Por Marcela Millan
A loira esquartejadora. A morte
do dono da Yoki. Esse é o assunto que esta tomando, durante esses dias, as
capas das revistas. O caso, talvez por ser bastante fora do rotineiro,
tornou-se a pauta de todas as discussões. Não havia ninguém que não parasse,
que fosse na mesa, ao jantar, para comentar do ocorrido. Entretanto,
apesar do primeiro choque, parece que as pessoas encontraram no cruel
assassinato do homem um meio para passar o tempo. O sensacionalismo, ou talvez
a simples vontade de ver o sofrimento, levaram à espetacularização da notícia.
E a violência, que deveria chocar, tornou-se apenas um fator para trazer
audiência.
Não é novidade: a violência esta
cada vez mais explicita na mídia, sendo tratada de uma forma que a faz parecer
comum, coisa do cotidiano. Completamente explicita, ela chega ao
consumidor de informação de uma forma até mesmo apelativa, que não respeita o
sentimento das vitimas – as entrevistas em que um familiar aparece chorando
são, com certeza, as mais esperadas no jornal da noite. Só posso dizer que isso
me incomoda, e muito. Porque nós assistimos diariamente cenas que deveriam ser
inaceitáveis em nosso cotidiano e simplesmente as tratamos como comuns. A
tragédia, coisa mórbida, se incorporou em nossa sociedade, que agora parece
ansiar por ela. E o estranho, então, configurou-se em algo completamente sem
sentido – estranho seria assistir ou ler um jornal que anunciasse “não há
casos de violência no dia de hoje”.
Visando prender o telespectador,
as cenas cruéis, sanguinolentas, repetem-se várias e várias vezes na televisão.
Nos jornais e revistas, encontramos relatos detalhados de cada partezinha do
assassinato. Tudo isso só para entreter, envolver o homem, que vê nesse tipo de
noticia algo semelhante a novela que assiste. Cada dia há um novo capitulo, uma
nova informação. Não se pode perder nenhum detalhe.
Fico só imaginando até quando vamos continuar compactuando com essa
formula de sucesso – porque, sim, esse modo de fazer notícia é completamente
aceito - que, na realidade, não tem lógica. A morbidez tomou o cotidiano.
Acostumamo-nos com o que deveria incomodar. Mas, na realidade, deveríamos fazer
exatamente o contrário.

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