por: Júlia Paolieri
Era um
observador incansável. Jornalista, escritor, cronista, e louco por futebol
chegou a afirmar que “sem futebol esse povo fica neurótico”. No ano de seu
centenário, Nelson Falcão Rodrigues, nascido em Recife no dia 23 de agosto de
1912, prova por suas obras que seus temas nunca deixam de ser contemporâneos,
tratando das paixões e pecados da sociedade brasileira.
Em
sua máquina de escrever, Remington Portable, Nelson Rodrigues foi um escritor
completo, passando pela experiência de escrever crônicas, artigos de opinião,
contos, pseudônimos, folhetins, correio sentimental, comentários esportivos,
diálogos para filmes, roteiros para peças de teatro. Sua capacidade criativa
foi bem acolhida pela critica, e seu teor dramático, embora muito polêmico, foi
reconhecida e admirada por grande parte dos diretores, atores e críticos da
época.
Natural
de Recife, o futuro jornalista chegou ao Rio de Janeiro no ano de 1916, onde
começou a exercer a profissão nove anos depois, com apenas 13 anos, trabalhando
no jornal “A Manhã” fundado por seu pai.
No
ano de 1974, em uma entrevista ao Jornal da Tarde, declarou, “todo o autor é
autobiográfico e eu sou também. O que acontece na minha obra são variações
infinitas do que aconteceu na minha vida”. De fato, muitas de suas obras, são
baseadas em acontecimentos e experiências de sua vida pessoal e familiar, mas
também em histórias que, como observador cauteloso, assistiu pelas ruas.
O
ano de 2012 que carrega o centenário do escritor Jorge Amado tem também a
grande responsabilidade de honrar e lembrar igualmente deste outro grande
literato da cultura brasileira, e as celebrações já começaram. A Virada
Cultural trouxe uma programação especial sobre o escritor, com direito a
remontagem de peças teatrais, exibição de filmes, leituras dramáticas e debates
de alguns de seus textos, e as recordações continuam.
O "Anjo Pornográfico", como chamava a si mesmo ainda terá muitas de suas obras relançadas e
traduzidas para outras línguas, bem como o lançamento da nova versão do filme
“Bonitinha, mas ordinária”, dirigido por Moacyr Góes.
| Reprodução: Nelson Rodrigues, apaixonado por futebol e pelo Fluminense |
Apesar
de não ter sido agraciado pela Academia de Letras, Nelson Rodrigues é imortal.
Sua morte em 21 de dezembro de 1980 não apagou sua forte presença como analista
das atitudes do povo brasileiro, e são poucos os que nunca ouviram falar no
erudito escritor cujas obras nunca deixam de parecer atuais, como se tivessem
acabado de ser escrita.
“O brasileiro
não está preparado para ser o maior do mundo em coisa nenhuma. Ser o maior do
mundo em qualquer coisa, mesmo em cuspe à distância, implica uma grave, pesada
e sufocante responsabilidade”. O louco por futebol e pelo Fluminense talvez não
saiba, mas para nós, é um dos grandes da literatura brasileira.

Julia, ficou tão gostosa a sua matéria... E amei a primeira foto!!
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