Não
é de hoje que mais e mais os canais de TV tentam, a todo custo, aumentar suas
audiências e para que isso aconteça eles apelam a qualquer coisa que procure
chocar seu público.
O que foi o caso do programa Pânico na
Band da Rede Bandeirantes que no domingo, 22 de abril, raspou ao vivo o cabelo
de uma de suas dançarinas, as chamadas Panicats.
Bárbara
Rossi, que recebe o nome artístico de Babi Panicat, assistiu ao programa inteiro
sem que soubesse o que a esperava. Nos minutos finais da atração foi chamada ao
palco aonde foi noticiada de que teria de decidir entre cortar seu cabelo como
o do jogador Neymar, do Santos, ou raspá-lo por inteiro, se decidindo pela
segunda opção. Rasparam metade de seu cabelo antes mesmo dela sentar na cadeira
determinada, a outra metade do processo ela passou chorando.
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| Panicat Babi após ter seu cabelo raspado |
Inúmeras
personalidades como Wagner Moura se chocaram e postaram críticas ao ocorrido.
Até pessoas com câncer se sentiram atingidas, pois enquanto o cabelo da Panicat
era raspado, tocava ao fundo a música Love By Grace de Lara Fabian, conhecida como
tema da personagem de Carolina Dieckman na novela Laços de Família, ao raspar
seu cabelo por conta de um câncer.
Nesse
dia o Pânico na Band (antigo Pânico na TV) atingiu picos de audiência de até 16
pontos no Ibope, o que equivaleria a aproximadamente 836,8 mil pessoas, um
recorde para o canal, passando até recordistas de audiência do horário como o
programa global, Fantástico.
A
pergunta que fica é: qual é o limite do bom senso na procura por ibope?
Não
só o Pânico na Band cruzou a chamada linha do bom senso. No ano de 2003, o
então apresentador do Domingo Legal do SBT, Gugu Liberato, transmitiu em seu
programa a entrevista de supostamente dois membros da facção criminosa PCC
(Primeiro Comando da Capital). Nela, dois homens encapuzados eram entrevistados
sobre a facção e chegaram a ameaçar de morte personalidades como o Padre
Marcelo Rossi, o vice-prefeito de São Paulo na época, Hélio Bicudo, o
apresentador José Luis Datena da Rede Bandeirantes, Marcelo Rezende da RedeTV e
Oscar Roberto de Godoy da Rede Record.
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| Supostos Membros do PCC |
Após
transmitida a entrevista, o procurador da justiça , Antonio Guimarães Marrey
levantou suspeita sobre sua autenticidade. Policias do Deic (Departamento de
Investigações sobre o Crime Organizado) passaram então a ouvir depoimentos dos
envolvidos na gravação e os dois entrevistados supostos membros do PCC não
passavam de uma fraude.
O
apresentador Gugu Liberato pediu desculpas aos ameaçados na entrevista e
admitiu que não tinha conhecimento do conteúdo da reportagem quando a
transmitiu.
Dessa
forma nota-se que, muitas vezes, o bom senso é deixado de lado na hora de
tentar aumentar a audiência. O que prova que os canais acreditam que o que fará
com que os espectadores assistam seus programas é o choque, o novo e às vezes,
até o indecente.


Que pena ver que os programas da televisão brasileira precisam apelar para esse tipo de ofensa para atrair telespectadores. O que é pior é que, de fato, isso funciona. Se tantos reclamam, quem assiste? Está na hora de se começar a pensar até que ponto se pode ir para chamar a atenção da sociedade.
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