Por Vanessa Ramos
A
entrevista de Carolina Dieckmann ao Jornal Nacional, e a
de Xuxa
ao Fantástico, alavancaram a audiência e geraram algumas críticas:
ao Fantástico, alavancaram a audiência e geraram algumas críticas:
Serão
estes casos dignos de tanto espaço no horário nobre de maior audiência
no país?
no país?
É
claro que os temas abordados tem lá sua relevância, mas a espetacularização dos
casos foi aburda. Alguns números podem nos ajudar a compreender quais as
críticas em relação as pautas da horário nobre, vamos analisar o Jornal
Nacional:
No
dia 14 de maio, quando a entrevista de Carolina Dieckmann foi ao ar, foram
4min25s dedicados a entrevista de Carolina, e mais 2min28s de reportagem sobre
a ação da polícia no caso, e ainda tivemos uma simulação de como Carolina teria sido hackeada(!)
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Legenda: simulação de como
Carolina Dieckmann teria sido vítima dos hackers.
Foto: Divulgação
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No
mesmo dia o jornal dedicou apenas 15s para relatar a guerra entre as gangues de
traficantes no México, e 22s para tratar da greve nos transportes em
movimentados capitais do país: Natal e Belo Horizonte.No dia 4 de junho o
telejornal dedicou 36s para noticiar a intervenção de 180 dias do Banco
Cruzeiro do Sul decretada pelo Banco Central. E quase 3min mostrando o vídeo em que Ronaldinho Gaúcho
estaria acompanhado no hotel durante o período de concentração no Flamengo.
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Ronaldinho Gaúcho saindo
do quarto de sua conhecida, após passar a noite no apartamento da moça, segundo
as filmagens.
|
Alguns
quadros do Fantástico também chamam atenção:
O que vi da vida −
artistas costumam agir como estivessem em um confessionário, e relatam fatos de
sua vida.
Quem é meu pai – a
história de pessoas que tentam restabelecer, ou estabelecer pela primeira vez,
contato com seus pais biológico.
Desde
que a classe C adquire poder de consumo os programas de tv têm direcionado
suas programações a este público. A Rede Globo também mudou a edição dos seus
jornais, adotando uma linguagem mais simplória, o que entretanto não significa
rebaixar o jornal. O que empobrece são os temas escolhidos, notícias que tem
audiência porém não nós acrescentam. É o jornalismo como entretenimento.O velho
dilema: o que é de interesse do público e o que é de interesse público.
Não
estou aqui criticando os programas da Rede Globo, por simples ódio a emissora,
muitos programas deram certo essa abordagem mais pop na emissora. O problema é
que o Jornal Nacional e o Fantástico tem grande influência, um poder enorme,
que é capaz de levar as pessoas as ruas para correr maratonas como aconteceu no
quadro Medida Certa (Fantástico), tem o poder de mobilizar. O cidadão comum não
é obrigado a saber as consequências de uma fusão entre bancos, cabe à imprensa
divulgar, problematizar. Este é o papel da imprensa, os jornais dedicam
segundos para apresentar um programa de crédito as produções familiares rurais,
segundos para denunciar policiais presos por contrabando na fronteira, e
reconstitui passo a passo a maneira com que uma atriz recebe vírus em seu
computador!
É
lamentável, o espectador exige mais respeito.


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