vezes: “não deixa nada a desejar à Broadway”. Dessa maneira, indico a peça a todos, judeus ou não judeus, velhos ou jovens, pois sai de lá feliz, exaltada e, mais do que tudo, emocionada não só pela história, mas também por ver que o Brasil tem a capacidade de realizar espetáculos tão grandiosos e bons quanto os demais países famosos pelos musicais. E L´chaim!!


                                         Cena do filme Um Violinista no Telhado  - música To Life L´chaim

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