sexta-feira, 8 de junho de 2012

A verdade é que eu não sou nada sem você


Por Rosa Donnangelo



Ah, que saudades! Saudades de quando nos víamos todos os dias, de quando passávamos horas e horas juntos. Saudades das nossas infinitas e despreocupadas compras no shopping, no parque, na papelaria e no supermercado. Sinto falta daquela época em que você vivia mais perto de mim. Eu podia sentir seu cheiro, te pegar em meus braços, tocar você. Bem que me falavam, “um dia de caça, outro do caçador”.
Hoje você está longe e a distância só atrapalha a minha relação com o mundo, com o sistema, tão desigual, tão imponente, e ao mesmo tempo, frágil. Você caiu nas mais chulas conversas, se bandiou para o lado das elites. É deles que você mais gosta, né? É, talvez não seja por culpa sua, má índole existe mesmo. Eu sei que tudo gira ao seu redor, por isso me preocupo. Você deve estar confuso, não sabe se vai pra longe, se fica por aqui mesmo. Eu sempre te dei valor e você foi especial pra mim! Acontece que muitas vezes, a coisa aperta não posso te preservar por muito tempo. A presidente tenta manter a crise afastada, incentiva o consumo, e eu não podia... Perdão. Eu e você sempre fomos contraditórios mesmo, no amor, na dor, nos bens.
Nas horas mais difíceis da minha vida, cadê você, hein? Cadê? Tenho que recorrer aos vizinhos e amigos, é o jeito. Você entra em crise, engorda e emagrece. Algumas vezes você teve que mudar até de nome, estava sujo na praça! O meu dia de glória e prosperidade um dia chegará. Como dizem por aí: “quem é vivo sempre aparece”. E você, meu bem, há de aparecer! Irei atrás de você, seja aqui, seja na China. Ou na Europa. Não, na Europa não. O fato é que eu preciso da sua companhia, preciso do conforto que você me proporciona. Volta pra mim, dinheiro! Volta!

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