terça-feira, 12 de junho de 2012

Cinderela em qualquer lugar

Por Bruna Mello


Kay Thompson, Fred Astaire e Audrey Hepburn - foto: reprodução
         Nos primeiros minutos de filme, aparece a editora de revista, Maggie Prescott (Kay Thompson) dando ordens aos seus funcionários, e para quem nunca viu Cinderela Em Paris, deve logo pensar que se trata de algo como O Diabo Veste Prada, mas não é. Prescott está insatisfeita com os resultados da revista de moda Quality e decide procurar um novo rosto para aumentar as vendas.
         O fotógrafo da revista Dick Avery (Fred Astaire) é quem fica encarregado de encontrar uma nova modelo. Ao fotografarem numa livraria, Avery fica encantado com a beleza da balconista Jo Stockton (Audrey Hepburn) que critica todo padrão de beleza que as revistas de moda e os estilistas impõe como padrão para as mulheres seguirem. Mas para Stockton aceitar não será um trabalho fácil. Com muita resistência ela aceita, mas só porque há uma possibilidade de encontrar o filósofo e professor Emile Flostre, de quem idolatra.
         O filme musical foi lançado em 1957 dirigido por Stanley Donen, considerado o rei dos musicais americanos, além de ser coreógrafo e produtor. Donen co-dirigiu Cantando na Chuva, em 1952. O filme foi indicado a prêmios como Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, nos EUA, e Festival Internacional de Cannes, na França. Além de ser uma excelente atriz, ícone da moda, e cantora, Hepburn mostra que sabe dançar, e muito, e seu companheiro de cena, Fred Astaire, também.
         No filme, percebe-se que como a cultura europeia estava tão arraigada naquela época, de como se Paris fosse a melhor cidade do mundo para viver. Aquele pensamento de que os escritores só têm criatividade quando vão à Paris e se inspiram com a paisagem e as pessoas de lá. “Pensamos livremente aqui... não somos inibidas por convenções sociais fora de moda”, diz Jo Stockton ao fotógrafo já em Paris.
         Stockton começa a aprender como ser modelo: passa uma semana sendo fotografada em cada lugar de Paris como na Ópera, nos trens, no rio Sena, e cada vez mais fica mais próxima de Dick, apaixonando-se por ele. No dia em que Maggie apresentaria Jo a imprensa, a mesma foge para o café aonde Flostre iria se apresentar, e consegue conversar com seu amado ídolo. O professor se encanta com a personalidade e charme de Jo Stockton.

Audrey Hepburn, em uma das cenas do filme
         Na hora da apresentação, acontece um acidente, e todos os jornais noticiam com piada o ocorrido. Prescott até comenta com Avery sobre ele estar namorando Jo: “É impossível, você pertence ao mundo da moda. Reconheça que somos frios, artificiais e sem sentimentos. Então como pode estar apaixonado?!”, e ele responde “Eu sou uma ovelha negra”.
         Os dois resolvem procurar Jo, que foi a uma festa na casa de Emile Flostre, porém o fotógrafo bate no professor e ele desmaia. Quando os dois vão embora, Jo ao conversar com o filósofo percebe que ele só a enxerga como uma mulher e não para discutir sobre as filosofias da empatia.
         O fotógrafo iria para Nova Iorque, mas antes de embarcar, percebe que Jo se deu conta de quem era o professor – já que ela atirou um vaso na cabeça dele, deixando 18 pontos – e ele volta para ficar com a amada. Stockton consegue se apresentar na Casa Paul Duval (na realidade, é a famosa Maison Givenchy, responsável pelo Guarda-Roupa de Audrey Hepburn), obtendo sucesso e muitas risadas dos convidados do desfile. Apesar das falhas no roteiro e da trama ser simples, o filme é compensado pela belíssima fotografia, figurino, canto e é claro, a belíssima articulação de dança. Um ótimo filme para se inspirar.  

                                        Trecho do filme "Cinderela em Paris"

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