Por Rosa Donnangelo
Ah, que saudades! Saudades de quando nos víamos
todos os dias, de quando passávamos horas e horas juntos. Saudades das nossas
infinitas e despreocupadas compras no shopping, no parque, na papelaria e no
supermercado. Sinto falta daquela época em que você vivia mais perto de mim. Eu
podia sentir seu cheiro, te pegar em meus braços, tocar você. Bem que me
falavam, “um dia de caça, outro do caçador”.
Hoje você está longe e a distância só atrapalha a
minha relação com o mundo, com o sistema, tão desigual, tão imponente, e ao
mesmo tempo, frágil. Você caiu nas mais chulas conversas, se bandiou para o
lado das elites. É deles que você mais gosta, né? É, talvez não seja por culpa
sua, má índole existe mesmo. Eu sei que tudo gira ao seu redor, por isso me
preocupo. Você deve estar confuso, não sabe se vai pra longe, se fica por aqui
mesmo. Eu sempre te dei valor e você foi especial pra mim! Acontece que muitas
vezes, a coisa aperta não posso te preservar por muito tempo. A presidente
tenta manter a crise afastada, incentiva o consumo, e eu não podia... Perdão.
Eu e você sempre fomos contraditórios mesmo, no amor, na dor, nos bens.
Nas horas
mais difíceis da minha vida, cadê você, hein? Cadê? Tenho que recorrer aos
vizinhos e amigos, é o jeito. Você entra em crise, engorda e emagrece. Algumas
vezes você teve que mudar até de nome, estava sujo na praça! O meu dia de
glória e prosperidade um dia chegará. Como dizem por aí: “quem é vivo sempre
aparece”. E você, meu bem, há de aparecer! Irei atrás de você, seja aqui, seja
na China. Ou na Europa. Não, na Europa não. O fato é que eu preciso da sua
companhia, preciso do conforto que você me proporciona. Volta pra mim,
dinheiro! Volta!
Deitou na crônica... Eu tbm não sou nd sem ele... haha
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