sexta-feira, 8 de junho de 2012

Desrespeito ao horário nobre: quando política dá lugar a fofoca


A entrevista de Carolina Dieckmann ao Jornal Nacional, e a de Xuxa
 ao Fantástico, alavancaram a audiência e geraram algumas críticas:

         Serão estes casos dignos de tanto espaço no horário nobre de maior audiência
         no país?

         É claro que os temas abordados tem lá sua relevância, mas a espetacularização dos casos foi aburda. Alguns números podem nos ajudar a compreender quais as críticas em relação as pautas da horário nobre, vamos analisar o Jornal Nacional:

No dia 14 de maio, quando a entrevista de Carolina Dieckmann foi ao ar, foram 4min25s dedicados a entrevista de Carolina, e mais 2min28s de reportagem sobre a ação da polícia no caso, e ainda tivemos uma simulação de como Carolina teria sido hackeada(!)

Legenda: simulação de como Carolina Dieckmann teria sido vítima dos hackers.
Foto: Divulgação
         No mesmo dia o jornal dedicou apenas 15s para relatar a guerra entre as gangues de traficantes no México, e 22s para tratar da greve nos transportes em movimentados capitais do país: Natal e Belo Horizonte.No dia 4 de junho o telejornal dedicou 36s para noticiar a intervenção de 180 dias do Banco Cruzeiro do Sul decretada pelo Banco Central. E quase 3min mostrando o vídeo em que Ronaldinho Gaúcho estaria acompanhado no hotel durante o período de concentração no Flamengo.
 Ronaldinho Gaúcho saindo do quarto de sua conhecida, após passar a noite no apartamento da moça, segundo as filmagens.
         Alguns quadros do Fantástico também chamam atenção:

O que vi da vida − artistas costumam agir como estivessem em um confessionário, e relatam fatos de sua vida.

Quem é meu pai – a história de pessoas que tentam restabelecer, ou estabelecer pela primeira vez, contato com seus pais biológico.



         Desde que a  classe C adquire poder de consumo os programas de tv têm direcionado suas programações a este público. A Rede Globo também mudou a edição dos seus jornais, adotando uma linguagem mais simplória, o que entretanto não significa rebaixar o jornal. O que empobrece são os temas escolhidos, notícias que tem audiência porém não nós acrescentam. É o jornalismo como entretenimento.O velho dilema: o que é de interesse do público e o que é de interesse público.

Não estou aqui criticando os programas da Rede Globo, por simples ódio a emissora, muitos programas deram certo essa abordagem mais pop na emissora. O problema é que o Jornal Nacional e o Fantástico tem grande influência, um poder enorme, que é capaz de levar as pessoas as ruas para correr maratonas como aconteceu no quadro Medida Certa (Fantástico), tem o poder de mobilizar. O cidadão comum não é obrigado a saber as consequências de uma fusão entre bancos, cabe à imprensa divulgar, problematizar. Este é o papel da imprensa, os jornais dedicam segundos para apresentar um programa de crédito as produções familiares rurais, segundos para denunciar policiais presos por contrabando na fronteira, e reconstitui passo a passo a maneira com que uma atriz recebe vírus em seu computador!

É lamentável, o espectador exige mais respeito.

        




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