Temos que concordar que uma cena de nudez aberta, exposta a todos é bastante impressionante. Quando alguém fica pelado em determinado lugar, já vira assunto de aproximadamente uns dois meses de conversas, tanto nos momentos de descontração quanto no ambiente profissional. No meio artístico, não deveria ser diferente, ainda mais pelo fato de que as pessoas que vivem nele estão sempre expostas a flashes e câmeras de vídeo, se tornando um fervoroso tópico num estalar de dedos.
Entretanto,
essa situação foge do imaginável na produção teatral Equus, que estreiou
em São Paulo no dia 13 de abril no Teatro Folha e tem sua temporada até o dia
01 de julho. Nesta peça, o que menos deixa o público atônito é a cena de nudez,
perfeitamente bem colocada no contexto da encenação.
A
história se desenvolve em torno do misterioso crime que causou a cegueira de cinco cavalos cometido pelo
jovem Alan Strang, o filho aparentemente saudável de um pai comunista e uma mãe
religiosa. O criminoso é tratado pelo psiquiatra Martin Dysart, que precisar
lidar também com seus próprios medos para conseguir descobrir o motivo que
levou o garoto a cometer tal ato.
A
maioria do elenco não faz parte da grande mídia, fato que não retira o mérito
de sua ótima atuação no espetáculo. Os protagonistas Alan e Dr Martin são
vividos respectivamente por Leonardo Miggiorin (ator global de novelas como Mulheres
Apaixonadas) e Elias Andreato (cineasta, diretor e ator de produções como a
minissérie da Rede Globo A muralha), ambos atuando de maneira fora do
comum.
(fonte: André Muzell/ Ag. News)
Um
fato que achei super interessante na apresentação foi o de que a maioria dos
atores fica em cena durante todo o tempo, ajudando também a modificar o cenário
quando necessário. Este, inclusive, bastante simples, formado por uma espécie
de dois pequenos corredores de um tipo de celas de prisão semiabertas e em
tamanho reduzido, fechadas com grade e com cadeiras dispostas em seu interior,
onde quem não está atuando se situa.
O
espetáculo dura cerca de 90 minutos, mas, por conta do forte enredo e da grande
quantidade de falas e detalhes a serem mostrados, parece que não se passou nem
meia hora. Dentro da sala, o público é submetido a vida do “lunático” (como é
dito por um dos personagens da peça) jovem, tendo até, em certas ocasiões, a
ilusão de possuir conhecimento e poder para analisá-lo e diagnosticá-lo junto
ao doutor.
Ao mesmo tempo, cada ser
humano presente na platéia acaba, em um momento ou outro, refletindo sobre sua
própria vida e relacionando os temas abordados na apresentação, como a
influência religiosa, os instintos do homem e a parte inconsciente da mente,
com seu próprio cotidiano. Muitos, inclusive, devem acabar se imaginando no
lugar do protagonista no “divã público” do Dr Martin. Toda esta experiência, mesmo
deixando o público desorientado de certa forma ao deixar o teatro, também
proporciona certo alívio, já que os espectadores passaram pelas tensões dos
personagens e puderam pensar sobre sua própria existência, observando que sua
vida pode não ser tão ruim como as vezes imaginam. O destino de todos, então,
ao passarem pela porta, é retornar às suas tarefas diárias, galopando por esse
longo e, muitas vezes, não muito bem direcionado caminho que denominamos
vida.
(fonte: Nanda Rovere)

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