Em
1982, a prefeitura de São Paulo anuncia o tombamento de casarões na região da Avenida
Paulista. Já na manhã seguinte, a avenida é tomada por destroços. Estas cenas
de destruição são o grito de proprietários que viam suas casas perderem valor
de mercado. Com o centro livre daquele cimento centenário, damos início à
arquitetura do caos. Ante a grandeza dos arranha-céus que brigam por espaços
nas regiões centrais temos um cenário meio insano antes retratado apenas em
filmes futuristas.
Nessa
nova roupagem das cidades, os cinemas de rua perdem seu espaço. E com eles, pedaços
de história se vão. Mas não é por puro saudosismo ao cinema “em si mesmo” que alguns
milhares de pessoas se mobilizam. O cinema atraía um público que perambulava
pelas ruas, os entornos do cinema respiravam até a última sessão. Bem diferente
do cenário zumbi que encontramos ao andar tarde da noite no velho centro da
cidade de São Paulo, por exemplo.
Os
cinemas de rua são em sua maioria pequenos, pois o metro quadrado das grandes
cidades é absurdo de caro. Assim, os proprietários de cinema de rua dispõem de
poucas salas e a probabilidade de obter déficits é exponencial, basta apostar
em um filme que não cai no gosto do público.
Está
aí o ponto crucial do aumento de modelos multiplex anexados a shoppings, pois é economicamente
mais estável locar diversas salas, pois um filme de grande bilheteria
equilibraria as contas de um possível fracasso.
Mas
como então resolver o dilema?
Em
2004 na cidade de São Paulo foi aprovada uma lei que concedia uma série de
incentivos fiscais à manutenção das salas de rua. Um dos reflexos foi a
reabertura do Cine Marabá em 2009.
Já no Rio
de Janeiro, foi através de uma iniciativa privada que o famoso Cine Paissandu,
no bairro do Flamengo, tombado desde 2008
como Patrimônio Cultural Carioca, teve garantida sua reestreia, que acontece em
julho deste ano.
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| Cine Paissandu, no bairro do Flamengo. Abaixo o projeto para o Cine. Foto: Reprodução |
No
caso especial do Cine Paissandu, os empresários Leo Feijó e Rodrigo Pinto são os
responsáveis pela revitalização do imóvel. A promessa dos empresários é empolgante:
o espaço teria múltiplos usos. Serviriam de palco para shows, artes cênicas,
espetáculos de teatro e stand-up,
além de eventuais mostras de filmes e debates. Ah, e é claro um café. Obviamente
não foi pensando no bem estar social que empresários decidiram trazer o cinema
às ruas, mas sim ao ver neste público um mercado promissor.
A
mostra cultural já serve de pesquisa para promover os cinemas de rua, muitos
são alternativos e tem um público restrito. Para expandir o acesso a esses
cinemas é essencial que também se apresentem películas arrasa quarteirão,
afinal de contas, o cinema de rua é popular.
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| Cine Marabá, na República - SP. Apresenta a comédia Hollywoodiana O Mentiroso com Jim Carrey. Foto: Reprodução |


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