Por Bruna Mello e Vanessa Ramos
Neste domingo (27) ocorreu o “16º Cultura
Inglesa Festival”. O dia foi repleto de apresentações de bandas brasileiras
fazendo tributo às gringas como Banda Uó, Sociopatas, Garotas Suecas, bandas
inglesas como We Have Band, The Horrors, e a mais esperada: Franz Ferdinand.
Os escoceses do Franz Ferdinand formaram
a banda em 2002, inspirados na banda Talking Heads, e com influências do estilo
indie rock (que voltou à ativa nos anos 2000 com bandas como The Strokes e
Arctic Monkeys). Estouraram na mídia em 2004, com seu primeiro CD, “Franz
Ferdinand”, com o single “Take Me Out”. Além do self titled, lançaram mais dois
CDs de estúdio: “You Could Have It So Much Better”, de 2005, e o álbum de
estúdio mais recente de 2009, “Tonight: Franz Ferdinand”.
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| Alex Kapranos, guitarrista e vocalista se apresentando no domingo - Foto: Danilo Verpa |
O palco
foi montado no Parque da Independência, zona sul de São Paulo, em frente ao
Museu do Ipiranga. À primeira vista, apesar da fila
quilométrica, tudo estava tranquilo e os problemas em torno do parque eram os
mesmos que enfrentamos a cada evento na capital, como o superfaturamento de
bebidas, de estacionamentos... Enfim, problemas que naturalizamos.
O
show do Franz Ferdinand, encerrava a programação do dia no parque, este estava
marcado para ter início às 18:30. Horário em que os portões seriam fechados. A
entrada do público no parque acontecia de forma lenta, pois os fãs deveriam
passar pela revista policial e pela checagem de identidade (pois menores de 14
anos não entrariam desacompanhados), sendo que o portão de entrada era
extremamente pequeno, e a revista foi feita por poucos policiais.
Ao entardecer, alguns fãs perceberam
que não daria tempo para que todos entrassem no parque. Com a agitação às 18:05
a organização decidiu fechar os portões para o reorganização da fila, o que
causou o efeito contrário pois a partir da informação de que os portões foram
fechados a fila se desfez, alguns fãs se concentraram na frente do portão
principal de entrada, e outros tentavam invadir o local. “Tenho uma amiga que
está na fila ainda, se não conseguirmos entrar, vamos embora” desabafou André,
18 anos, estudante de direito.
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| Fila imensa para entrar no Parque da Independência - Foto: Danilo Verpa |
Ante
essa situação, a PM fez uso de bombas de gás e spray de pimenta na tentativa de
dispersar o público. Obviamente, este ato agressivo provocou maior indignação
por parte do público, e foram necessárias mais bombas de efeito moral para
calar, digo, acalmar os ânimos do público.
Alguns
integrantes do staff do festival ficaram insatisfeitos com a postura da PM,
dizendo que a polícia só atrapalhava e desrespeitava os que estavam trabalhando
no festival. Entretanto, um dos que estavam na staff, Edgar, admitiu que “a
falta de organização dos próprios organizadores, deu muito trabalho e
transtornos não só pra gente, mas pra quem veio assistir ao evento. A questão
foi: ‘virou baderna’, as pessoas se revoltaram, nós não temos culpa se o portão
fechou em um certo horário, pois este já havia sido estipulado. Estamos tendo o
apoio da PM que está controlando as pessoas, o evento assumiu proporções maiores
dos que o esperado, deveria ter sido organizado num ambiente bem maior do de
este, com certeza.”
Apesar
da declaração do integrante da equipe do Staff, o que mais revoltou os fãs que
não conseguiram entrar no Parque foi justamente ver que este não estava lotado,
e mesmo assim, não poder entrar no local. Foram divulgados os números oficiais
do evento, 18 mil pessoas estavam no parque (a capacidade deste é de 20 mil
pessoas). Debater a atuação da polícia militar não nos cabe neste momento.
Julgar a eficácia ou não, de bombas de efeito moral, sprays de pimenta, não nos
interessa neste momento. A grande questão é: seria apropriado o uso destas? Os
jovens estavam vandalizando a ponto de se tomar uma atitude drástica? Qual era
exatamente a estratégia da organização ao se deparar com imprevistos? Ou não se
prepararam para estes?
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| Fãs esperando o início do show - Foto: Danilo Verpa |
Enquanto
uma multidão corria descendo a Av. Nazaret, encontramos a família da dona de
casa Maria do Carmo, 33 anos: “Chegamos às 4:30, andamos até lá embaixo, e não
achamos o fim da fila. Ninguém para nos informar absolutamente nada, inclusive
por estar esse clima de ‘muvuca’, do pessoal invadindo, a gente resolveu ficar
aqui: próximo ao trânsito mas onde as crianças vão estar um pouco mais em
segurança”. Os adolescentes fãs da banda britânica, Ana Caroline, 15 anos e
João Vitor, 12, não conseguiam esconder sua frustação. A família saiu de Mogi
das Cruzes, grande São Paulo e vieram ao Ipiranga, zona sul, exclusivamente
para o festival.
| Avenida Nazaret: vista parcial do palco. Foto: Vanessa Ramos |
Mesmo
depois dessa confusão, os fãs que ficaram de fora decidiram curtir o show dali
mesmo, na subida da Av. Nazaret, com vista parcial para o palco. O início do
show trouxe uma vibe muito boa, e cada música era seguida por uma pequena
multidão que fazia parte de um todo. As grades do parque pareceram ruir, e assim,
eram apenas público e palco interagindo. A banda encerrou o show com o single:
This fire. Confira abaixo a música (em 04:30):
"This fire is out of control, I'm going to burn this city, burn this city."
A
cidade de São Paulo oferece muitos eventos gratuitos de qualidade, porém a
falta de estrutura e organização do evento na maioria das vezes deixa muito a
desejar. Os brasileiros são conhecidos por serem fãs barulhentos, eloquentes, e
muitas vezes exigentes, o que faz com que eventos gratuitos devem ser
planejados em seus mínimos detalhes, pois sendo eventos abertos ou pagos,
sempre há incidentes e reclamações. O festival da Cultura Inglesa através da
música, do cinema, dos esportes, do teatro e da dança atende as expectativas do
público quando se compromete em divulgar a cultura inglesa e traz a São Paulo
uma das melhores bandas europeias do momento. Neste caso, os fãs se
descontrolaram com razão, após um erro da produção do evento ao fechar os
portões mais cedo do que o previamente definido.
O
evento continuará ocorrendo em mais quatro cidades além de São Paulo, como
Campinas, Santos, São José dos Campos e Sorocaba, entre os dias 25 de maio e 30
de junho. Para mais informações, confira a programação completa aqui.



Ótima matéria. Cheguei a ir ao local, mas com o tamanho da fila e a informação de que apenas 20.000 pessoas entrariam, acabei desistindo. Uma falta tremenda de organização e respeito com os fãs.
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