por Nina Franco
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| foto- reprodução |
“Quando as
revoluções perdem a força,
o primeiro sintoma é o fim da criação na arte”.
(Vladimir
Safatle)
“Eu escrevo sem esperança de que o que
eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente
não está querendo alterar as coisas.
A gente está querendo desabrochar de um modo ou de
outro...”
(Clarice
Lispector)
Sempre que a palavra “marginal” nos toma
os ouvidos a associamos ao proibido, ao ilícito até mesmo ao imoral. Afinal,
assim fomos educados; educados a nos escandalizar e não permitir qualquer coisa
que fique fora da visão “centrista” de
mundo nos dada pelo sistema capitalista .
Estamos atravessando uma crise cultural – não digo isto pela primeira vez aqui no desalienando – este estado de convulsão diferentemente da idéia de muitos não surgiu apenas com o avanço da tecnologia, ou como consequência do “bummm” da internet; a nossa crise vai muito além da inteligência artificial das maquinas ou da queda da produção intelectual, principalmente pelos mais jovens, mas é acima de tudo uma causa política/ econômica. Não é de hoje que o fazer artístico enfrenta essas barreiras para sobreviver.
Estamos atravessando uma crise cultural – não digo isto pela primeira vez aqui no desalienando – este estado de convulsão diferentemente da idéia de muitos não surgiu apenas com o avanço da tecnologia, ou como consequência do “bummm” da internet; a nossa crise vai muito além da inteligência artificial das maquinas ou da queda da produção intelectual, principalmente pelos mais jovens, mas é acima de tudo uma causa política/ econômica. Não é de hoje que o fazer artístico enfrenta essas barreiras para sobreviver.
Houve uma época a qual um grupo foi
designado de poetas marginais, folheando um livro o termo Poesia Marginal me
chamou atenção. Sendo fiel ao tempo histórico a poesia marginal não chegou a
ser um movimento literário, foi um momento, um breve instante de intensa
criação literária, aconteceu no Brasil em meados de 70, se retornarmos as aulas
de história, perceberemos que bem naquela época a ditadura estava feia e a censura (aquela
malvada) corria solta!
Isso fez com que o mercado literário o
qual nunca foi um mar de rosas em nosso solo, ficasse ainda mais prejudicado. Os
personagens situados nesta época tornaram-se essencialmente intimista, o
sujeito social fora totalmente abolido e este grupo de escritores, instalados a
margem da sociedade e proibidos do ato de ser, passaram a escrever suas obras
no estêncil, para rodá-las no mimeografo
e distribuí-las nas ruas ou vende-las a troco
de quase nada, colocando em suas projeções a liberdade que não podiam ter.
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Vladimir Satafle, atualmente um dos
filósofos mais influentes do mundo acadêmico, em artigo publicado na CULT do
mês de Maio desse ano, declarou “ A cultura se tornou um ativo do mercado
financeiro, abrindo mão de sua força crítica para se tornar uma celebração do
realismo capitalismo” . Como discordar?
O prazer estético da literatura perdeu o
seu valor cedendo espaço para brevidade da satisfação momentânea. A sensação
quase física de estar em contato com um texto de ficção foi substituído pelo
entretenimento, levando a perda da força
crítica constantemente debatida pelo gênero.
Não, literatura não tem como função
exercer o papel de arquivo histórico, apesar de facilmente poder cumprir tal
ofício, mas é inegável que é fonte da expressão do homem, homem este dono de um
tempo e de uma história. A arte sempre foi arma para revoluções, não é de se
estranhar o quanto estamos politicamente passivos, o quanto nossa geração é
apática, deixamos de criar e colocamos os processos criação, entre elas a
literatura a margem, nunca a literatura foi tão marginal, pobres dos jovens de
70 que pensaram ter causa ganha, nós não ecoamos o seu grito. Que pena!
Fazer literatura não é ocupação digna
dos tempos modernos, envergonhados ficariam Clarice, Jorge Amado, Machado e
Sabido ao saberem que ter na carteira de trabalho o registro de escritor não
vale como experiência profissional nos anos de cá, escrever é hobbie e não
função social – pobre de Euclides, Graciliano, Cecília Meireles, os dois
Andrades, Pessoa, dedicados a observar
as nossas condutas, tão empenhados a criar realidades possíveis e quase reais,
hoje tão menos lidos do que os fugazes Best Sellers.
O crítico literário e professor da USP
João Alexandre Barbosa costumava dizer que a literatura é fonte de
experimentação e conhecimento, literatura é experiência. Vivenciamos situações
de nós desconhecidas pelos ombros do nosso personagem, viajamos com eles por
lugares nos quais não andaríamos, acreditamos e percebemos as diferenças do bem
e do mal, olhamos para nossa contemporaneidade e para o nosso passado muito
mais conscientes, por possuirmos a postura de quem vê e sabe das tramas mesmo
antes de reveladas. Essa experiência torna uma obra perene, diferente das
histórias superficiais que estão no topo das listas de vendagens.
Fazer literatura é produzir
conhecimento, é questionar a sociedade, os comportamentos, os sistemas
políticos e as condutas adotadas por nossos iguais ou diferentes se assim for
melhor exemplo. Em resumo, fazer literatura, não é produzir mercadoria e por
isso hoje ela é tão marginal.


Síntese fiel a situação da literatura na contemporaneidade. De fato, o sistema capitalista dita a criação literária, e com isso, perde suas características e qualidade. Realmente é uma pena ver que ela se tornou mera mercadoria nesta Indústria Cultural. É revoltante também ver que não há mais prestígio nem brilhantismo na carreira de escritor, e que a literatura hoje é tão marginal quanto era nos anos 70. Bela síntese, Ninoca, todos deveriam lê-la, para melhor "se desalienar"!
ResponderExcluirThaís Folgosi