terça-feira, 22 de maio de 2012

A volta do Cinema de Rua (.) / (?)

por Vanessa Ramos

Em 1982, a prefeitura de São Paulo anuncia o tombamento de casarões na região da Avenida Paulista. Já na manhã seguinte, a avenida é tomada por destroços. Estas cenas de destruição são o grito de proprietários que viam suas casas perderem valor de mercado. Com o centro livre daquele cimento centenário, damos início à arquitetura do caos. Ante a grandeza dos arranha-céus que brigam por espaços nas regiões centrais temos um cenário meio insano antes retratado apenas em filmes futuristas.
Nessa nova roupagem das cidades, os cinemas de rua perdem seu espaço. E com eles, pedaços de história se vão. Mas não é por puro saudosismo ao cinema “em si mesmo” que alguns milhares de pessoas se mobilizam. O cinema atraía um público que perambulava pelas ruas, os entornos do cinema respiravam até a última sessão. Bem diferente do cenário zumbi que encontramos ao andar tarde da noite no velho centro da cidade de São Paulo, por exemplo.
         Os cinemas de rua são em sua maioria pequenos, pois o metro quadrado das grandes cidades é absurdo de caro. Assim, os proprietários de cinema de rua dispõem de poucas salas e a probabilidade de obter déficits é exponencial, basta apostar em um filme que não cai no gosto do público.
Está aí o ponto crucial do aumento de modelos multiplex anexados a shoppings, pois é economicamente mais estável locar diversas salas, pois um filme de grande bilheteria equilibraria as contas de um possível fracasso.
Mas como então resolver o dilema?
Em 2004 na cidade de São Paulo foi aprovada uma lei que concedia uma série de incentivos fiscais à manutenção das salas de rua. Um dos reflexos foi a reabertura do Cine Marabá em 2009.
 Já no Rio de Janeiro, foi através de uma iniciativa privada que o famoso Cine Paissandu, no bairro do Flamengo, tombado desde 2008 como Patrimônio Cultural Carioca, teve garantida sua reestreia, que acontece em julho deste ano.

Cine Paissandu, no bairro do Flamengo. Abaixo o projeto para o Cine. Foto: Reprodução

No caso especial do Cine Paissandu, os empresários Leo Feijó e Rodrigo Pinto são os responsáveis pela revitalização do imóvel. A promessa dos empresários é empolgante: o espaço teria múltiplos usos. Serviriam de palco para shows, artes cênicas, espetáculos de teatro e stand-up, além de eventuais mostras de filmes e debates. Ah, e é claro um café. Obviamente não foi pensando no bem estar social que empresários decidiram trazer o cinema às ruas, mas sim ao ver neste público um mercado promissor.
A mostra cultural já serve de pesquisa para promover os cinemas de rua, muitos são alternativos e tem um público restrito. Para expandir o acesso a esses cinemas é essencial que também se apresentem películas arrasa quarteirão, afinal de contas, o cinema de rua é popular.

Cine Marabá, na República - SP. Apresenta a comédia Hollywoodiana O Mentiroso com Jim Carrey. Foto: Reprodução





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