sexta-feira, 11 de maio de 2012

“Ele tá me ‘bullyingnando’!


         Sou só eu que acho a palavra bullying sinônimo de covardia? Como alguém consegue se achar no direito de zombar de alguém pela aparência da pessoa? Penso nessas questões toda vez que vejo algum caso desses sair na mídia, o que está se tornando cada vez mais recorrente nos dias atuais. “Que absurdo!” Esta expressão já se encontra automática em minha boca e em meu cérebro toda vez que vejo algum repórter ou jornal denunciar um caso de discriminação explícita, real essência do bullying.
Minha cabeça entende as palavras ditas na divulgação desses casos pelos meios de comunicação da seguinte forma: “Uma pessoa que não tem o que fazer, assim como não tem nada no que chama de mente, agrediu verbalmente o interior de uma pessoa que só está vivendo sua vida e tentando achar um lugar no mundo para chamar de seu, como todo mundo.”
Após o início do uso desta expressão e de sua “fama” mundial, várias pessoas famosas, entre cantores e atores, do mundo inteiro passaram a mostrar que não possuem a vida perfeitinha e de conto de fadas que a maioria da população que não é reconhecida nas ruas acha que eles têm. Muitos revelaram em entrevistas exclusivas que, em sua época de escola, haviam sido crianças/adolescentes normais, passando, portanto, pelos mesmos problemas que qualquer cidadão entre cinco e dezessete anos descreve em seus diários pessoais ou, como se diz no meio juvenil atualmente, em suas “páginas” pessoais.
Muitos desses artistas apóiam, inclusive, as vítimas desse tipo de agressão, fazendo com que estas se sintam melhores consigo mesmas, já que a auto-estima é uma forte proteção contra esse “incômodo” que é o bullying. Frases como “Querido, por favor, nunca se sinta como se fosse menos do que perfeito” (da cantora Pink em sua música Fucking Perfect, título que pode ser traduzido como “Perfeito pra caramba”) e “Eu vou me levantar do chão como um arranha-céu” (dita pela cantora Demi Lovato em sua música Skyscraper, ou Arranha-céu) costumam possuir forte interferência entre meninas, na maioria dos casos, desiludidas e se sentindo péssimas consigo, assim como suas intérpretes, vistas como inspiração e modelos pela juventude de todo o mundo.
Venho repetindo a palavra bullying nesta reflexão, admito, mas garanto que tenho uma intenção com isso. Tenho o objetivo de tentar chamar a atenção da sociedade para este problema de extrema gravidade, e que vai muito além de uma mera “modinha”. Ele pode ser encontrado na história de pessoas famosas, mas não por querer seus “quinze minutos de fama”. Pelo contrário, ele deve aparecer na mídia e bem mais que insignificantes quinze minutos, para que todos tenham consciência do quão grave e emergente é a situação e tomem providências contra isso. Quem estiver sofrendo quieto e ler estas considerações, por favor, faça que nem a Janete do programa Zorra Total, da Rede Globo, e “ponha a boca no trombone”, diga ao mundo “Ele tá me ‘bullyingnando’!”

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