terça-feira, 5 de junho de 2012

E o tal do "só quero liberdade"?


No dia 10 de junho de 2012, a cidade de São Paulo será, pela 16ª vez, palco de um dos eventos mais aguardados do ano: a "extravagante" Parada Gay. Nesta época, todos os conceitos (e preconceitos principalmente) que giram em torno deste tema vem a tona em cada ser humano, que decide se e como deve liberá-los de seu corpo e, o mais importante, de sua alma. Esta última tarefa não é tão fácil, alcançada somente por um seleto grupo de pessoas.
         Neste ano, o evento contará, além de personalidades brasileiras que participam ou apoiam o movimento, com a presença de Christian Chávez, ex-integrante da banda de sucesso adolescente mundial RBD. Em 2011, em parceria com sua ex-companheira de conjunto Anahí, com quem compartilha também uma bem sucedida carreira solo, o cantor, que teve sua homossexualidade assumida pouco antes do término da banda, lançou uma canção considerada por eles próprios o próximo “hino dos gays”.
         “Libertad” (título dado a música) foi amplamente divulgada logo após seu lançamento no mercado, com o clipe visto por quase cinco milhões de pessoas até hoje no canal de Christian no site Youtube. Agora, se pararmos para prestar atenção na letra, percebemos uma contradição que dá um ótimo tema para as dicussões recorrentes neste período de “extravasar”.
Em certo trecho, pouco antes do refrão “só quero liberdade”, Anahí fala que “nada é perfeito, e o defeito é belo também”. Esta parte pode ser considerada insignificante em uma música que exalta o alívio sentido quando se assume quem realmente é, mas não pode passar despercebida, já que mostra como o preconceito está incorporado até mesmo por quem é vítima dele.
Com tantos casos de violência aparecendo em nosso cotidiano, principalmente contra os participantes do movimento LGBT, era de se esperar que os violentados relatassem cada vez mais suas experiências na mídia (além, obviamente, do ambiente de uma delegacia) para que alguma medida rigorosa fosse tomada. O que está acontecendo, porém, é o inverso disto, como podemos ver em uma simples letra de canção. Os homossexuais vem se obrigando a conviver com o preconceito em seu cotidiano, prendendo-o quase que definitivamente em suas almas, de uma forma similar a um martírio da qual nunca vão se livrar.
         Ter uma trilha sonora que considera gostar de pessoas do mesmo sexo um defeito é apenas um midiático exemplo de como, cada vez mais, as vítimas do preconceito nas relações estão abaixando a cabeça perante os violentos preconceituosos. Isso não pode continuar assim, o certo é levantar a cabeça, se orgulhar do que é e conquistar o direito de viver do jeito que se deseja. É por esse motivo que a Parada Gay acontece, na forma de uma grande festa com um grande incentivo por trás, por uma luta que surgiu há um bom tempo e terá que contar com a maior quantidade de gente possível para acabar. Afinal, "no voy abandonar mis sueños".
                                          (videoclipe da música "Libertad")

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