terça-feira, 1 de maio de 2012

"Dancem, dancem, se não nós estaremos perdidos "

Foto: Reprodução
por Nina Franco

O documentário “Pina”, do premiado diretor Wim Wenders, para a bailarina alemã Pina Bausch, chega ao Brasil, após dois meses de estréia no exterior, e já é considerado pelos críticos e artistas uma experiência “profunda e emocionante”. O filme produzido em tecnologia 3D mergulha o espectador no mundo intimista das coreografias de Pina Bausch e encenações dos bailarinos da companhia Wuppertal.

O filme começou a ser produzido no inicio de 2009, e surgiu como uma idéia conjunta de Pina e o diretor alemão. Eles chegaram a gravar quatro peças: "Le Sacre du Printemps" (1975), "Kontakthof"(1978); "Café Muller" (1978) e "Vollmond"(2006), mas a morte repentina da bailarina em julho do mesmo ano, transformou a aliança em um tributo emocionante sobre a arte, criação e a sensibilidade de Bausch.

Wenders conta ter ficado totalmente atraído pela forte percepção de Pina e no modo como ela era capaz de penetrar na alma de tudo - principalmente de seus bailarinos.


Sua morte deixou no projeto uma lacuna imensa, que só pode ser superada após Wenders adotar como método o caminho utilizado pela própria Pina em seus trabalhos: retirar das experiências/sensações de seus bailarinos a inspiração para suas criações. “O filme mostra muito do que era o trabalho dela, ela buscava a identidade de cada um, fazia com que a dança expressasse o que eles sentiam” – explica a bailarina Laura Scharanck, que é aluna de um dos ex-estudantes da companhia de Wuppertal.

Condizente com todo o projeto de Pina, o filme permite total imersão no mundo sensível do balé contemporâneo. O auxilio da tecnologia 3D – nunca antes utilizado em um filme de arte – colabora para a sensação de contato e proximidade, fazendo com que espectador sinta-se como se estivesse no palco, presenciando efetivamente a cada um dos movimentos das coreografias.


Para a estudante dos cursos de Artes Cênicas, da Universidade de São Paulo, Giovanna Lima: “O filme ser em 3D fez toda a diferença, a construção do coro fica mais evidente e o papel do Corifeu mais vivo, isso é uma coisa que não daria para perceber se o filme fosse em 2D” – explica a estudante. “Adorei o estilo da Pina, a expressão corporal ficou muito evidente no filme, muito mais do que a técnica” – completa Giovanna.

Além da encenação dos mais importantes espetáculos produzidos por Pina, o enredo é costurado por relatos dos principais artistas da companhia, uma plural trilha sonora que abriga 40 tipos de músicas de várias épocas e países, incluído a canção “Leãozinho” do compositor e interprete brasileiro Caetano Veloso. 

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