Contando com
apenas um microfone e muita criatividade, vários humoristas se apresentaram no
palco da Sé, na Virada Cultural, que ocorreu nos dias 5 e 6 desse mês. Reunindo
representantes de várias gerações
do humor que enfrentam o palco com a díficil tarefa de fazer rir um público
extenso, de todas as idades e estilos, a abertura trouxe o famoso Tom
Cavalcanti, que surpreendeu a todos com as inúmeras trocas de personagem e
figurino, que ocorriam em apenas poucos segundos. Seu talento superou as incansáveis
buzinas do trânsito que se formava e os problemas de infra estrutura, como o
microfone baixo e pouca visibilidade que o telão oferecia.
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| Praça da Sé recebe mais de 20 mil na Virada Cultural - Foto: Reprodução |
Foram 22 horas
de show em que muitos humoristas se revezaram, quase sem descanso. Os
convidados mais esperados também eram os mais polêmicos. Danilo Gentili e
Rafinha Bastos eram, sem duvidas, aqueles que mais pessoas aguardavam
ansiosamente. “Vim apenas para ver o Rafinha”, afirma Miriam, de 26 anos.
Recentemente envolvido
em uma polêmica com Wanessa Camargo e sua saída do CQC – Custe O Que Custar,
programa em que atuava na Band – era esperado que Rafinha Bastos se encontrasse
em crise. A euforia do público quando ele subiu ao palco mostra que não foi
isso o que aconteceu. Com um humor autodepreciativo, Rafinha recebeu o público
com uma frase que já resumia seu espírito. “Alô vocês, que estão criando aqui o
primeiro encontro nacional das pessoas que estão processando Rafinha Bastos”.
Nada abalado, fazia de seus problemas uma piada e não deixava de lado seu
estilo ácido de ser. “Não acho que o humor de Rafinha seja o melhor, mas,
atualmente, é o que faz as pessoas rirem. Hoje em dia todos riem mais do
politicamente incorreto, ou de piadas com palavrões”, comenta Diego Araujo, 16.
Um exemplo disso é Helen, de 20 anos, que afirma: “Quanto mais alfinetada,
melhor. Qualquer forma de humor é válida”.
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| Rafinha Bastos na Virada Cultural - Foto: Reprodução |
Danilo Gentili
não fica atrás. Tendo participado do Proibidão – espetáculo de stand up em que
é proibido filmar ou entrar com celular, e que a platéia assina um termo
garantindo que esta ciente de que as piadas ali contadas tem cunho
preconceituoso, politicamente incorreto – é conhecido por criticar a todos.
“Acho o Danilo um tanto moralista e não concordo com esse lado dele, que
generaliza as pessoas de uma forma preconceituosa. Apesar disso, quando a
questão é politica, acho que ele critica bem”, diz Daniele, 21.
Essas
duas figuras do humor abrem espaço para uma discussão que esta muito em pauta: o
humor politicamente incorreto. Questionado sobre isso, o humorista e ator Fabio
Rabin comenta: “Tem gente que tem senso de humor, tem gente que não tem. As
pessoas têm que perceber que o que fazemos no palco é uma piada, mesmo que às
vezes critique. O humor politicamente correto não existe, isso é idealizado. E
tem coisa que é ofensa, não humor. Procuro dizer que você tem que pesar, ver se
a graça é maior que a ofensa. Se for, a piada vale. O humorista sabe decidir
isso. “
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| Fabio Rabin - Foto: Reprodução |
O
inegável sucesso desse espetáculo cômico deixa claro que o stand up, apesar de
recente, é algo que veio para ficar. Como disse Rabin em entrevista ao
Desalienando, “as pessoas cansaram
um pouco de ouvir a mesma piada. Sou de uma geração que ninguém assistia tv
porque ninguém
aguentava mais o humor que tinha lá. Era moldado. O stand up é mais
humano, mais fiel à vida, menos fictício. Os personagens se desgastaram,
ficaram muito parecidos. O que as pessoas querem ver, hoje, é esse lado do
cotidiano que o stand up traz. Apesar disso, as duas formas de fazer piada são
válidas.”
Assim
como no ano passado – ano de estreia do stand up comedy na Virada – a praça da
Sé ficou lotada de pessoas participativas, que riam, aplaudiam e questionavam
as figuras do palco. “(Participar da virada) foi bacana, legal. Mas, com o
tempo, não foi tanta surpresa. Claro que foi emocionante, mas a minha primeira
virada, do ano passado, foi mais. Talvez porque agora eu tenha mais
experiência, ou porque amadureci. Não me senti nervoso como da primeira vez,
apesar de agora ter um público muito maior”, diz Rabin.
Além do stand up comedy, a Virada contou com mais de mil
atrações espalhadas pelo centro paulista. O que fica para as pessoas é uma boa
impressão. Todos foram categóricos ao afirmar que voltariam, ano após ano, para
conferir as atrações oferecidas.



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