por: Júlia Paolieri
Sempre amei
aqueles momentos que acabam virando uma espécie de tradição entre pais e filhos,
avós e netos, familiares e até mesmo entre amigos. São esses pequenos detalhes
que tornam-se hábitos que fortalecem uma
relação, e como diz o velho ditado, “muitas vezes só damos valor quando
perdemos”. Esses hábitos, depois de não mais praticados, nunca são esquecidos,
eles permanecem na memória, trazendo sempre lembranças, nostalgias e saudades.
Talvez
muitos pensem que não guardam nenhum tipo de costume, também pensava assim
quando via a filmes e lia livros, mas afirmo com certeza que sim, todos têm
algum hábito em especial do qual se orgulha e o qual não quer perder nunca.
Não
me refiro, portanto, à celebrações grandiosas como viagens todo fim de ano, ou
grandes festas, mas àquelas partidas de baralho ou de stop que continuam noite adentro não importando quem sairá
vencedor, mas a presença de todos em volta da mesa; um “joinha” de boa prova
antes de cada avaliação durante todo o ensino fundamental e ensino médio; um
beijo de boa noite e um carinho na cabeça; um abraço especial; um lanche
trazido no sofá no meio da tarde; um copo de leite quentinho antes de dormir.
Mas
é só quando o hábito se rompe, por qualquer motivo que seja, que começamos a
perceber o quanto dependíamos dele para continuar bem o nosso dia. Pode parecer
melancólico, mas parece que quando o costume é perdido, cada coisa que se faz
no dia leva a pensar em como seria se aquilo ainda acontecesse, como seria se o
hábito não tivesse se desfeito.
Talvez
esse seja um pensamento pessimista, mas talvez não. A “morte” de um costume só
propicia que outro seja criado, talvez até com a mesma pessoa. Essas tradições
de detalhes nascem a cada dia e depende muitas vezes de nós mesmos e nossas
atitudes para que se tornem hábito e passem a ganhar “aquele” significado. Ou
você também achava que as partidas de baralho começavam por inércia? Sempre
teve alguém que chamava os outros a participar. E é assim com todos os futuros
hábitos, é necessário que algumas das partes o chame.
Agarrar-se
às tradições e costumes assim simples é uma das maiores felicidades da vida.
Elas não dependem de muito para que aconteçam, pelo contrário, somente da boa
vontade e desejo, e duram por toda a vida, mesmo que não objetivamente, mas na
memória e nos sentidos. Quando a saudades bate forte, elas são uma forma de
lembrança a qual é possível agarrar-se e acalmar-se. O conforto que trazem não
permanece somente no instante em que duram, mas para sempre.

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