terça-feira, 12 de junho de 2012

Amor...

por Nina Franco
“... penso calmamente no outro como ele é
suspendo toda a interpretação,
o desejo continua a vibrar,
a obscuridade é transluminosa,
mas nada quero possuir...
estoy a oscuras: eu estou lá, sentado simples e calmamente
no negro interior do amor”
(Roland Barthes in Fragmentos do discurso amoroso)

A verdade é que você simplesmente entra, não importa o que diz a sua mãe, seu pai ou as suas tias. Acontece, o momento exato nem os céus poderia dizer. Os motivos não são aparentes, a razão fica um pouco ausente e nem toda a lógica na sua mente vai ser capaz de explicar os “porquês”.

Ele(a) nem é  tão bonito(a) e para complicar ri de um jeito que te deixa irritada(o), gosta de uns filmes que você não entende, mastiga para direita e não para esquerda e isso te intriga. Você sabe que ele se acha o dono da razão e fingi não te entender, nem sempre escuta exatamente o que você diz, sem contar as piadinhas sem graça, a mão fria na sua cintura e a insistência em nunca chegar no horário. Mas por alguma razão desconhecida quando ele(a) suspende uma das sobrancelhas a sua garganta dá um nó e você guarda na memória  essa cena tão banal como se fosse uma verdadeira fotografia, você acha lindo o jeito que ele(a) enrola uma das mexas do  cabelo, gosta do som da gargalhada e se derrete por um gesto que só ele(a) tem.

Ele chora quando o time perde, você sabe que é besteira mas o consola como se o fato tivesse realmente relevância.

Ela chora porque a coloração do cabelo deu errado e mesmo não vendo nenhuma diferença você passa horas tentando convence - lá de que assim ficou ainda mais bonito.

Os exemplos são bobos, mas quem já amou entende...

 Para alguns o dia 12 de junho, não passa de data comercial, afinal a publicidade te induz a presentear seu par sem existir nenhuma lógica para isso acontecer justamente hoje. Afinal é terça feira, a vida não para, a rotina esmaga e o seu amor pode estar em tantos outros lugares bem distantes do idealismo romântico do “junto”. Porém, por mais puramente comercial que o dia dos namorados seja, ele nos cativa de alguma forma e portanto o opinião de hoje não poderia falar de outra coisa se não de amor.

            O amor não é invenção, não é cinematográfico, nem apenas tema de poesia, é praga humana mesmo. Nascemos dele, vivemos a procura dele e dentro dele não morremos. A gente vai e o amor fica. E antes que julguem minhas palavras puro clichê tente pensar se você realmente já amou de verdade, amou do chão abrir, da perna tremer, de querer abraçar e apertar e ter nesse abraço o poder de fazer o outro acreditar que tudo está bem e se não está vai ficar. O amor tem dessas coisas, o amor é um constante silêncio, é o dialogo do olhar, é um sorriso as escondidas, é olhar para o céu e não enxergar a imensidão, é esquecer que você é apenas um partizinha minúscula em um planeta que nem sequer está sozinho na galáxia. É acreditar que por algum motivo a sua existência é necessária para outro alguém que é necessário para você.

Um dos meus autores favoritos costumava dizer que o amor é a morte. Afinal amar é matar em um único golpe a própria solidão. Boa é a morte se dela você pode renascer mais inteiro, mais forte, mais completo. Ao menos é nisso que acredito quando penso em amor.   Acredito ser o amor o combustível necessário para se manter a sanidade nesse mundo por vezes maluco. Ele nos torna mais humanos, mais sensíveis, menos individualistas e dá fim ao egocentrismo. Amar é um trabalho árduo, é diário, é uma construção.

É doar parte de si, é esquecer-se.. amar não é fácil. Não mesmo, nenhum pouco... E por isso entendo e aceito o dia dos namorados como um dia de comemorar uma das vitorias mais gloriosas do homem, comemorar o encontro. O encontro de duas partes soltas no mundo que por algum motivo se encontram e se sentem incapazes de voltarem a serem avulsas.

Ok, parece romantismo barato, assumo essa essência em mim inata, mas não importa qual objetivo você que me lê tenha na vida, nenhuma pessoa na terra é forte o bastante para solidão.  E por isso a matamos, cruelmente, todos os dias, na esperança ou no ato do amor.



Feliz dia dos namorados,
           São os votos da equipe Desalienando.

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