por Rosa Donnangelo
Meu avô e meu pai costumam dizer
que o futebol na época deles era outro.
Em uma dessas histórias contadas no almoço de domingo na casa da minha
avó (leia: comida boa, risada e pavê de sobremesa), meu pai começou a relembrar
alguns fatos que ocorreram na juventude dele. Contava como era sensacional e
emocionante ir ao estádio. Disse que ia com os amigos da faculdade. E o meu
primeiro pensamento, posteriormente traduzido em palavras, foi: então, todos
eram palmeirenses? A resposta do meu pai foi: claro que não! Alguns eram
corinthianos. Segunda pergunta: E como era tão legal se o grupo ficava
separado, cada um com sua torcida? Nesse momento, meu pai e meu avô riram, como
se a minha pergunta fosse realmente anormal.
Antigamente, as pessoas iam ao
estádio para ver o seu time, torcer, se divertir. Iam a lazer mesmo. E não
importava a companhia, o adversário. Palmeirenses e corinthianos podiam sentar
lado a lado, ver os jogos, torcer, brincar. Amigos viravam rivais, se é que
podia chamar assim, mas só na arquibancada.
Hoje, tem torcedor que não
conversa com outro pelo fato de seus times serem rivais. Não preciso me
estender para que as pessoas saibam sobre o que eu estou falando. Mortes,
confrontos, brigas. O lazer perdeu o sentido. As redes sociais servem para
provocações serem feitas muitos dias antes do jogo, mortes são marcadas. Tem
horário e tudo. E a minha pergunta é: qual o sentido?
Com que propósito você ofende,
mata alguém pelo time que esse alguém torce? Em que mundo você vive? Alguns
“torcedores” dizem que é o amor. Quem sou eu pra discutir amor, né? Mas de uma
coisa eu tenho plena convicção: toda expressão alheia de amor deve ser respeitada
para que respeitem a sua.
Jogadores do Santos fizeram um
manifesto pela paz nos estádios, fica a dica para você, torcedor.
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