segunda-feira, 11 de junho de 2012

Nostalgia em Nelson Rodrigues


   

  Era um observador incansável. Jornalista, escritor, cronista, e louco por futebol chegou a afirmar que “sem futebol esse povo fica neurótico”. No ano de seu centenário, Nelson Falcão Rodrigues, nascido em Recife no dia 23 de agosto de 1912, prova por suas obras que seus temas nunca deixam de ser contemporâneos, tratando das paixões e pecados da sociedade brasileira. 
             Em sua máquina de escrever, Remington Portable, Nelson Rodrigues foi um escritor completo, passando pela experiência de escrever crônicas, artigos de opinião, contos, pseudônimos, folhetins, correio sentimental, comentários esportivos, diálogos para filmes, roteiros para peças de teatro. Sua capacidade criativa foi bem acolhida pela critica, e seu teor dramático, embora muito polêmico, foi reconhecida e admirada por grande parte dos diretores, atores e críticos da época.
                Natural de Recife, o futuro jornalista chegou ao Rio de Janeiro no ano de 1916, onde começou a exercer a profissão nove anos depois, com apenas 13 anos, trabalhando no jornal “A Manhã” fundado por seu pai.
                No ano de 1974, em uma entrevista ao Jornal da Tarde, declarou, “todo o autor é autobiográfico e eu sou também. O que acontece na minha obra são variações infinitas do que aconteceu na minha vida”. De fato, muitas de suas obras, são baseadas em acontecimentos e experiências de sua vida pessoal e familiar, mas também em histórias que, como observador cauteloso, assistiu pelas ruas.
                O ano de 2012 que carrega o centenário do escritor Jorge Amado tem também a grande responsabilidade de honrar e lembrar igualmente deste outro grande literato da cultura brasileira, e as celebrações já começaram. A Virada Cultural trouxe uma programação especial sobre o escritor, com direito a remontagem de peças teatrais, exibição de filmes, leituras dramáticas e debates de alguns de seus textos, e as recordações continuam.
                O "Anjo Pornográfico", como chamava a si mesmo ainda terá muitas de suas obras relançadas e traduzidas para outras línguas, bem como o lançamento da nova versão do filme “Bonitinha, mas ordinária”, dirigido por Moacyr Góes.
Reprodução: Nelson Rodrigues, apaixonado por futebol e pelo Fluminense
                Apesar de não ter sido agraciado pela Academia de Letras, Nelson Rodrigues é imortal. Sua morte em 21 de dezembro de 1980 não apagou sua forte presença como analista das atitudes do povo brasileiro, e são poucos os que nunca ouviram falar no erudito escritor cujas obras nunca deixam de parecer atuais, como se tivessem acabado de ser escrita.
“O brasileiro não está preparado para ser o maior do mundo em coisa nenhuma. Ser o maior do mundo em qualquer coisa, mesmo em cuspe à distância, implica uma grave, pesada e sufocante responsabilidade”. O louco por futebol e pelo Fluminense talvez não saiba, mas para nós, é um dos grandes da literatura brasileira.
                

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