quinta-feira, 21 de junho de 2012

O Bom humor no teatro

Por Nina Franco

Antes de começarmos vou contar uma piada:
“Era uma vez um ursinho sem bumbum. Um belo dia esse ursinho resolveu sentar... mas deitou” (kkkkkkkkkkkkkk)
      Você riu? – se sim você é como eu, o tipo de pessoa que ri das coisas mais sem sentido do mundo. Caso não, foi mal, mas essa é a minha piada favorita.
Bom a história do ursinho foi apenas para contextualizar sobre a nossa dica de teatro dessa semana, porém antes de irmos mais afundo gostaria de falar um pouco sobre humor.
Ano passado em entrevista a jornalista Marília Gabriela, o comediante Danilo Gentili declarou: “Não há humor politicamente correto, todo humor ataca algum grupo”.  Gentili justificou o seu argumento, alegando que toda piada envolve algum grupo social o qual é utilizado como tema; afinal quem não conhece uma piada sobre uma “bichinha”, uma loira, um português, um gago, fanho entre tantos outros personagens?  Entretanto discordo totalmente desta afirmação, nem sempre o humor é necessariamente uma arma de ataque ou deboche. Para rir eu não preciso apontar o grupo “x” ou “y”. Há tantas formas de riso. Eu por exemplo gosto das mais banais, algo como uma historia de um ursinho desprovido de bumbum...
Não, também não sou moralista. Acredito que muitas vezes as polêmicas geradas por piadas que eu colocarei aqui como pertencentes ao grupo do “mau humor”, servem para reavivar a consciência social. Afinal vivemos em tempos de liquidez da ética? Até que ponto apontar para um determinado grupo é falta de respeito, é discriminação? E criticar essas ofensas quando feitas sob holofotes seria ou não hipocrisia, já que nas piadas de boteco tais comentários são concebíveis? Bom, o objetivo hoje não é responder tais questões, mas sim comentar sobre uma ótima dica de “bom humor”: a Companhia Barbixas  e o seu espetáculo “ Improváveis”.


A bem humorada Cia Barbixas - Elidio, Anderson e Daniel.

           Prova de comédia inofensiva o espetáculo “Improváveis” está em cartaz desde 2008. Em 2009 passou a ser apresentada toda semana em SP. O grupo também viaja pelo Brasil em curtas temporadas ou esporadicamente aos fins de semana. A peça também se estende para a internet em uma web série hoje na lista das 100 mais vistas no mundo com um número de views – o qual eu me recuso a colocar aqui pela minha própria incapacidade de ler – que ultrapassa muitos milhões. 
             É uma produção simples, sem muitos gastos de manutenção. São 3 atores Anderson Bizzocchi, Daniel Nascimento e Elidio Sanna, todos cocriadores da montagem, inspirada em um modelo americano de comédia. As encenações são organizadas em formato de um jogo, são sempre 4 jogadores – o grupo mais um convidado – apresentados por um mestre de cerimônia, responsável em explicar para o público o funcionamento da peça e as formas de interação possíveis, além de administrar o andamento das atividades. O que mais encanta os espectadores é todas as cenas se constituírem ao acaso, nada é combinado, tudo improviso mesmo e o público é parte integrante desse show, seja sugerindo temas, cenas ou interagindo diretamente com os humoristas.
O Improviso faz de cada apresentação única, é uma comédia feita para uma situação, um conjunto de pessoas  que está ali, vivendo aquele momento, naquela sintonia, sendo assim impossível não despertar inúmeras gargalhadas nos presentes. E tudo isso de forma muito saudável, permissiva, equilibrada. Os mais tímidos por exemplo podem assistir a qualquer apresentação sem receios, não há aquele apelo e ataque típicos dos shows de Stand –up americano. Só participa e se entrega a cena quem quer.
Atualmente o grupo se apresenta todas as quintas-feiras no teatro TUCA, na Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes, do lado da PUC-SP. O valor é R$ 50,00 e lembrando, estudante, professores e aposentados pagam meia.
Finalizo ressaltando que dentre todas as formas de riso, eu prefiro o coletivo, aquele possível de rir todo mundo junto, independente da etnia, credo, classe, orientação sexual, cabelo, típico físico ou qualquer outro traço da nossa singularidade. (E por falar nisso eu peço perdão a todos os ursinhos que se sentirem ofendidos pela piada lá encima)
É imperdível!!


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