sábado, 2 de junho de 2012

Everything Ends...


       “Everybody lies”(todo mundo mente) – Essa era a frase que o anti-herói cínico dr. Gregory House (encenado brilhantemente por Hugh Laurie do seriado House MD) sempre repetia nos episódios da série e essa frase que todos os fãs da série (incluindo a que vos escreve) lembrarão com pesar após seu fim na última segunda feira dia 21 de junho.
         Criada por David Shore e transmitida pela FOX americana, a série teve início no dia 16 de novembro de 2004 e, desde então, vem se mostrando como um dos maiores sucessos e audiência da TV mundial, conta a história de Gregory House, um brilhante médico do hospital Princeton Plainsboro que tem como função realizar os diagnósticos aparentemente impossíveis de maneiras mais inacreditáveis ainda. Ele conta com uma equipe que, em sua grande maioria, se altera ao longo das 8 temporadas.

Dr. House (Hugh Laurie) e o elenco da série
         Todo episódio apresentava um paciente com uma doença misteriosa e, aparentemente, incurável que dependia da ajuda (e, diga-se de passagem, boa vontade) de House e sua equipe, porém, ao mesmo tempo, em um plano de fundo, as histórias pessoais de seus personagens também eram contadas. Como o caso da médica Remy Hadley (conhecida na série como 13 e interpretada por Olivia Wilde) que ao longo das temporadas descobre possuir mal de Huntington. Ou até a própria história de House que teve um infarto em sua perna e, portanto, passou o resto de sua vida mancando, sendo amparado por uma bengala e com uma dor insuportável que só tem uma leve melhora com a droga Vicodin, a qual ele se vicia ao longo dos anos.
         Para desvendar as doenças de seus pacientes, as quais ele chama de “puzzles” (quebra-cabeças), House é extremamente cínico e descrente nas pessoas e, portanto, se utiliza não das informações que as indivíduos o disponibilizam, mas de um caráter psicológico e investigativo que, às vezes, acaba sendo até antiético, o que o coloca diversas vezes em conflito com o reitor do hospital. Cargo esse que, primeiramente, é ocupado por Lisa Cuddy (Lisa Edelstein), com a qual House tem uma relação amorosa um tanto complicada e depois, por seu ex-empregado Eric Foreman (Omar Epps), conflitos estes que o fazem ser preso e internado algumas vezes.
 
A primeira equipe de House com seu amigo Wilson e dr. Cuddy

         Por se utilizar desse caráter de investigação, House é muitas vezes comparado ao detetive Sherlock Holmes, criado por Sir Arthur Conan Doyle. David Shore, o criador da série, é assumidamente fã das histórias de Holmes e estudiosos notaram diversas semelhanças entre os dois personagens (além, é claro da descoberta dos mistérios e quebra-cabeças). Entre elas, está o fato de que tanto House como Holmes possuem um fiel companheiro, o Watson das obras de sir. Doyle pode ser substituído pelo oncologista e melhor amigo de House, Dr. James Wilson (Robert Sean Leonard), que procura colocar um pouco de discernimento e humanidade na cabeça de seu amigo, mas que sempre acaba sendo levado pelas ideias de House. Outra semelhança é que tanto o médico quanto o detetive moram em uma residência de número 221B, além do fato de que enquanto Sherlock Holmes é viciado em cocaína, Gregory House sofre com seu vicio em Vicodin.
         No último episódio da série, “Everybody dies”, House se vê sem saída com sua eminente prisão e a morte de seu melhor amigo em alguns meses, por essa razão, ele decide forjar sua morte para escapar da prisão e passar os últimos meses da vida de Wilson ao seu lado. Dessa maneira, no último momento, a humanidade existente no médico, e que raramente toma forma, aparece e o final fica entreaberto, pois após a morte de Wilson, House terá que refazer sua vida por inteiro, pois o crime de falsidade ideológica não apenas o coloca por muitos anos na cadeia como tira seu direito de atuar na medicina.
         Assim, não posso afirmar que a série House MD teve um final esperado, nem tampouco não satisfatório, pois ao mesmo tempo em que conseguiu retomar antigos personagens que haviam saído do seriado, teve a capacidade de, assim como a maioria dos episódios da série, deixar um mistério no ar. Os fãs do seriado com certeza sentirão falta do anti-herói favorito, que ensinou que “todo mundo mente” e que a doença procurada “Is never lupus” (nunca é lúpus, como o médico repetia em muitos episódios). Mas, no Brasil, poderão acompanhar a última temporada legendada na Universal e dublada na Record.


                                          Video promocional do último episódio de House MD

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