Por Julia Teixeira
Sou só
eu que acho a palavra bullying sinônimo de covardia? Como alguém
consegue se achar no direito de zombar de alguém pela aparência da pessoa?
Penso nessas questões toda vez que vejo algum caso desses sair na mídia, o que
está se tornando cada vez mais recorrente nos dias atuais. “Que absurdo!” Esta
expressão já se encontra automática em minha boca e em meu cérebro toda vez que
vejo algum repórter ou jornal denunciar um caso de discriminação explícita,
real essência do bullying.
Minha cabeça entende as
palavras ditas na divulgação desses casos pelos meios de comunicação da
seguinte forma: “Uma pessoa que não tem o que fazer, assim como não tem nada no
que chama de mente, agrediu verbalmente o interior de uma pessoa que só está vivendo
sua vida e tentando achar um lugar no mundo para chamar de seu, como todo
mundo.”
Após o início do uso desta
expressão e de sua “fama” mundial, várias pessoas famosas, entre cantores e
atores, do mundo inteiro passaram a mostrar que não possuem a vida perfeitinha
e de conto de fadas que a maioria da população que não é reconhecida nas ruas
acha que eles têm. Muitos revelaram em entrevistas exclusivas que, em sua época
de escola, haviam sido crianças/adolescentes normais, passando, portanto, pelos
mesmos problemas que qualquer cidadão entre cinco e dezessete anos descreve em
seus diários pessoais ou, como se diz no meio juvenil atualmente, em suas “páginas”
pessoais.
Muitos desses artistas apóiam,
inclusive, as vítimas desse tipo de agressão, fazendo com que estas se sintam
melhores consigo mesmas, já que a auto-estima é uma forte proteção contra esse “incômodo”
que é o bullying. Frases como “Querido,
por favor, nunca se sinta como se fosse menos do que perfeito” (da cantora Pink
em sua música Fucking Perfect, título
que pode ser traduzido como “Perfeito pra caramba”) e “Eu vou me levantar do
chão como um arranha-céu” (dita pela cantora Demi Lovato em sua música Skyscraper, ou Arranha-céu) costumam
possuir forte interferência entre meninas, na maioria dos casos, desiludidas e
se sentindo péssimas consigo, assim como suas intérpretes, vistas como inspiração
e modelos pela juventude de todo o mundo.
Venho repetindo a palavra bullying nesta reflexão, admito, mas
garanto que tenho uma intenção com isso. Tenho o objetivo de tentar chamar a
atenção da sociedade para este problema de extrema gravidade, e que vai muito
além de uma mera “modinha”. Ele pode ser encontrado na história de pessoas
famosas, mas não por querer seus “quinze minutos de fama”. Pelo contrário, ele
deve aparecer na mídia e bem mais que insignificantes quinze minutos, para que
todos tenham consciência do quão grave e emergente é a situação e tomem
providências contra isso. Quem estiver sofrendo quieto e ler estas
considerações, por favor, faça que nem a Janete do programa Zorra Total, da Rede Globo, e “ponha a
boca no trombone”, diga ao mundo “Ele tá me ‘bullyingnando’!”
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