quinta-feira, 10 de maio de 2012

Um merecido Nobel de Literatura


Por Thaís Folgosi       

         Em 1904, na pequena cidade de Parral, no Chile, nascia Ricardo Eliecer Neftalí Reyes Basoalto, que viria a tornar-se Pablo Neruda. É incontestável a qualidade da poesia deste latino-americano.  Para aqueles que desconhecem Neruda, é preciso notificar que ele foi um homem a frente de seu tempo. Seria um equívoco defini-lo apenas como poeta, foi além disso, diplomata, político, viajante, amante, salvador, apaixonado pelo mar e sempre muito generoso. De fato, todas essas suas características influenciaram na qualidade de sua obra.
         Um homem que conheceu e experimentou o mundo devido a sua profissão diplomática que lhe concedeu a oportunidade de conhecer dos cantos do Oriente, como a Birmânia, o Ceilão (atual Sri Lanka), Java, aos do Ocidente, como a Espanha, a França, o México e o Brasil.
         Nutria amizade com os poetas Federico García Lorca (a morte do amigo pela ditadura franquista rendeu um belo capítulo metafórico do livro póstumo Confesso que vivi) e Rafael Alberti, também com o pintor Pablo Picasso, e o escritor Jorge Amado. Além da amizade com o líder comunista brasileiro, Luiz Carlos Prestes, tanto que no ano de 1945, o poeta leu para 100 mil pessoas no Estádio do Pacaembu, uma homenagem ao amigo.
         Poeta desde sua infância, sua bibliografia conta com 18 livros publicados pelo próprio autor, sem contar as obras póstumas e antologias.  Como um homem das letras saiu-se bem na prosa. Os escritos de sua autobiografia, Confesso que vivi, são cativantes, pelo uso da linguagem poética ao descrever as peripécias e situações extremas, como ter sido perseguido pelo governo do Chile, vivenciadas, além do bom humor presente. A fase de sua poesia política e revolucionária é de extrema conscientização, denota as barbáries da época, como a 2ª Guerra Mundial, sendo a obra expoente da fase, Espanha no Coração, sobre a Guerra Civil Espanhola, que Neruda presenciou, pois morava em Madri. Já outra fase em que, Canto Geral, é seu livro principal, o poeta declama seu amor a paisagem e segue com seu engajamento social, ao denotar a situação de injustiça que vivia o povo latino-americano.
NERUDA RECEBENDO O NOBEL DE LITERATURA, EM 1971.
         Como reconhecimento do conjunto de sua obra literária recebeu em 1971, o prêmio Nobel de Literatura. Merecia também o Nobel da Paz, por ter se dedicado ao combate das injustiças da sociedade, e por ter salvo 2.500 refugiados da Guerra Civil Espanhola, ao conseguir fretar um navio, o Winnipeg, que os levou até Valparaíso, no Chile.
         Em 1973, Neruda morre devido a um câncer de próstata, mas atualmente, surgiram boatos de que o poeta havia sido envenenado pelo governo militar, de Augusto Pinochet. A morte de seu amigo íntimo e presidente destituído pelos militares, Salvador Allende, ocorreu uma semana antes da morte dele, levantando suspeitas.
         Seja qual for o motivo real de sua morte, sabe-se que o poeta do mar deixa seu espírito e alma em todas as obras, lugares que esteve, e pessoas que o leram.


         A Fundação Pablo Neruda faz um trabalho primoroso ao cuidar de tudo que é relacionado ao autor, e além disso, mantém três casas (no Chile) em que o poeta morou, para visitação pública, e entrega anualmente o prêmio Plabo Neruda a um poeta chileno de destaque. Para mais informações sobre o poeta, os museus etc., acesse o site da fundação: http://fundacionneruda.org

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